Gol (GOLL54) avança para decolar da B3: laudo da OPA avalia lote a R$ 10,13; entenda
O laudo será a referência para a OPA das ações preferenciais e não representa, necessariamente, o preço final da oferta

A Gol (GOLL54) deu mais um passo no caminho para sair da bolsa. A companhia informou nesta sexta-feira (9) que recebeu o laudo de avaliação que vai balizar a oferta pública de aquisição (OPA) das ações preferenciais — etapa necessária para o fechamento de capital e a saída do Nível 2 de governança da B3.
O documento apontou um valor econômico de R$ 10,13 por lote de mil ações, bem acima da cotação de R$ 6,25 registrada no fim do pregão de hoje. No fim do pregão da última sexta-feira (9), o lote fechou a R$ 6,25.
A consultoria Apsis chegou ao preço com base na metodologia de fluxo de caixa descontado (FCD), considerada pelo avaliador a mais adequada para refletir a capacidade futura de geração de caixa da companhia.
Como a Gol chegou ao preço da OPA
A divulgação do laudo dá sequência ao processo iniciado em novembro de 2025, quando a GOL contratou formalmente a avaliadora e passou a cumprir os procedimentos exigidos pela regulamentação para a realização da OPA de saída do Nível 2.
Na ocasião, a companhia informou que a oferta seria conduzida pela Gol Investment Brasil (GIB), controladora direta da aérea, como parte da reorganização societária que culmina na incorporação da holding pela Gol Linhas Aéreas S.A. (GLA), empresa de capital fechado do grupo.
Segundo o laudo, o FCD foi calculado a partir de projeções de fluxo de caixa até 2031, com taxa de crescimento na perpetuidade de 3,6% e taxa de desconto (WACC) de 15,1% ao ano, construída a partir de um custo de capital próprio de 17,5% e custo da dívida pós-impostos de 11,1%.
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A avaliação também levou em conta a nova estrutura de capital da companhia após a conclusão do Chapter 11, encerrado em junho de 2025.
A Apsis descartou como referência principal tanto o patrimônio líquido contábil — negativo na data-base de setembro de 2025 — quanto o preço médio ponderado de negociação em bolsa (VWAP), citando distorções causadas pela reestruturação societária, pela mudança no lote padrão de negociação e pelo free float reduzido, hoje inferior a 1%.
Para efeito de comparação, o VWAP desde o início da negociação do GOLL54 ficou em R$ 7,27 por mil ações, abaixo do valor econômico estimado.
O laudo também apresentou um cenário adicional de upside, que considera a incorporação de fluxos de caixa ligados à expansão futura da frota — sobretudo com aeronaves Boeing 737 MAX —, no qual o valor poderia chegar a R$ 11,45 por lote, embora esse cenário não tenha sido adotado como base por envolver incertezas operacionais.
A companhia reforçou que o valor apurado no laudo não representa, necessariamente, o preço final da OPA, que poderá ser igual ou superior e será definido no edital da oferta, previsto para as próximas semanas.
O movimento ocorre em meio à fase final da reestruturação financeira e societária da Gol, após a conversão de dívidas em capital no âmbito do Chapter 11 e a consolidação do controle pelo grupo Abra. O fechamento de capital é visto como parte da estratégia de simplificação da estrutura e de maior flexibilidade financeira em um setor ainda marcado por margens apertadas e elevada volatilidade.
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