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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

AÇÃO DO MÊS

Dividendos na veia: ação de energia é a nova favorita dos analistas para investir em março; descubra qual é

Após reestruturação e mudança de fase, empresa lidera ranking de recomendações de 10 corretoras; veja quem aposta no papel e por quê

Camille Lima
Camille Lima
4 de março de 2026
6:16 - atualizado às 16:18
Ações do mês | ação JBS JBSS3
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Durante anos, investir na antiga Eletrobras exigia convicção — e uma boa dose de tolerância ao risco político. Hoje, a história que começa a ser contada é outra. Rebatizada de Axia Energia (AXIA3), a companhia tenta consolidar um novo ciclo: menos ruído institucional, mais geração de caixa. E, principalmente, dividendos como peça central da equação. 

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Depois de trocar de nome, de ticker e de estrutura de capital, a empresa agora tenta consolidar sua nova identidade: a de uma companhia privada, mais enxuta e potencialmente generosa na remuneração ao acionista. 

Ao que tudo indica, o mercado está disposto a dar o benefício da dúvida. Em março, a Axia despontou como a ação mais recomendada entre as dez corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro.  

Foram quatro indicações no total — três delas para as ações preferenciais (AXIA6) e uma para os papéis ordinários (AXIA3)

A medalha de ouro no ranking também vem na esteira de uma forte performance das ações na bolsa. Os papéis AXIA3 já subiram mais de 18% na B3 desde o início do ano, com valorização superior a 90% em 12 meses.  

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No ranking do mês, ela ficou à frente de nomes de peso como Localiza (RENT3) e Prio (PRIO3), que dividiram a segunda colocação, com três recomendações cada. 

Leia Também

Confira as principais apostas dos analistas de cada corretora para março: 

Entendendo a Ação do Mês: todos os meses, o Seu Dinheiro consulta as principais corretoras do país para identificar as apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas — geralmente compostas por até dez papéis — os analistas destacam seus três preferidos. A partir daí, selecionamos as ações com pelo menos duas indicações para compor o ranking. 

De estatal a corporation: a virada de chave para a Axia Energia 

A explicação para o novo momento da Axia Energia passa pela privatização. Desde que deixou de ser controlada pela União, em 2022, a companhia mergulhou em um verdadeiro processo de transformação. 

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Reduziu endividamento, revisou contratos, cortou custos, vendeu ativos considerados não essenciais e enxugou estruturas.  

Também se tornou uma corporation, com capital pulverizado e sem controlador definido — mudança que altera profundamente a dinâmica de governança. 

Agora, a Axia quer dar mais um passo nessa trajetória: migrar para o Novo Mercado da B3, o segmento com as regras mais rígidas de governança corporativa.  

A proposta envolve a conversão das ações preferenciais em ordinárias, alinhando-se à lógica de “uma ação, um voto”. Você confere todos os detalhes aqui. 

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Energia cara, caixa forte: o que faz a Axia Energia (AXIA3) brilhar tanto? 

Além da transformação interna, o cenário para o setor também tem colaborado para o otimismo com as ações da Axia.  

Segundo a Empiricus Research, gargalos na transmissão e a piora no nível dos reservatórios vêm sustentando preços de energia mais elevados — um ambiente que pode persistir no curto e médio prazo. 

A Axia optou por uma estratégia que amplifica esse potencial: manter parte relevante do portfólio descontratada para capturar preços mais altos no mercado livre.  

É uma decisão que aumenta a exposição ao ciclo — e, portanto, ao risco — mas que também eleva o potencial de geração de caixa em momentos favoráveis. 

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Na visão da EQI Investimentos, a tese combina ganho contínuo de eficiência, venda de ativos menos rentáveis e maior liberdade para comercializar energia a preços mais atrativos, especialmente com o plano de descontratação da energia cotizada até 2030. 

“Negociando com uma taxa de retorno equivalente a IPCA+ 9% ao ano, vemos Eletrobras como uma peça importante em nossa carteira em um cenário de queda de custo de capital no Brasil nos próximos anos”, afirmam os analistas da EQI. 

Já o BTG Pactual destaca a forte presença da Axia em geração hidrelétrica. Em um sistema cada vez mais dependente de fontes intermitentes, como solar e eólica, a energia firme das hidrelétricas ganha valor estratégico para garantir estabilidade ao fornecimento. 

Resultados e a promessa de dividendos 

No quarto trimestre de 2025, a Axia registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,25 bilhão, avanço de 141% na comparação anual.  

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A receita líquida somou R$ 9,9 bilhões, recuo de 5,5%, impactada por menor volume vendido em geração e receitas de transmissão abaixo das expectativas. 

O Ebitda ajustado, indicador que mensura a capacidade de geração de caixa operacional de um negócio, somou R$ 4,2 bilhões, redução de 9,9% na comparação anual. 

Embora os números mostrem pressões pontuais, o foco do mercado está na capacidade estrutural de geração de caixa. E é justamente aí que entram os dividendos. 

Para o BTG, a empresa ainda está nos estágios iniciais do que pode se tornar uma fonte substancial de renda aos acionistas.  

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A combinação de disciplina de capital, maior eficiência operacional e preços potencialmente elevados de energia pode transformar a Axia em uma pagadora consistente — e robusta — de dividendos nos próximos anos, segundo o banco.  

“Isso, combinado com preços de energia potencialmente mais altos, pode transformar a Axia em uma pagadora de dividendos (muito) forte nos próximos 5,5 anos”, diz o BTG. 

Mesmo após a valorização recente, o banco vê espaço para desempenho adicional das ações da Axia. 

Na leitura da Empiricus, os papéis negociam a cerca de 7,8 vezes EV/Ebitda — um múltiplo considerado atrativo em relação aos pares do setor, especialmente diante da melhora de eficiência e da modernização dos ativos. 

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Quais os riscos de investir na Axia? 

Nem só de vento favorável vive a tese. Na visão dos analistas, há dois principais riscos para quem decide apostar nas ações da Axia Energia.  

O primeiro fator é político. Apesar da privatização, o histórico de tentativas de interferência estatal ainda pesa no imaginário do investidor. Uma eventual nova investida do governo poderia pressionar os papéis, segundo os analistas. 

O segundo ponto é estrutural: a forte exposição ao mercado livre, que hoje é vantagem, pode se tornar um problema caso os preços de energia recuem de forma relevante.

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