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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

CHECK-UP AMARGO

Dasa (DASA3) tem prejuízo de quase R$ 1 bilhão e ações vão para a UTI na maior queda da bolsa; papéis chegam a recuar 19%

A empresa de saúde e diagnósticos sofre com leitura negativa do mercado após balanço do quarto trimestre de 2025; entenda os impactos do desinvestimento e as dúvidas sobre a joint venture com a Amil

Carolina Gama
27 de março de 2026
13:02 - atualizado às 13:03
Dasa
Dasa - Imagem: Montagem Seu Dinheiro com imagens divulgação e Pexels via Canvas Pro

Parece que o check-up da Dasa (DASA3) não veio como o mercado esperava e a reação nesta sexta-feira (27) é das piores: as ações da rede de saúde e diagnósticos chegaram a cair 19%, a maior baixa da bolsa, refletindo uma indigestão dos investidores com o balanço do quarto trimestre de 2025. 

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Se a ideia era buscar sinais de vitalidade, o que os analistas encontraram foi um paciente que ainda respira com a ajuda de aparelhos contábeis e vendas de ativos. 

Entre outubro e dezembro do ano passado, a Dasa teve um prejuízo líquido de R$ 948 milhões, um resultado é 13,9% pior do que o registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, o rombo já soma R$ 1,135 bilhão. 

A empresa justificou o tombo com efeitos não recorrentes, como o impacto da venda do hospital São Domingo e ajustes na reorganização societária. Mas, para o mercado, o argumento não é suficiente. 

Por volta de 12h45, as ações DASA3 recuavam 14,96%, cotadas a R$ 2,90. No mês, os papéis acumulam baixa de 28%. No mesmo horário, o Ibovespa subia 0,20%, aos 183.099,54 pontos.  

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Diagnóstico da Dasa: repouso e cautela 

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Dasa, que mede a geração de caixa operacional, ficou negativo em R$ 111 milhões no trimestre. Um ano antes, esse indicador estava positivo em R$ 403 milhões. 

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O BTG Pactual foi direto ao ponto: os resultados vieram fracos e abaixo do esperado, mesmo se ignorarmos os efeitos extraordinários.  

Os analistas Samuel Alves e Maria Resende destacaram que o Ebitda ficou 33% abaixo das estimativas, mostrando uma "deterioração operacional". 

Nem a joint venture com a Amil escapou da análise negativa. A operação apresentou margens magras e prejuízo, o que aumenta a névoa sobre quando, afinal, as sinergias prometidas vão aparecer no balanço. 

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 Já o Citi teve uma leitura um pouco mais mista. Embora tenha visto um crescimento sólido de dois dígitos na receita de diagnósticos no Brasil, o banco notou que o lucro bruto decepcionou e que o endividamento da rede Américas trouxe uma "surpresa negativa". 

Remédio amargo 

Embora a Dasa tenha conseguido reduzir a dívida líquida em 46% na comparação anual, fechando 2025 em R$ 5,4 bilhões, graças à venda de ativos, a alavancagem ainda é um sintoma que incomoda. 

Para quem esperava uma recuperação rápida, o BTG deixa um aviso: a tese de investimento depende de uma "inflexão" (turnaround) que ainda tem baixa visibilidade no curto prazo.  

O banco manteve recomendação neutra para as ações DASA3 e fixou um preço-alvo de R$ 2,50 — o que ainda implica um potencial de queda de quase 29% em relação ao fechamento anterior. 

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O Citi também tem recomendação neutra para Dasa, com preço-alvo de R$ 4,50, o que representa um potencial de valorização de 32%.  

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