CSN (CSNA3) confirma fase final de negociação de empréstimo, com a venda da CSN Cimentos como garantia
A CSN companhia confirmou a negociação e que a venda da sua divisão de cimentos foi incluída como garantia para obter condições mais vantajosas

Com bilhões de reais em dívidas a vencer, a CSN (CSNA3) corre contra o relógio para garantir recursos e continuar funcionando. Depois de relatos na imprensa, a companhia de siderurgia e mineração confirmou que está em fase final de negociação de um empréstimo-ponte com um sindicato de bancos para melhorar o perfil das suas obrigações de curto e médio prazos.
Para conseguir esse empréstimo, uma das garantias é parte dos ativos a serem alienados, incluindo a CSN Cimentos. Segundo o Broadcast, do Estadão, o empréstimo é de aproximadamente US$ 1,5 bilhão.
A companhia confirmou essa negociação e que a venda da sua divisão de cimentos foi incluída como garantia da estrutura como forma de obter condições mais vantajosas para a transação, além de reforçar o comprometimento da administração em relação ao processo de venda. A afirmação foi dada em esclarecimento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Processo de venda em andamento
A CSN é uma das maiores produtoras integradas de aço no Brasil, a segunda maior no mercado de cimentos, com um enorme sistema logístico de ferrovias e terminais portuários.
No próximo dia 17 de abril vencem cerca de US$ 180 milhões em títulos de dívida emitidos no exterior (bonds), o equivalente a pouco mais de R$ 900 milhões. Além disso, a CSN tem ainda R$ 6,6 bilhões em dívidas bancárias com vencimento este ano, com R$ 16 bilhões em caixa — R$ 2,8 bilhões a menos que há um trimestre.
Por isso, ela anunciou em janeiro um plano para levantar até R$ 18 bilhões com vendas de ativos, principalmente o controle da divisão de cimentos e uma participação nos negócios de infraestrutura.
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A companhia alega que tem sido transparente acerca da evolução desse negócio, sobre o qual falou na última teleconferência de resultados ocorrida em 12 de março de 2026.
Desde então, houve aprovações internas por parte de diversas instituições financeiras envolvidas no sindicato, embora as negociações ainda não tenham sido concluídas, disse.
Além disso, a CSN afirmou que o processo de gestão e monetização de ativos segue seu curso normal, em linha com as iniciativas estratégicas já comunicadas ao mercado.
Mercado está cético com andamento
Por causa de seu endividamento continuamente alto, a agência de classificação de risco S&P rebaixou a nota da CSN de B+ para B na escala global.
O rebaixamento do rating reflete os maiores vencimentos da dívida de curto prazo, a crescente aversão ao risco e a incapacidade da companhia de reduzir a dívida por meio da geração interna de caixa.
A agência também está cética em relação à capacidade da holding de realizar as vendas no período previsto.
"A complexidade dessas transações, a volatilidade da economia global e a crescente aversão ao risco do mercado podem afetar sua capacidade de reduzir a alavancagem em tempo hábil", escreveu em relatório sobre a empresa.
O BB Investimentos já havia emitido um alerta ontem com a mesma preocupação. "Apesar dos esforços da companhia para capturar ganhos de eficiência operacional e mitigar os desafios do segmento de siderurgia, os indicadores de endividamento e alavancagem seguem em deterioração e continuam exigindo acompanhamento próximo", diz o BB Investimentos, em relatório.
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