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Larissa Bernardes

Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

MUDANÇA DE ROTA

Vale a pena voltar para a Azul (AZUL53)? Bradesco BBI melhora recomendação após reestruturação bilionária

Banco eleva recomendação para neutra após reestruturação reduzir dívida, juros e custos de leasing; foco agora é gerar caixa e diminuir alavancagem

Larissa Bernardes
Larissa Bernardes
24 de fevereiro de 2026
15:30 - atualizado às 15:05
Avião da companhia de aviação Azul voando em céu nublado
Aeronave da Azul - Imagem: Divulgação

O Bradesco BBI mudou a visão sobre a Azul (AZUL53) e elevou a recomendação das ações de venda para neutra. A alteração ocorreu após a companhia concluir sua reestruturação financeira e iniciar o que os analistas classificam como um novo ciclo operacional.

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O novo preço-alvo para os papéis, negociados em pacotes sob o ticker AZUL53, foi fixado em R$ 273 — potencial de valorização de cerca de 16% em relação ao fechamento de segunda-feira (23).

Segundo o banco, a revisão reflete a melhora estrutural no perfil financeiro da aérea depois do encerramento do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conduzido sob o Chapter 11 entre maio de 2025 e fevereiro deste ano.

Com a saída do processo, a Azul reduziu aproximadamente US$ 1,1 bilhão em dívidas de empréstimos e financiamentos, cortou em cerca de 40% o endividamento ligado a arrendamentos de aeronaves e diminuiu em mais de 50% os pagamentos anuais de juros na comparação com o período anterior à reestruturação.

A companhia também estima uma redução de cerca de um terço nas despesas recorrentes com leasing.

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O plano foi viabilizado por uma captação de aproximadamente US$ 1,375 bilhão em Senior Notes, além de US$ 950 milhões em novos aportes de capital, reforçando a liquidez e abrindo espaço para a reorganização do balanço.

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Para definir o novo preço-alvo, o Bradesco BBI usou como base a relação entre o valor total da empresa e sua geração de caixa operacional (EV/Ebitda), projetando que a ação seja negociada a cerca de 4,3 vezes esse indicador em 2027.

A conta considera ainda a expectativa de que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) — uma medida usada pelo mercado para avaliar o desempenho operacional das empresas — cresça, em média, cerca de 6% ao ano entre 2027 e 2029.

Apesar do avanço na desalavancagem, os analistas mantêm cautela. “Ainda vemos um cenário de execução desafiador no médio prazo”, afirmam.

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No mercado, porém, o movimento do dia foi negativo. As ações da companhia operavam em queda nesta terça-feira (24). Por volta das 14h10 (horário de Brasília), AZUL53 recuava 10,39% no Ibovespa, negociada a R$ 210,59.

Foco da Azul agora é reduzir alavancagem e gerar caixa

Após deixar o Chapter 11, a prioridade da Azul passa a ser reduzir alavancagem e fortalecer a geração de caixa. A estratégia foi reforçada pelo CEO da companhia, John Rodgerson, em conversa com jornalistas na segunda-feira (23).

Segundo o executivo, o processo foi concluído em menos de nove meses porque a companhia aérea já entrou na recuperação com um plano bem definido e sem disputas relevantes com credores.

“Não tivemos disputa porque todo mundo estava olhando para frente. Não tentamos proteger o acionista, nada assim. Fizemos tudo para proteger a Azul, que sempre foi uma empresa muito boa, mas nosso balanço ficou virado por aspectos fora do nosso controle”, afirmou.

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Rodgerson relembrou que os últimos anos foram particularmente desafiadores para o setor aéreo, citando impactos da pandemia de covid-19, juros elevados, valorização do dólar e eventos climáticos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul.

Diferentemente do que ocorreu com a Gol Linhas Aéreas após seu próprio processo de reestruturação, o CEO afirmou que uma eventual saída da bolsa não está no radar da Azul neste momento, mesmo após a forte diluição acionária provocada pela recuperação judicial.

*Com informações do Money Times

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