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MERCADO DE CAPITAIS

O gringo puxou a bolsa — mas vai ignorar as PMEs? CEO da BEE4 diz por que os IPOs menores ainda não estão no radar estrangeiro

A chamada “bolsa das pequenas e médias empresas” vê espaço para listagens, mas diz que apetite estrangeiro ainda não está no radar

Executivos da BEE4, a bolsa das PMEs. Da esquerda para a direita: Daniel Debessa, novo diretor de Desenvolvimento de Mercado e Conexão com Participantes da BEE4; Cristiana Pereira, membro do conselho de administração da BEE4; Rodrigo Fiszman, cofundador e chairman da BEE4; Patricia Stille, cofundadora e CEO da BEE4; Joyce Saika, VP de Finanças, RI e Jurídico da Núclea; e Ricardo Dias, diretor de Novos Negócios da Núclea.
Executivos da BEE4 participaram do encontro: Daniel Debessa, Cristiana Pereira, Rodrigo Fiszman, Patricia Stille, Joyce Saika e Ricardo DiasImagem: Divulgação

O investidor gringo terá apetite por ações de pequenas e médias empresas (PMEs)? Para a BEE4, a chamada “bolsa das PMEs”, a resposta curta é: não tão cedo. 

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A startup, que se apresenta como uma nova bolsa de valores brasileira, está, sim, ávida por novas aberturas de capital em 2026.  

Mas não aposta em uma retomada consistente de ofertas iniciais de ações (IPOs) no curto prazo — e também não acredita que o investidor estrangeiro será protagonista nesse movimento inicial.  

O caminho, segundo a empresa, passa por paciência, construção gradual e, sobretudo, pelo investidor local. 

Essa visão foi detalhada em um almoço com jornalistas nesta terça-feira (20), em que o alto escalão da BEE4 revelou as perspectivas para o futuro do mercado de acesso no Brasil e por que o Regime Fácil pode funcionar como uma engrenagem de crescimento para o mercado de capitais brasileiro. 

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Participaram do encontro Patricia Stille, cofundadora e CEO da BEE4; Rodrigo Fiszman, cofundador e presidente do conselho (chairman); Daniel Debessa, diretor de Desenvolvimento de Mercado e Conexão com Participantes; Cristiana Pereira, conselheira; além de Joyce Saika e Ricardo Dias, executivos da Núclea. 

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Na leitura da BEE4, o Regime Fácil — que entra em vigor em março e busca simplificar o acesso de PMEs ao mercado de capitais — tem potencial para criar uma “espiral virtuosa”. Mas essa espiral não começa girando rápido. 

“Não se constrói liquidez abundante ou um mercado robusto da noite para o dia”, disse a CEO Patricia Stille. 

O investidor estrangeiro ainda não vem 

Segundo Cristiana Pereira, conselheira da BEE4, existe um tradição mundial de que pequenas e médias empresas recebam financiamento de investidores locais. "São pessoas físicas e gestoras especializadas nesse segmento", afirmou.

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Ainda há uma limitação prática: no Regime Fácil, as ofertas estão limitadas a R$ 300 milhões. O tíquete é pequeno demais para fundos estrangeiros de grande porte, que precisam movimentar volumes elevados para justificar a alocação.

As emissões não são grandes o suficiente para atrair grandes investidores estrangeiros. "O estrangeiro só entra após haver uma massa crítica de atividades e a formação de cestas e índices, o que ocorrerá mais à frente no desenvolvimento deste mercado.” 

Potencial de investimento de longo prazo

Segundo a CEO da BEE4, o desenvolvimento do acesso de capitais passa por etapas bem definidas: acesso inicial ao mercado, primeiras emissões, construção de confiança e ampliação da base de investidores. Por fim, ganho de escala.  

À medida que mais ativos entram no sistema, os spreads tendem a se equilibrar e novos instrumentos passam a fazer sentido. 

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É nesse estágio mais avançado que investidores institucionais maiores — e, eventualmente, estrangeiros — entram no radar. 

“Com mais ativos, os spreads se equilibram e novos instrumentos são lançados, atingindo escala para atrair investidores institucionais e estrangeiros. Se um investidor estrangeiro quer expor sua tese em mercados emergentes com foco no Brasil, ele precisa de uma massa crítica de ativos para formar índices que baseiem ETFs [fundos de índice]”, afirmou Stille. 

Para ela, no longo prazo, o mercado de acesso pode estimular a geração de empregos e o crescimento do PIB.

O crédito como porta de entrada na BEE4 

A BEE4 vê no crédito o principal ponto de partida. O foco está em investidores institucionais especializados, especialmente no segmento high yield — de alto risco e retorno —, que cresceu de forma relevante nos últimos anos.  

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São esses fundos que devem absorver as primeiras emissões de dívida das PMEs, de acordo com a startup. 

Na visão da conselheira, os gestores especializados entram primeiro. Depois, com estrutura e histórico, esses ativos podem chegar a fundos de pensão e, então, ao investidor estrangeiro. 

“Esses investidores demandam tíquetes altos e não conseguem entrar diretamente em papéis de pequenas empresas”, afirmou Pereira. 

A lógica dos ETFs reforça essa leitura. Antes de empacotar ativos em produtos indexados, o mercado precisa observar comportamento, recorrência de emissões e maturidade. Só depois vêm os produtos mais sofisticados. 

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Para que produtos como ETFs existam, é preciso um grande número de ativos disponíveis no mercado — algo que só acontece depois de várias rodadas de emissões e da consolidação do mercado de acesso de PMEs. 

Para fundador da BEE4, IPOs menores ainda terão que esperar 

No curto prazo, a expectativa é de que o grosso das operações fique concentrado em emissões de dívida. Segundo o cofundador da BEE4, o ambiente de juros elevados do Brasil ainda desestimula empresários a abrir capital e aceitar diluição. 

“No Regime Fácil, a empresa pode se listar sem captar imediatamente e esperar até dois anos para fazer uma operação”, lembrou Fiszman. 

A projeção é que a BEE4 inicie 2026 com 14 empresas listadas — dez vindas do concurso Rota Fácil e quatro do sandbox regulatório da CVM. 

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Na leitura da startup, 2026 ainda será um ano desafiador para IPOs em geral. Mas, à medida que os juros se aproximarem de um dígito, a janela começa a se abrir. 

“Não sabemos a velocidade da queda, mas sabemos que quanto mais perto de um dígito, maior a chance de as operações acontecerem”, disse Fiszman. 

Até lá, a estratégia é preparar empresas, construir histórico e deixar o mercado pronto para quando a maré virar. 

Hoje, a BEE4 mantém conversas com cerca de 100 empresas interessadas em acessar o mercado — seja via dívida, seja por meio de um IPO. Parte delas já está em estágio mais avançado, aguardando a entrada em vigor do Regime Fácil; outras ainda estão nas fases iniciais de estruturação. 

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