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Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Passou por redações como Agência Estado, Safras News, Diário do Centro do Mundo (DCM) e Record TV.

BIG TECHS

Alphabet, dona do Google, planeja emissão histórica de títulos de 100 anos para financiar corrida pela IA

Operação em libras pode ser a primeira de uma empresa de tecnologia com prazo tão longo desde os anos 1990

Larissa Bernardes
10 de fevereiro de 2026
15:21 - atualizado às 13:42
Google for Startups Accelerator: AI for Nature negócios de impacto
Google - Imagem: iStock/AlexKane

A Alphabet, controladora do Google, quer fazer uma operação que chama atenção até em um mercado acostumado a números bilionários: a empresa planeja vender um título de dívida com vencimento em 100 anos.

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Na prática, isso significa tomar dinheiro emprestado dos investidores e prometer devolver só daqui a um século — pagando juros ao longo do caminho.

Se a operação sair do papel, será a primeira vez desde o fim dos anos 1990 que uma empresa de tecnologia tenta levantar recursos com um prazo tão longo.

De acordo com a Bloomberg, o título será emitido em libras esterlinas e fará parte de um pacote com outros quatro papéis na mesma moeda para ampliar as fontes de financiamento da companhia.

IA explica a pressa por dinheiro

O objetivo é que o financiamento apoie a big tech na corrida da inteligência artificial (IA), que exige gastos exorbitantes.

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Na semana passada, a Alphabet anunciou que pretende investir até US$ 185 bilhões neste ano, o dobro do valor de 2025. Ou seja, o caixa precisa estar reforçado para bancar data centers, chips, infraestrutura e novos produtos.

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Do lado dos resultados, a empresa tem mostrado fôlego para isso. A Alphabet divulgou uma receita de US$ 113,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, acima do esperado pelo mercado e com crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior.

E a Alphabet sabe que a concorrência vem forte, já que a Meta e Microsoft também anunciaram planos de gastos elevados para 2026.

O Morgan Stanley estima que o endividamento das grandes empresas de computação em nuvem — os chamados hyperscalers — deve chegar a US$ 400 bilhões neste ano, contra US$ 165 bilhões em 2025.

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Um prazo raro — e arriscado

O mercado de títulos centenários é, em geral, dominado por governos e instituições como universidades, que costumam existir por décadas — ou séculos.

Existe um motivo para essa operação ser rara entre empresas. Companhias podem mudar de estratégia, comprar outras empresas, ver seus produtos ficarem obsoletos ou até perder relevância com o avanço da tecnologia.

Tudo isso torna difícil apostar em um horizonte tão longo, ainda mais no setor de tecnologia. A última grande referência foi a Motorola, que vendeu um título desse tipo em 1997, segundo dados da Bloomberg.

Alphabet já é figurinha conhecida no mercado de dívida

A dona do Google não é novata quando o assunto é captar dinheiro com investidores. Em novembro, a empresa foi ao mercado nos Estados Unidos e levantou US$ 17,5 bilhões em uma operação que despertou forte interesse, com cerca de US$ 90 bilhões em pedidos.

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Naquele momento, a companhia também vendeu um título com vencimento em 50 anos — o mais longo já emitido por uma empresa de tecnologia em dólares no ano passado.

Esse papel, inclusive, se valorizou no mercado secundário, ou seja, passou a valer mais depois de ser negociado entre investidores.

Como parte da mesma estratégia de alongar os prazos da dívida, a Alphabet também colocou 6,5 bilhões de euros (US$ 7,7 bilhões) em títulos na Europa.

*Com informações da Bloomberg

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