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O Banco Central cortou o juro básico do país, mas a Selic continua nas alturas; veja o que isso significa para os investimentos

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual (p.p.) nesta quarta-feira (17). Com isso, os juros de referência do país caíram de 14,50% para 14,25% ao ano.
Os cortes no juro básico são considerados positivos para ativos de risco, como ações e fundos multimercados, mas a redução não é o suficiente neste momento. A taxa Selic ficou ligeiramente menor, mas o destaque nos investimentos ainda é dos ativos de renda fixa.
Além de comunicar o corte na taxa Selic, o Copom deixou em aberto a possibilidade de novos cortes ou manutenção nas próximas reuniões. De modo geral, isso significa que os juros vão continuar bastante altos por mais tempo e a renda fixa vai continuar pagando um retorno relevante.
E o principal motivo por trás dessa decisão é a piora no quadro inflacionário do país.
A inflação corrente subiu de 3,8% em fevereiro para 4,7% em maio — economistas já projetam que um avanço de 5,3% no acumulado de 2026. Para os próximos anos as estimativas também pioraram, ao ponto de o BC se ver na situação de interromper o corte na Selic para conter esse novo repique inflacionário.
Há motivos externos (choque nos preços do petróleo e seus derivados) e internos (benefícios fiscais do governo que incentivam consumo) para esse repique de preços — o que dificulta ainda mais o trabalho do Copom.
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Para os investidores, o resumo de todo esse preâmbulo é a continuidade do bom retorno dos investimentos em renda fixa, sejam títulos públicos do Tesouro Direto, emissões de bancos como CDBs, LCIs e LCAs, ou crédito privado via debêntures CRIs e CRAs.
Rafael Winalda, especialista em renda fixa do Inter, faz algumas ressalvas em relação a escolha da modalidade de pagamento.
“Temos preferência por títulos de inflação longa (IPCA+), que continuam entregando prêmios reais (juros acima da inflação) atrativos para o investidor no médio e longo prazo”, diz, indicando vencimentos acima de cinco anos.
Uma opinião compartilhada por Thais Prado, head de fundos de crédito do ASA. Para ela, o repique inflacionário atual reforça a tese de proteção contra a inflação na carteira.
Caso o aumento de preços piore, a parte da rentabilidade que corrige a inflação irá proteger o poder de compra do investimento. Por outro lado, se o aumento de preços ceder, o valor dos títulos de renda fixa com juros reais altos (entre 7% e 8%) tende a avançar.
Isso vale para os títulos do Tesouro Direto, Tesouro IPCA+, e para crédito privado, como as debêntures de infraestrutura e debêntures tradicionais. De modo geral, nas duas pontas o investidor está garantido.
Para o curto prazo, entre dois e três anos, a escolha de Winalda é por títulos pós-fixados — aqueles que acompanham a taxa Selic ou o CDI.
Nesta modalidade é possível encontrar CDBs, LCIs, LCAs e o Tesouro Selic. Fundos de crédito ou fundos DI com liquidez também oferecem rentabilidade próxima ao de pós-fixados.
Considerando uma aplicação de R$ 10 mil, com juros constantes a 14,25% ao ano, veja a rentabilidade de diferentes ativos pós-fixados de renda fixa.
| Prazo | Poupança | Tesouro Selic | CDB (100% CDI) | LCI e LCA (85% CDI) |
|---|---|---|---|---|
| 3 meses | R$ 10.171,29 | R$ 10.255,38 | R$ 10.260,70 | R$ 10.288,00 |
| 1 ano | R$ 10.702,96 | R$ 11.154,35 | R$ 11.162,43 | R$ 11.197,61 |
| 2 anos | R$ 11.455,33 | R$ 12.555,17 | R$ 12.564,06 | R$ 12.538,75 |
| 3 anos | R$ 12.260,60 | R$ 14.102,42 | R$ 14.109,74 | R$ 14.027,87 |
| 4 anos | R$ 13.122,46 | R$ 15.884,33 | R$ 15.886,47 | R$ 15.707,99 |
| 5 anos | R$ 14.044,92 | R$ 17.912,54 | R$ 17.904,91 | R$ 17.581,42 |
Aqui, é importante considerar que aplicações em CDB e Tesouro Selic têm cobrança de imposto de renda (IR). O valor da simulação é líquido, seguindo a tabela regressiva que começa em 22,5% de alíquota para aplicações de seis meses e chega a 15% de IR em aplicações acima de 24 meses.
No caso do Tesouro Selic há ainda um custo de 0,20% ao ano de custódia para valores acima de R$ 10 mil — por isso a diferença em relação à rentabilidade de CDBs, que não tem esse custo administrativo.
O cenário não é positivo para as ações na bolsa. Com os juros altos, o endividamento das empresas fica apertado. Em muitos casos, a maior parte da receita que entra em caixa serve apenas para pagar custos de dívida.
Além disso, há o problema da inflação e tendência a diminuir o consumo pela população — isso limita o lucro e entrada de fluxo em caixa.
Recentemente, o Bank of America (BofA) cortou a recomendação para ações brasileiras para neutro. Os juros altos por mais tempo, com os lucros das empresas revisados para baixo, e a instabilidade do calendário eleitoral não são bons presságios, na opinião do banco.
A regra continua a mesma de quando os juros estavam em 15%: ações específicas, de empresas boas pagadoras de dividendos, com fluxo de caixa recorrente. Em outras palavras: setores de serviço público e bancos.
Embora os títulos de crédito privado sejam renda fixa, a situação de aperto financeiro que dificulta a negociação de ações também se aplica a essa classe de ativos. Isso porque o risco do crédito privado é o risco do emissor da dívida: logo, das empresas.
Casos recentes de recuperação judicial e extrajudicial (Raízen, GPA, Oncoclínicas e outros) jogaram luz às dificuldades de financiamento de dívidas das empresas.
Assim como é necessária a seletividade na escolha de ações, também é importante estar atento à escolha de debêntures e outros títulos de crédito.
Empresas com menor nível de endividamento, com bom histórico de pagamento de juros aos credores e boa avaliação de crédito são critérios básicos para se olhar neste momento.
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