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Com o Brasil como exportador líquido, alta do petróleo impulsiona a balança comercial e leva BTG a revisar projeções para até US$ 90 bilhões

A disparada do petróleo lá fora virou um empurrão — e não mais um problema — para a economia brasileira. E isso já está mexendo com as contas do país.
O BTG Pactual recalibrou suas projeções e agora espera um superávit comercial de US$ 90 bilhões em 2026, bem acima da estimativa anterior, de US$ 75 bilhões. Para 2027, o banco manteve o mesmo patamar: US$ 90 bilhões.
Por trás dessa revisão está uma mudança importante: o Brasil deixou de sofrer com a alta do petróleo e passou a ganhar com ela.
No começo dos anos 2000, o cenário era outro. O Brasil importava mais petróleo do que exportava — e cada alta no preço da commodity pesava nas contas externas.
Um aumento de US$ 10 no barril do Brent, por exemplo, significava um rombo de cerca de US$ 1,2 bilhão.
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Agora, a lógica se inverteu.
Segundo o BTG, esse mesmo aumento de US$ 10 no barril hoje gera um ganho de cerca de US$ 5,9 bilhões, tanto na balança comercial quanto nas transações correntes.
Já uma alta de 10% no Brent pode adicionar US$ 3,7 bilhões e ainda reduzir o déficit externo em 0,16 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB).
Na prática, o Brasil virou exportador líquido de petróleo — e isso muda tudo.
Com preços mais altos, a receita com exportações de petróleo bruto cresce mais do que o custo das importações de derivados, como diesel. E esse efeito tem ficado mais forte com o avanço da produção nacional, que vem batendo recordes.
Esse movimento já vinha aparecendo desde o fim de 2025, com a balança comercial acelerando, puxada principalmente pelo aumento das exportações de petróleo.
Agora, com o Brent em alta, o efeito fica ainda mais evidente: mais dólares entrando no país e um reforço nas contas externas.
O BTG também chama atenção para um efeito colateral positivo: outras commodities exportadas pelo Brasil tendem a se valorizar junto com o petróleo, ampliando ainda mais o impacto.
Claro que nem tudo são flores.
O Brasil ainda depende da importação de fertilizantes, que ficam mais caros com o petróleo em alta. O frete internacional também pesa mais nesse cenário.
Mesmo assim, o banco avalia que os ganhos superam as perdas.
Com isso, a projeção para o déficit em transações correntes também melhorou: deve ficar em 2,3% do PIB em 2026 e 2027, abaixo dos 3,0% registrados em 2025.
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