Maior fôlego para o Banco do Brasil? BNDES aprova R$ 7,5 bilhões para renegociações de dívidas no agronegócio
Linha subsidiada pelo Tesouro busca dar fôlego ao agronegócio e reduzir risco de retração na produção

Quase R$ 8 bilhões já foram liberados para dar fôlego a produtores rurais que acumularam dívidas após safras difíceis, marcadas por eventos climáticos extremos que atrapalharam a produção do agronegócio.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 7,5 bilhões em operações dentro do programa BNDES Liquidação de Dívidas Rurais — uma iniciativa criada para evitar que o aperto no campo se transformasse em uma crise de crédito mais ampla.
O montante faz parte de um pacote de até R$ 12 bilhões em recursos do Tesouro destinados à prorrogação ou liquidação de débitos de produtores e cooperativas afetados por adversidades climáticas recorrentes.
Mais do que um programa de renegociação, a linha foi desenhada com o objetivo de permitir que o produtor reorganize o caixa, volte a investir e mantenha o ritmo de produção em um setor que tem peso direto sobre inflação, exportações e crescimento.
- Leia também: Com o agro em crise, Banco do Brasil (BBAS3) dá início à renegociação de dívidas rurais
O pacote de socorro ao agronegócio
O programa foi aberto em 16 de outubro de 2025, por meio da Medida Provisória 1.314, e teve vigência até 10 de fevereiro deste ano. A linha foi subsidiada pelo Tesouro e operacionalizada pelo BNDES.
Segundo o banco de fomento, foram contratadas em torno de 27,8 mil operações, alcançando produtores de 754 municípios distribuídos por 22 Estados. O tíquete médio ficou em torno de R$ 270 mil por contrato.
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Do total aprovado, R$ 4,8 bilhões foram direcionados a agricultores familiares e produtores de médio porte enquadrados no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) e no Programa Nacional de Apoio aos Médio Produtores (Pronamp). Esse grupo respondeu por cerca de 25 mil operações — praticamente todos os contratos firmados.
O valor corresponde exatamente à reserva de 40% dos recursos prevista inicialmente para esses produtores, o equivalente a R$ 4,8 bilhões.
Os demais R$ 2,7 bilhões foram contratados por outros perfis de produtores rurais, somando 2.755 operações.
Prazo longo e foco em recomeço
A ideia do programa era oferecer um prazo de pagamento de até nove anos, com um ano de carência. Os recursos puderam ser usados para liquidação ou amortização de operações de crédito rural de custeio e investimento, além de Cédulas de Produto Rural (CPR).
Para aderir, o produtor precisava comprovar impacto de eventos climáticos adversos em duas ou mais safras e estar localizado em municípios com recorrência desses eventos reconhecida pelo governo federal.
O objetivo central foi permitir uma reorganização estrutural da dívida, e não apenas um adiamento pontual das parcelas.
“Com esse programa, o governo do presidente Lula permitiu a produtores rurais, pequenos e grandes, reorganizar suas contas, quitar débitos e ter as condições para voltar a produzir", afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota.
O efeito esperado vai além do alívio individual no caixa dos produtores. Ao permitir que os agricultores retomem a capacidade de investimento e produção, o programa busca evitar uma queda da oferta agrícola — o que poderia pressionar ainda mais os preços de alimentos.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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