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Enquanto diesel e gasolina ficam mais caros, fatia de distribuidoras e postos engorda; PF investiga preços abusivos

Com o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã ganhando escala e sem sinais claros de trégua, o petróleo voltou a operar como termômetro imediato do risco geopolítico. O barril já rompeu a marca dos US$ 100 e flertou com picos próximos de US$ 120, aumentando os preços dos combustíveis e reacendendo temores inflacionários no mundo todo.
Mas, enquanto a guerra encarece gasolina e diesel nas bombas, um outro movimento chama atenção nos bastidores da cadeia: a gordura das margens também engordou.
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) mostra que a margem de lucro de distribuidoras e postos de combustíveis no Brasil cresceu, em média, 37% desde o início do conflito no Oriente Médio.
A análise considera dados do Relatório Mensal do Mercado de Derivados de Petróleo, do Ministério de Minas e Energia (MME), que acompanha produção, importação, exportação e vendas de combustíveis no país.
Vale destacar: os porcentuais se referem exclusivamente à margem de lucro — ou seja, a fatia do preço final que fica com distribuidoras e postos — e não ao valor total pago pelo consumidor.
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No diesel S-500, usado principalmente em motores mais antigos, a margem saltou de R$ 0,95 em 28 de fevereiro — primeiro dia do conflito — para R$ 1,63 em 21 de março (último dia avaliado pelo levantamento). Isso significa um avanço de 71,6% em menos de um mês.
Já o diesel S-10, mais comum em motores modernos, a margem passou de R$ 0,80 para R$ 0,86 no mesmo período, um ganho de 7,5%.
Na gasolina comum, o movimento também foi relevante: a margem subiu de R$ 1,15 para R$ 1,52 por litro, o que representa uma alta de 32,2%.
Embora o movimento recente acompanhe a disparada do petróleo no mercado internacional durante a guerra no Irã, o aumento das margens de distribuidoras e postos não é novo. Segundo o Ibeps, essa trajetória de alta já vem desde 2021.
De acordo com o economista do instituto, Eric Gil Dantas, dois fatores ajudam a explicar esse avanço ao longo do tempo.
"O primeiro foi a alta de preços entre 2021 e 2022, quando os derivados atingiram os maiores valores reais da história do país", afirmou, em entrevista ao G1.
Naquele período, a Petrobras (PETR4) operava sob a política de Preço de Paridade de Importação (PPI), que vinculava os preços domésticos às cotações internacionais. Segundo Dantas, esse modelo trouxe forte volatilidade.
"Essa tendência de alta, junto com a volatilidade dos preços e a perda de referência para os consumidores, permitiu que as margens crescessem sem serem percebidas. Mas isso não acabou com o período de maior volatilidade: as margens continuaram subindo ao longo de 2023, mesmo com poucos reajustes", disse.
O segundo fator apontado pelo economista é a privatização de empresas estratégicas do setor. "Com isso, perdeu-se a possibilidade de manter margens mais próximas do aceitável. A BR e a Liquigás tinham grande poder para determinar essas margens e, após serem privatizadas, isso se perdeu", afirmou.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o diesel ficou 20,4% mais caro desde o início da guerra, saindo de R$ 6,03 para R$ 7,26 por litro. A gasolina, por sua vez, subiu 5,9% no período, passando de R$ 6,28 para R$ 6,65.
Diante da pressão, o governo federal corre para tentar amortecer o impacto, com medidas que incluem a isenção do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
Além disso, o Ministério da Fazenda colocou na mesa uma proposta de subsídio ao diesel importado de R$ 1,20 por litro — equivalente ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
A ideia é dividir a conta entre a união e os estados, mas a resistência já apareceu: a maioria dos secretários estaduais da Fazenda tende a rejeitar o modelo, segundo o Broadcast.
Em meio à escalada de preços e margens, o tema também chegou nas páginas policiais.
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (27) a Operação Vem Diesel, com o objetivo de investigar possíveis práticas irregulares no aumento de preços em postos de combustíveis em capitais de 11 estados e no Distrito Federal.
"Entre os focos da fiscalização estão aumentos injustificados de preços nas bombas, possíveis acordos entre empresas para alinhar valores e outras práticas abusivas que possam causar prejuízos ao consumidor", afirmou o governo, em comunicado.
*Com informações do Estadão Conteúdo e do G1
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