Inflação fora da meta e câmbio em queda: IPCA 2026 passa para 4,91%, mas mercado corta projeção do dólar
A perspectiva de alta da inflação no país reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo

A expectativa do mercado para a inflação brasileira está cada vez mais distante do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%, segundo dados do relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (11).
A mediana para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 aumentou pela nona semana consecutiva. Segundo o documento, as projeções foram de 4,89% para 4,91%.
Considerando apenas as 58 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana subiu de 4,91% para 4,95%.
A perspectiva de alta da inflação no país reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo.
Nesta manhã, após Donald Trump rejeitar a resposta do Irã sobre proposta de paz do governo norte-americano, a commodity voltou a subir forte. Por volta das 10h, os contratos do Brent, referência do petróleo no mercado internacional, registravam alta de 2,34%, a US$ 103,66.
Apesar disso, a mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20. Um mês antes, a mediana para a moeda dos EUA no fim de 2026 era de R$ 5,37.
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Vale lembrar que as projeções desta segunda-feira (11) vêm nas vésperas da publicação do IPCA de abril. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga os dados referentes ao mês passado amanhã (12).
Inflação no longo prazo e a perspectiva do Copom
Já a estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 seguiu em 4% pela segunda semana consecutiva. Há um mês, era de 3,91%.
Considerando apenas as 57 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, caiu de 4% para 3,90%.
A mediana para o IPCA de 2028 também seguiu estável, em 3,64%. Um mês antes, era de 3,60%.
Já a estimativa intermediária para a inflação de 2029 permaneceu em 3,50% pela 36ª semana consecutiva.
A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central, mesmo depois da revisão das estimativas do Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de abril.
Na ocasião, o colegiado subiu a projeção para o IPCA de 2026, passando de 3,9% para 4,6%, e para o IPCA de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, de 3,3% para 3,5%.
"As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes", afirmou o Comitê, em sua última ata.
"Desde a reunião anterior ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028", completou.
Desde 2025 a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
Dólar na mira
Já em relação ao dólar, considerando apenas as 48 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária passou de R$ 5,24 para R$ 5,19.
A mediana para a moeda norte-americana no fim de 2027 continuou em R$ 5,30. Um mês antes, era de R$ 5,40.
A estimativa intermediária para o fim de 2028 caiu de R$ 5,39 para R$ 5,35. Há quatro semanas, era de R$ 5,46.
Para 2029, a projeção do dólar permaneceu em R$ 5,40. Há um mês, era de R$ 5,50.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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