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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, acredita que o Brasil está bem posicionado para possíveis impactos da guerra no Irã
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (26) que o Brasil está numa posição "relativamente" mais confortável em relação à guerra dos Estados Unidos contra o Irã quando comparado a outros países.
Segundo ele, a vantagem do Brasil é uma combinação que reflete tanto o aperto monetário antecipado — leia-se a taxa Selic em 15% ao ano até poucos dias atrás — quanto o fato de o país ser exportador líquido de petróleo.
“Acho que a posição que o Brasil está hoje tem alguns benefícios, e que permitiu nos colocar numa posição talvez um pouco melhor comparativamente se a gente não tivesse sido tão conservador ao longo de 2025 e início desse ano”, afirmou durante a coletiva de imprensa sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), divulgado pelo BC.
Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, que já pressiona preços de energia e amplia a volatilidade global, Galípolo destacou que a política de juros elevados adotada no Brasil ao longo do ano passado criou uma espécie de “colchão” para absorver parte dos impactos.
Ainda assim, ponderou que o cenário exige cautela: o BC prefere ganhar tempo para entender a extensão e a duração do choque, especialmente diante dos impactos sobre inflação e atividade na economia. “Choques de oferta tendem a pressionar preços e a reduzir o crescimento, mas ainda não está claro em que magnitude isso vai ocorrer”, afirmou.
O diretor de Política Econômica do BC, Paulo Picchetti, reforçou que o pano de fundo do cenário atual é a elevação da incerteza global. Segundo ele, esse ambiente já começa a contaminar as projeções, com expectativa de desaceleração da economia global e americana.
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No caso da inflação, que vinha em trajetória gradual de convergência em economias avançadas e emergentes, o choque de energia surge como novo vetor de pressão. “Já há impacto nos preços, mas a grande dúvida é como isso vai evoluir ao longo do tempo”, disse Picchetti.
Mesmo com sinais de arrefecimento no curto prazo, a inflação no Brasil continua acima da meta de 3% ao ano. As expectativas para 2026 recuaram marginalmente, mas seguem desancoradas ao longo do horizonte de projeção.
No cenário de referência do BC, a estimativa para o chamado horizonte relevante — atualmente o terceiro trimestre de 2027 — foi revisada de 3,2% para 3,3%. O avanço reflete, sobretudo, a alta do petróleo e revisões na capacidade produtiva do Brasil, parcialmente compensadas pela valorização do real.
Segundo o diretor, o IPCA-15, também divulgado hoje, reforçou a leitura de desaceleração inflacionária no curto prazo, ainda que com ruídos. O índice subiu 0,44% em março, desacelerando frente aos 0,84% de fevereiro, mas ainda acima do esperado pelo mercado.
Apesar da surpresa pontual, o resultado de 3,90% em 12 meses indica perda de fôlego dos preços, com destaque para a desaceleração dos núcleos de inflação.
Picchetti afirma que o dado corrobora a avaliação de que a política monetária segue fazendo efeito na economia do Brasil, embora a inflação ainda permaneça acima da meta e sob influência de incertezas externas, especialmente ligadas ao choque de energia.
No cenário doméstico, o BC avalia que a desaceleração da atividade segue conforme o esperado, com maior intensidade nos componentes mais sensíveis à política monetária, como consumo das famílias e investimento.
O desempenho de 2025 corroborou esse diagnóstico, com um segundo semestre mais fraco, ainda que sem caracterizar recessão.
Para 2026, a projeção de crescimento foi mantida em 1,6%, embora com mudança relevante na composição, sendo que os segmentos cíclicos foram revisados para baixo. O setor agropecuário, por outro lado, segue como contraponto positivo.
Apesar da perda de tração da economia, o mercado de trabalho continua mostrando força. A taxa de desemprego segue em níveis historicamente baixos, o que, segundo o BC, exige atenção redobrada do Copom para distinguir fatores conjunturais de estruturais.
Ao mesmo tempo, a produtividade permanece praticamente estagnada, crescendo em média apenas 0,6% ao ano — um ponto de preocupação para a dinâmica inflacionária, especialmente no setor de serviços.
O canal de crédito já reflete o aperto monetário. O BC observa redução no ritmo de expansão, com fluxo financeiro negativo. As concessões ainda mostram alguma alta pontual, mas a tendência geral é de desaceleração.
A inadimplência avançou ao longo de 2025, embora parte desse movimento esteja associada a mudanças metodológicas. Para 2026, a projeção de crescimento do crédito foi revisada de 8,6% para 9%, ainda assim em trajetória mais moderada.
No campo fiscal, há melhora na percepção dos agentes, embora a trajetória da dívida pública siga como ponto de atenção.
Já nas contas externas, o déficit em transações correntes permanece relativamente estável, com melhora na balança comercial puxada pelas exportações.
Por outro lado, o déficit em serviços continua pressionado, refletindo gastos crescentes com tecnologia, comunicação e armazenamento de dados.
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