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POLÍTICA MONETÁRIA

Mercado aposta em corte da Selic, mas pode dar com a cara na porta: “Não há sinalização” para agosto, diz Galípolo

Presidente do Banco Central afirma que decisão do Copom dependerá dos dados dos próximos 40 dias, reconhece ruído na comunicação; analista vê números com bons olhos

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de audiência pública, promovida pela Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo - Imagem: Agência Brasil

As apostas de um corte da taxa Selic ganharam força após a divulgação de um relatório de inflação mais comportado em junho. Ainda assim, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tratou de esfriar as expectativas nesta quinta-feira (25), ao afirmar que o Comitê de Política Monetária (Copom) ainda não deu qualquer indicação sobre a decisão da próxima reunião.

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Durante a apresentação do Relatório de Política Monetária (RPM), em Brasília, Galípolo disse que "não tem nenhum tipo de sinalização sobre os próximos passos" e reforçou que a decisão de agosto será baseada nas informações que forem divulgadas ao longo dos próximos 40 dias.

A fala ocorre em um momento em que o mercado passou a precificar uma probabilidade maior de redução dos juros após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de junho subir 0,41%, abaixo da expectativa de 0,44%. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 4,80%.

Mercado vê dados com bons olhos

Segundo Laís Costa, analista da Empiricus Research, o resultado foi positivo não apenas pelo número cheio, mas também pela composição do índice.

"O headline veio abaixo da mediana das expectativas e o qualitativo também foi melhor. Quando você olha a média dos núcleos, dá para dizer que teve um comportamento mais construtivo", afirmou, em entrevista ao Money Times.

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Para a analista, a melhora dos núcleos de inflação contribuiu para a reprecificação da curva de juros e aumentou a probabilidade de um corte já na próxima reunião do Copom.

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"Houve um aumento da probabilidade de corte já na próxima reunião. O Banco Central está disposto a cortar. Ele quer cortar e vai cortar", disse.

Alívio da pressão sobre o Fed

O cenário externo também favoreceu esse movimento.

Nos Estados Unidos, o Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE) subiu 0,4% em maio, abaixo das expectativas, reduzindo a pressão sobre o Federal Reserve (Fed) e abrindo espaço para um ambiente de juros mais baixos também em economias emergentes.

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"A curva de juros lá fora puxa para baixo, e isso ajuda muito. O Brasil não negocia em isolamento", afirmou Laís.

Galípolo rejeita pressão por guidance

Apesar da melhora dos indicadores de inflação, Galípolo reforçou que o Banco Central não pretende antecipar os próximos movimentos da política monetária.

Segundo ele, existe uma diferença entre tornar a comunicação mais clara e indicar previamente qual será a decisão do Copom.

"Você pode ser mais claro no comunicado sem precisar comunicar o que você vai fazer", afirmou.

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O presidente do BC explicou que parte das críticas decorre de um ambiente de elevada incerteza, no qual o mercado busca algum tipo de guidance. Para ele, porém, essa estratégia não é adotada pelos principais bancos centrais e pode reduzir a eficácia da política monetária.

"O mercado está no direito de pedir essa informação, e o BC vai preservar o seu direito de não dar essa informação quando ele achar que não interessa", disse.

Galípolo também reconheceu que houve um problema de comunicação após a reunião de junho do Copom, mas afirmou que o excesso — e não a falta — de informações foi o responsável pelo ruído.

"A responsabilidade, se o parágrafo não conseguiu transmitir aquilo que queríamos em um espaço conciso, é absolutamente minha", afirmou.

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Segundo ele, uma alternativa é manter os comunicados mais enxutos e deixar explicações adicionais para a ata da reunião.

Balanço de riscos e cenário econômico

Galípolo voltou a comentar a discussão sobre o balanço de riscos para a inflação. Ele afirmou que o fato de o comunicado da última decisão não ter classificado o cenário como assimétrico para cima ocorreu porque o Copom considerou essa conclusão "óbvia", já que havia quatro riscos altistas e três baixistas.

Ao mesmo tempo, ressaltou que a avaliação do balanço não decorre de uma simples contagem de riscos.

"Não há essa relação mecânica do balanço de riscos, de você fazer uma contagem ou dar uma nomenclatura, e disso tirar qualquer tipo de relação mecânica com a decisão."

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O presidente do BC também afirmou que os cenários analisados pelo Copom contemplavam diferentes possibilidades de pausa e retomada dos cortes da Selic, no chamado modelo de "stop-and-go", em que uma interrupção do ciclo não significa necessariamente seu encerramento.

Segundo ele, as projeções também incorporam gradualmente os impactos das medidas fiscais e de crédito do governo sobre a inflação.

Relatório mantém cautela

Apesar da melhora recente dos indicadores, o Relatório de Política Monetária manteve um tom cauteloso.

O Banco Central elevou para 79% a probabilidade de estouro do teto da meta de inflação e revisou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2%.

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Na avaliação de Laís Costa, esse conjunto de informações mostra que a autoridade monetária está reagindo de forma mais sensível ao comportamento da atividade econômica do que à inflação.

"O que parece é que temos uma função de reação muito mais sensível à atividade do que à inflação", afirmou.

Segundo a analista, embora os dados recentes tenham melhorado, o horizonte mais longo ainda inspira cautela.

"Embora o dado recente tenha sido melhor, quando ampliamos o horizonte, ainda vemos um viés mais altista para a inflação."

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Ela acrescenta que a projeção de inflação permanece em 5,6%, ainda distante da meta, enquanto a atividade econômica segue resiliente, um fator que dificulta a convergência dos preços.

Galípolo descarta influência das eleições

Questionado sobre eventual influência do calendário eleitoral nas decisões do Copom, Galípolo descartou essa possibilidade.

"Para qualquer um que está no mercado, não cola", afirmou. Segundo ele, os efeitos da política monetária aparecem apenas no médio e longo prazo, tornando inviável qualquer impacto relevante sobre as eleições.

O presidente do BC também evitou comentar possíveis indicações para as vagas abertas na diretoria da instituição, afirmando que a prerrogativa é do presidente da República.

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Sobre a vacância na Diretoria de Política Econômica, disse que é importante contar com todos os nove diretores, mas elogiou o trabalho de Paulo Picchetti, que acumula temporariamente a função.

"Eu também dei uma sorte enorme de ser contemporâneo de diretores como o Paulo, que vale por milhares. O Paulo está desempenhando uma função com maestria de acumular as duas diretorias."

*Com informações do Estadão Conteúdo e do Money Times

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