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A peça de meia tonelada que mudou o alvo dos ladrões de carros

O aumento dos roubos de carros elétricos foca nas baterias de alta tensão, impulsionando o mercado ilegal e elevando custos de seguro no Brasil.

carros elétricos
Carga de carro elétrico, eletroposto - Imagem: iStock.com/3alexd

O baixo custo de recarga, o impacto ambiental reduzido, a isenção do rodízio e os benefícios fiscais oferecidos em algumas regiões fazem dos carros elétricos uma opção atraente para muitos motoristas. No entanto, o aumento da venda desses automóveis tem um lado negativo: o aumento dos roubos e furtos de automóveis eletrificados.

A ação dos criminosos alimenta o mercado ilegal de peças com um item essencial, e também o mais caro, desses veículos: as baterias de alta tensão.

Pesando cerca de meia tonelada, as baterias de alta tensão estão sendo cada vez mais comercializadas em marketplaces online. Conforme apuração do UOL Carros, as peças são anunciadas por cerca de 80% do valor de tabela, sem nenhuma informação sobre sua procedência.

Essa demanda já aparece em dados. Segundo levantamento da Ituran Brasil, baseado em estatísticas oficiais, o estado de São Paulo registrou 107 ocorrências contra carros elétricos e híbridos entre janeiro e maio de 2026.

O volume representa uma alta de 101% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 53 casos, superando o ritmo de expansão de 71% da própria frota dos carros elétricos no Brasil, segundo Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

Bateria de alta tensão: o principal interesse

Não é só na capital paulista onde cresce o número de roubos de carros elétricos.

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No Rio de Janeiro, o o Sindicato das Empresas de Seguros Privados, de Resseguros e de Capitalização dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Sindseg) aponta que a frequência de roubo e furto de elétricos e híbridos plug-in chegou a 3,85% da frota segurada, ante 2,17% entre os carros a combustão, indicando que as versões elétricas se tornaram os alvos mais frequentes desse tipo de crime.

O abastecimento do mercado ilegal de peças com baterias de alta tensão ocorre devido ao elevado custo de reposição desse componente, que pode equivaler ao preço de quase um carro elétrico zero-quilômetro.

No BYD Dolphin, por exemplo, a troca da bateria de 44,9 kWh custa acima de R$ 70 mil, aproximadamente metade do valor do carro, que é de R$ 150 mil. Já as baterias clandestinas são anunciadas online entre R$ 17 mil a R$ 35 mil.

Diante desse cenário, as seguradoras estão elevando o preço das apólices de veículos eletrificados em ritmo superior ao observado entre os carros a combustão, como mostra um levantamento da Creditas Seguros realizado em 11 capitais brasileiras.

Como o roubo da bateria é feito

Os criminosos não retiram a bateria do carro estacionado na rua, como circula nas redes sociais.

Pesando meia tonelada e operando em alta tensão, o componente fica integrado à estrutura do veículo, o que exige equipamentos especializados, mão de obra qualificada e procedimentos de segurança rigorosos para sua remoção.

Por isso, o veículo é roubado e levado para galpões clandestinos, onde a desmontagem ocorre devagar e com estrutura adequada. Em alguns casos, os criminosos chegam a utilizar ligações irregulares de energia para recarregar carros com bateria baixa antes do desmonte.

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*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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