Balneário Camboriú ficou para trás? Esta ‘fórmula’ levou Vitória ao metro quadrado mais caro do Brasil — valor supera R$ 15 mil
A cidade do Espírito Santo registrou uma valorização de mais de 9% no preço por metro quadrado nos últimos 12 meses; entenda o que aconteceu

Algum cantor já pode se preparar para criar uma música chiclete em homenagem à cidade de Vitória, no Espírito Santo. A capital capixaba desbancou a inspiração do hit “Descer pra BC” — Balneário Camboriú, em Santa Catarina, caso não pegue a referência — no posto de metro quadrado mais caro do Brasil.
Esse título já vinha sendo disputado por duas cidades catarinenses há alguns meses: Balneário Camboriú e a vizinha Itapema.
Mas de acordo com o Índice FipeZAP de julho, divulgado nesta semana, Vitória superou as duas concorrentes com um preço médio por metro quadrado nas vendas residenciais de R$ 15.448.
Esse valor é bem superior ao de outras capitais brasileiras gigantes, como São Paulo, que tem preço de R$ 12.099 e ocupa a sétima posição do ranking. O Rio de Janeiro também fica para trás, no décimo lugar com R$ 10.676 por metro quadrado.
De primeira, parece até contraintuitivo a cidade de Vitória ter o metro quadrado mais caro do Brasil.
Com cerca de 320 mil habitantes, a capital tem menos moradores do que muita cidade de interior. Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, por exemplo, tem 700 mil pessoas. Londrina, no Paraná, chega a 550 mil.
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Trata-se inclusive de uma capital com uma impressão bastante interiorana. Para se ter ideia, uma pesquisa rápida no Google com as palavras “Vitória Espírito Santo” tem como primeiro resultado uma sequência de imagens de igrejas, que representam a herança religiosa da cidade:

Mas, afinal, o que então explica o metro quadrado mais caro do Brasil?
Movimento de alta não começou neste mês
Nos últimos 12 meses, o preço médio do metro quadrado em Vitória saltou 9,41%, segundo a pesquisa realizada mensalmente pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o Grupo OLX.
Mariangela Silva, economista do Grupo OLX, explica que o patamar de valor recente da capital do Espírito Santo não é um movimento pontual. Segundo a especialista, a valorização é resultado de um ciclo iniciado em 2024.
“A partir de 2024, os preços em Vitória aceleraram de forma consistente e atingiram um pico próximo de 25% em 2025. Embora a alta tenha sido acomodada em 2026, Vitória ainda acumula valorização acima da média nacional”, diz.
Entre as capitais, o percentual de alta do preço médio em Vitória só ficou atrás de Salvador, na Bahia (11,27%), Manaus, no Amazonas (+10,64%), e Fortaleza, no Ceará (+9,71%).
A média de aumento de preços no Brasil foi 5,46%, com preço por metro quadrado a R$ 9.900.
Geografia é parte da explicação
Um dos motivos por trás do preço por metro quadrado mais caro do Brasil em Vitória é a geografia da cidade.
Vitória é uma ilha e possui a menor área entre todas as capitais do país. A extensão territorial é de 97 quilômetros quadrados, o que significa que caberiam 600 dela dentro de São Paulo.
Coincidentemente, a geografia é um motivo comum no preço por metro quadrado de Balneário Camboriú, Itapema e Vitória. Nas três cidades, há uma escassez de terrenos, o que encarece os imóveis.
A cidade de Vitória, que já é pequena, tem regiões destinadas à preservação ambiental, além de áreas de infraestrutura portuária e de aeroportos. Segundo o Plano Diretor divulgado pela prefeitura, os espaços não edificantes — ou seja, que não podem ter construção — têm 40 quilômetros quadrados.
‘Boom’ de imóveis mais caros
Mas outro ponto semelhante nas três cidades com metro quadrado mais caro do Brasil é o número elevado de imóveis de alto padrão.
“Nos últimos anos, Vitória passou a receber um volume maior de empreendimentos com tickets mais elevados, concentrados em bairros consolidados e de alto valor agregado, como Jardim Camburi, Enseada do Suá, Praia do Canto e seu entorno”, explica Silva.
A economista afirma que as novas ofertas de imóveis são compostas principalmente por estúdios e apartamentos de dois a quatro dormitórios, voltados aos segmentos de médio e alto padrão.
Esses imóveis impulsionam o preço médio dos lançamentos e, consequentemente, influenciam a valorização na cidade.
“A combinação entre a oferta restrita de terrenos, a concentração dos lançamentos em regiões valorizadas, o aumento da participação de produtos de maior valor agregado e uma demanda crescente por imóveis qualificados têm consolidado Vitória como um dos mercados residenciais de maior destaque no país”, afirma a economista do Grupo OLX.
Outra cidade do Espírito Santo no top 10
Além de Vitória, quem aparece entre as dez cidades com metro quadrado mais caro do país é Vila Velha, também no Espírito Santo.
A cidade está na nona posição, com um valor de R$ 11.341 de um aumento de 15,57% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
A uma distância de 20 minutos de carro da capital, os motivos da valorização de Vila Velha estão muito atrelados aos fatores de Vitória.
A cidade tem mais que o dobro do tamanho de Vitória e uma população maior, mas por também ser litorânea, acaba sofrendo com a escassez de terrenos e tem vivenciado um momento de crescimento imobiliário.
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