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A dupla juros e inflação marcarão presença tanto por aqui como nos EUA, e podem dar pistas sobre a trajetória da política monetária até o final do ano

A política monetária vai continuar sendo o farol dos investidores na semana que começa. Depois do corte da Selic para 14% na última quarta-feira (5) e da divulgação de dados de emprego fundamentais para decidir os juros nos EUA na sexta-feira (7), o mercado vai olhar para a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e para os números da inflação norte-americana.
A expectativa é que tanto a ata como o comportamento dos preços nos EUA ajudem a definir a trajetória dos juros tanto aqui como lá até o final do ano — o que pode pesar nas bolsas, que já não tiveram um desempenho estelar na semana que passou.
O Ibovespa encerrou a última sessão da semana em forte queda, de 1,7%, acumulando queda de 3% nos primeiros cinco dias de agosto.
A queda da sexta-feira (7) foi generalizada, com destaque para as ações da Petrobras (PETR4). O diretor Financeiro da companhia, Fernando Melgarejo, disse que a estatal não deve distribuir dividendos extraordinários neste ano. O Seu Dinheiro detalhou essa história e você pode conferir aqui.
Lá fora, o S&P 500, o Nasdaq e o Dow Jones terminaram a sexta-feira (7) em alta, já que os traders interpretaram a perda inesperada de empregos em julho como significando que o Federal Reserve (Fed) não precisará aumentar os juros em breve.
Na última semana de julho, o banco central norte-americano manteve a taxa referencial inalterada na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, e deu sinais mistos sobre o que poderia acontecer daqui até o final do ano.
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A agenda doméstica estará concentrada entre a terça (11) e a quinta-feira (12), trazendo um raio-x completo do equilíbrio entre inflação e atividade econômica.
Na terça, a ata do Copom deve detalhar os bastidores por trás da decisão recente de cortar a Selic para 14% ao ano. O mercado buscará entrelinhas que sinalizem a magnitude e o ritmo dos próximos passos dos juros.
No mesmo dia, o IPCA, índice oficial de preços no Brasil, deve jogar ainda mais luz sobre a trajetória da Selic. A expectativa da equipe econômica do Bradesco é de um índice próximo da estabilidade frente ao mês anterior, impulsionado pela queda nos preços dos alimentos e pelo alívio nos núcleos de inflação (itens menos voláteis).
Dados de atividade econômica serão divulgados na quarta (12) e na quinta-feira (13). A pesquisa mensal de serviços (PMS) e as vendas no varejo (PMC) referentes a junho devem confirmar uma economia mais enfraquecida no encerramento do segundo trimestre, segundo o Bradesco.
Nos EUA, o mercado tenta juntar as peças do quebra-cabeça: com o fechamento imprevisto de 23 mil vagas de trabalho em julho, a economia norte-americana está perdendo força mais rápido do que o esperado? Os dados de inflação desta semana trarão a resposta para o Fed.
Na agenda de quarta (12) e quinta-feira (13), os índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) medirão a pressão inflacionária norte-americana e darão uma prévia valiosa do PCE — o indicador de inflação preferido do banco central dos EUA para calibrar os juros.
Na sexta-feira (14), as vendas no varejo de julho revelarão se o consumidor norte-americano, pilar fundamental da maior economia do mundo, continua gastando ou se já começou a pisar no freio diante da fragilidade do mercado de trabalho.
Enquanto zona do euro e China prometem uma semana de agenda esvaziada, a América Latina apresenta acontecimentos específicos que devem ser monitorados pelos investidores.
A atenção estará voltada para a produção industrial de junho do México, na terça-feira (11). Indicadores antecedentes apontam para uma contração de 1,4% no setor manufatureiro na comparação com o mês anterior.
No Chile, o foco estará na decisão do Tribunal Constitucional sobre o decreto de invariabilidade tributária para grandes projetos de investimento, mecanismo que a reforma recém-aprovada no país busca instituir.
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