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ALÉM DO DISCURSO

93% das mulheres em cargos de liderança dizem que homens podem contribuir mais para a igualdade no trabalho; veja quais são as atitudes indicadas

Levantamento com líderes femininas mostra que apenas 45% acreditam que homens já ajudam de alguma forma

Grande maioria das mulheres em cargos de liderança diz que homens podem contribuir maisImagem: iStock

A construção de ambientes de trabalho mais igualitários ainda depende de um maior engajamento masculino, na avaliação de mulheres que ocupam posições de liderança. Uma pesquisa mostra que 93% delas acreditam que os homens podem contribuir mais para reduzir a desigualdade de gênero no ambiente corporativo.

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O dado faz parte do levantamento “Alianças masculinas e a liderança das mulheres: além do discurso”, realizado pela Todas Group em parceria com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, que 1,534 mulheres em cargos de liderança para entender como elas percebem o papel dos homens na promoção da equidade de gênero nas empresas.

Segundo o levantamento, 73% avaliam que os homens poderiam ajudar muito mais, enquanto 20% dizem que poderiam colaborar um pouco mais. Apenas 4% consideram que eles já fazem o suficiente, e o restante não soube ou preferiu não opinar.

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A percepção de que o apoio masculino ainda pode crescer é quase unânime em alguns grupos. Entre mulheres que se identificam como indígenas ou amarelas, 98% defendem maior engajamento dos homens. O índice também é elevado entre profissionais da área de marketing (97%) e diretoras ou heads de área (96%).

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Segundo Dhafyni Mendes, cofundadora da Todas Group, os resultados indicam que a equidade de gênero ainda não é tratada como uma responsabilidade compartilhada dentro das organizações.

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“Os dados revelam uma realidade que precisa ser repensada. Quase a totalidade de mulheres em cargos de liderança, inclusive de grupos minorizados, pedem maior colaboração. Metade delas percebe que muitos homens acreditam que já existe uma paridade que, na prática, não ocorre, ou enxergam o tema como exagero”, afirma.

Para ela, o debate sobre liderança feminina vai além de uma pauta restrita às mulheres. “É um tema estratégico, já que inúmeros estudos mostram que o equilíbrio de gênero em cargos de decisão melhora os níveis de bem-estar organizacional, inclusive para homens.”

Menos da metade acredita que os homens já contribuem de alguma forma

Apesar da avaliação de que os homens poderiam participar mais ativamente na promoção da igualdade, 69% das entrevistadas afirmaram já ter recebido oportunidades profissionais de homens que impactaram positivamente suas carreiras.

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Para Mendes, a presença histórica de homens em posições de comando ajuda a explicar parte desse cenário.

“Ainda temos um ambiente de trabalho no país e no mundo em que mais homens do que mulheres ocupam posições de liderança. Por isso, é esperado que muitas entrevistadas tenham tido chefes que ofereceram oportunidades de aprendizado e crescimento”, afirma.

De acordo com a pesquisa, 69% das mulheres afirmam que há mais homens do que mulheres em cargos de liderança onde trabalham — sendo 46% muito mais e 23% um pouco mais.

Mesmo assim, quando questionadas sobre a contribuição masculina para combater o preconceito de gênero nas empresas, menos da metade (45%) considera que os homens já ajudam de alguma forma. Dentro desse grupo, 14% acreditam que contribuem muito e 31% dizem que ajudam um pouco.

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Segundo ela, a tendência é que o tema ganhe cada vez mais espaço nas organizações.

“Cada vez mais temos homens que entendem sua responsabilidade como liderança e os benefícios para a organização com o crescimento de mulheres no ambiente de trabalho”, diz.

As atitudes que as mulheres esperam dos homens

A pesquisa também procurou identificar quais atitudes masculinas seriam mais importantes para fortalecer a igualdade no ambiente corporativo.

A ação mais citada foi interromper comentários ou comportamentos machistas de outros homens, mencionada por 56% das entrevistadas.

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Em seguida aparecem duas atitudes com o mesmo nível de importância:

  • respeitar o tempo de fala das mulheres sem interromper (48%);
  • dar crédito e visibilidade às ideias apresentadas por mulheres em reuniões (48%).

Outras medidas consideradas relevantes incluem:

  • mentorar e indicar mulheres para cargos e promoções (34%);
  • buscar informação e se educar sobre o tema do preconceito de gênero (32%);
  • dividir tarefas administrativas consideradas “invisíveis”, como organizar eventos ou reuniões (29%);
  • defender ativamente a licença-paternidade e a divisão do cuidado com os filhos (25%);
  • recusar participação em reuniões ou painéis formados apenas por homens (19%).

As entrevistadas podiam selecionar até três respostas.

Episódios de preconceito ainda são pouco contestados

A pesquisa também mostra que muitas mulheres ainda enfrentam situações de preconceito sem receber apoio direto de colegas homens.

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Apenas 35% afirmaram que já foram defendidas por um homem em episódios de discriminação de gênero no trabalho. Por outro lado, 52% disseram que nunca passaram por esse tipo de apoio, enquanto 13% não souberam opinar.

Segundo Ana Lemos, gerente de pesquisas da Nexus, esse cenário também se reflete em experiências cotidianas relatadas pelas entrevistadas.

“As necessidades apontadas pelas mulheres no ambiente corporativo dialogam com outro dado da pesquisa: 83% já sentiram que precisaram explicar algo óbvio para um homem que duvidou de sua competência”, afirma.

Por que os homens ainda contribuem pouco?

Na avaliação das entrevistadas, um dos principais fatores que explicam a participação limitada dos homens na promoção da igualdade é a falta de percepção sobre o problema.

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Para 51% das mulheres, muitos homens acreditam que já existe igualdade de gênero no ambiente corporativo. Outros 45% afirmam que eles veem o tema como exagero ou “mimimi”.

Também aparecem entre os motivos:

  • medo de perder privilégios ou poder (35%);
  • falta de interesse real ou preguiça para se engajar (21%);
  • receio de julgamento por parte de outros homens (19%);
  • falta de conhecimento sobre como agir (15%);
  • ausência de incentivo na cultura empresarial para essa mudança (10%).
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