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ELEIÇÕES 2026

Lula x Flávio Bolsonaro: como a disputa presidencial e o nó fiscal vão ditar o rumo dos investimentos

As eleições movimentam o mercado, mas o ajuste fiscal é o real divisor de águas da corrida presidencial; entenda como proteger seu patrimônio neste cenário

Montagem traz uma imagem de gráfico de ações ao fundo e uma urna eletrônica no centro eleições 2026
Imagem: Montagem Seu Dinheiro\Canva Pro

As campanhas eleitorais começaram oficialmente e, com elas, a volatilidade tomou conta do mercado financeiro brasileiro. Discursos sobre metas de gastos e oscilações nas pesquisas de intenção de voto costumam testar os nervos dos investidores. Mas como exatamente a corrida presidencial impacta o seu bolso — e o que precisa acontecer para que o mercado engate uma melhora sustentável? 

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As eleições e as finanças públicas caminham de mãos dadas neste período. Segundo o analista da Empiricus Research, Matheus Spiess, o grande vetor de preocupação para os ativos brasileiros é a questão fiscal. 

"O início de uma campanha eleitoral é, historicamente, muito estressante para o mercado brasileiro. [...] O eixo de transmissão para os ativos financeiros é o fiscal. O estresse fiscal é realmente central, porque a gente sabe que estamos em meio a uma insustentabilidade dos gastos públicos", afirma. 

O que é preciso para o mercado melhorar e quais são os riscos 

Para que haja uma reprecificação positiva dos ativos brasileiros — com queda do dólar, alta da bolsa e recuo dos juros —, Spiess diz que o mercado necessita de uma sinalização clara e crível de ajuste fiscal a partir de 2027, independentemente de quem ocupe a Presidência. 

Atualmente, embora o país não enfrente uma crise imediata de financiamento, a combinação de déficit primário, taxa Selic elevada e trajetória ascendente da dívida pública mantém um prêmio de risco salgado sobre a economia.  

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Segundo o analista, um programa focado no controle rigoroso das despesas públicas reduziria o prêmio de risco-país, abrindo espaço para o Banco Central cortar juros, atualmente em 14% ao ano, e aliviar o custo do crédito em toda a economia. 

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Por outro lado, os riscos para os investimentos dividem-se em frentes fiscais e estruturais.  

O descumprimento de metas fiscais ou a expansão descontrolada de gastos provocam desancoragem da inflação, fuga de capital estrangeiro e necessidade de juros altos por mais tempo.  

Aliás, essa incerteza já levou casas de análise internacionais a tiraram o Brasil da posição de compra, gerando saída recorde de investidores estrangeiros. 

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"Os estímulos fiscais do governo funcionaram como esteroides para a economia, só que esses esteroides têm validade", diz Spiess.  

Com a perda do efeito dessas medidas e a manutenção do aperto monetário, o analista chama atenção para o fato de a economia já dar sinais de desaceleração. 

"Falamos muito do fiscal, que realmente é um problema estrutural que precisa ser resolvido no curto prazo, mas existem outras questões estruturais, como produtividade, ambiente de negócios, insegurança jurídica, que precisam ser sanadas de alguma forma e são tão importantes quanto o fiscal", afirma Spiess.  

Lula x Flávio Bolsonaro 

As pesquisas de intenção de voto mostram uma disputa aberta e polarizada. O cenário base aponta para um segundo turno entre o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e Flávio Bolsonaro (PL). 

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Apesar de Lula apresentar um leve favoritismo, a margem é frágil e, em alguns levantamentos, há empate técnico entre eles.  

"A campanha está aberta. Qualquer um dos dois ainda pode ganhar. É uma competição de rejeição e isso será utilizado pelos dois lados até o dia da eleição", afirma Spiess.  

Na avaliação do analista, Lula enfrenta o desgaste natural da gestão e os impactos da desaceleração econômica, enquanto Flávio pontua melhor nesta fase do que Jair Bolsonaro no início da campanha de 2022 — lembrando que as pesquisas da época tenderam a subestimar a força do eleitorado conservador nas urnas. 

As eleições 2026 vão mexer com o seu bolso: o recado oculto das campanhas eleitorais

Lula x Flávio: os planos de governo  

Um dos pontos centrais da campanha eleitoral gira em torno das propostas econômicas de cada candidato — e aqui Spiess chama atenção para as visões opostas sobre como conduzir o país a partir de 2027. 

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"As candidaturas que sabem que podem ir para o segundo turno precisam se debruçar sobre o fiscal, sobre o orçamento. Esse assunto é inevitável. O ajuste precisa acontecer em 2027, independente de quem esteja em Brasília", diz o analista.  

O plano de Lula, com mais de 80 páginas, mira na continuidade com aprimoramento, focando em conceitos mais abstratos como soberania.  

Embora não admita publicamente por perfil político, um dos nomes favoritos para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual segundo mandato do petista é Bruno Moretti (atual ministro do Planejamento), que tem defendido a reformulação e o aprimoramento do arcabouço fiscal. 

Contudo, Spiess traz um alerta histórico: "no segundo mandato de Dilma Rousseff, tentou-se um ajuste fiscal via Joaquim Levy, mas a falta de convicção e a sabotagem do próprio PT fizeram o ministro abandonar o cargo em menos de um ano".  

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A dúvida do mercado, segundo o analista, é se Lula fará um ajuste com convicção ou se fará apenas um arranjo, jogando para 2030 o endereçamento da questão.  

Por sua vez, o plano de Flávio Bolsonaro, conduzido por nomes como Rogério Marinho e Daniela Marques, foca em princípios liberais e na individualidade, apresentando propostas vistas pelo mercado como mais fiscalistas e alternativas mais robustas ao atual arcabouço, segundo Spiess.  

Outros candidatos de oposição — como Ronaldo Caiado (PSDB), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) — apresentam propostas alinhadas à direita, focadas em responsabilidade fiscal, segurança pública e políticas pró-mercado. 

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O impacto da eleição nos investimentos 

Frente a tantas incertezas, a orientação central da Empiricus é não adivinhar quem será o vencedor das urnas — a tentativa de cravar um resultado eleitoral é um jogo de azar para os investimentos.  

A estratégia mais prudente para o investidor pessoa física é construir uma carteira antifrágil — balanceada e diversificada —, capaz de proteger o patrimônio na tempestade e capturar os ganhos caso o país encontre o caminho da responsabilidade fiscal. Você pode conferir na íntegra os cenários analisados pela Empiricus e onde investir.

Do ponto de vista de alocação de investimentos, a Empiricus divide os setores estratégicos conforme o desfecho fiscal, ou seja, a casa de análise traçou cenários com e sem o acerto das contas públicas.  

Em caso de ajuste fiscal, o cenário favorável para ações de setores domésticos sensíveis à queda dos juros (varejo, construção, consumo) e títulos públicos prefixados ou IPCA+ de longo prazo, impulsionados pelo rali dos ativos locais. 

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"Se houver um ajuste fiscal, a gente tem muito a ganhar", diz Spiess, lembrando que, neste caso, a bolsa sobe, o dólar recua, os juros caem e o risco-país despenca. 

Sem ajuste fiscal, o cenário que exige preservação de capital. A recomendação da Empiricus é reduzir a exposição ao risco Brasil por meio de ativos internacionais, proteção cambial (dólar), ouro, crédito privado de emissores resilientes e instrumentos de proteção (hedge) contra a queda da bolsa e abertura da curva de juros. 

"Se não houver, a gente tem muito a perder. A bolsa cai, o dólar sobe e os juros também sobem", afirma Spiess.

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