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Petrobras (PETR4) cai quase 8% e limita alta do Ibovespa, que avança 1,95% aos 191.942 pontos; dólar recua 1,66%, a R$ 5,0696; veja os destaques dos mercados hoje
Nos últimos 39 dias de guerra entre os Estados Unidos e o Irã, qualquer sinal de paz entre os países era o bastante para contaminar os mercados com alívio — e fortes altas. Agora, o gatilho é mais robusto, com o anúncio de um cessar-fogo temporário feito pelo presidente Donald Trump na noite de ontem (7).
O acordo afasta, ao menos por ora, o risco de um bombardeio militar de grandes proporções na região. Ele foi costurado após uma rodada acelerada de esforços diplomáticos liderados pelo Paquistão e a poucas horas do prazo imposto pelo chefe da Casa Branca para “aniquilar toda a civilização iraniana”.
Um dos principais pontos do cessar-fogo foi a exigência norte-americana de reabertura do Estreito de Ormuz, rota vital para o petróleo no mundo inteiro. O país persa reativar a passagem, mas ainda controla de perto as embarcações. Segundo um levantamento do Euronews, existem mil navios na fila esperando pela autorização da marinha iraniana, que ameaça destruir quem tentar passar sem isso.
Assim, as bolsas do mundo inteiro avançam com força nesta quarta-feira (8), enquanto os preços do petróleo — o ativo mais sensível ao conflito — despencam.
Por volta das 10h20, os contratos futuros mais líquidos do Brent, referência internacional, derretiam quase 18%, com o barril negociado a US$ 91,18. Já o óleo cru (WTI), padrão nos EUA, desabava 19,39%, a US$ 94.
Por aqui, o Ibovespa chegou a abrir com alta próxima de 3%, mas perdeu força ao longo da manhã, pressionado pelo tombo de quase 8% das ações da Petrobras (PETR4), um dos papéis de maior peso no índice. Por volta das 10h20, o principal termômetro da bolsa brasileira avançava 1,95%, aos 191.942 pontos.
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O dólar à vista, por sua, vez, caía 1,66% no mesmo horário, a R$ 5,0696. Já o DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, tinha recuo de 1,27%, aos 98,587 pontos.
Na abertura das negociações em Wall Street, o Nasdaq liderava as altas, com salto de quase 3,5%, enquanto o Dow Jones sobia cerca de 2,9%, com ganho superior a 1.300 pontos, e o S&P 500 avança 2,5%.
A Europa também tem fortes altas. O índice Stoxx 600, que reúne ações de toda a Europa, subia 4,39%, enquanto o DAX, principal índice da Alemanha, avançava 5,28%. Em Londres, o FTSE 100, referência do Reino Unido, tinha alta de 3,13%, ao passo que o CAC 40, da França, liderava os ganhos entre os principais mercados, com salto de 4,88%.
O mercado asiático fechou a sessão de hoje com forte alta, com destaque para o índice sul-coreano Kospi, que avançou 6,87% em Seul, e o japonês Nikkei, que subiu 5,39% em Tóquio.
Por aqui, as ações das cíclicas domésticas são o destaque positivo, com alívio nos juros futuros em razão do cessar-fogo temporário. Veja as maiores altas do Ibovespa nesta manhã:
| Empresa | Preço | Variação |
|---|---|---|
| Localiza (RENT4) | 50,67 | +12,80% |
| Hapvida (HAPV3) | 11,54 | +12,48% |
| Multiplan (MULT3) | 34,99 | +9,48% |
| Cyrela PN (CYRE4) | 25,50 | +8,97% |
| Cyrela ON (CYRE3) | 27,90 | +8,64% |
Do lado negativo, as petroleiras derretem na bolsa diante da queda forte da commodity no mercado internacional.
| Empresa | Variação | Preço |
|---|---|---|
| PRIO (PRIO3) | -8,18% | 62,27 |
| Petrobras ON (PETR3) | -7,65% | 49,46 |
| Petrobras PN (PETR4) | -6,56% | 45,33 |
| PetroReconcavo (RECV3) | -4,89% | 13,41 |
| Brava Energia (BRAV3) | -4,18% | 20,40 |
Na avaliação de Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, a trégua anunciada por Donald Trump alivia a pressão no curto prazo sobre os ativos, mas não resolve o principal ponto de preocupação dos investidores: a dificuldade de prever os desdobramentos de uma negociação marcada por interesses estruturalmente divergentes.
"A suspensão temporária dos ataques foi vinculada à reabertura plena e segura do Estreito de Ormuz, enquanto o Irã tratou o recuo americano como validação da sua posição e passou a sustentar a negociação a partir de suas próprias exigências estratégicas. Em termos de mercado, isso significa que a trégua reduz o risco de cauda no curtíssimo prazo, mas não ancora a percepção de estabilidade", afirma Flôres.
Para Matheus Spiess, analista da Empiricus, o quadro ainda está longe de uma resolução definitiva. Ainda assim, o alívio pode fazer com que haja uma normalização gradual do mercado, o que pode ser benefício para ativos globais.
"Permanecem dúvidas relevantes quanto à sua durabilidade, ao grau de concessão efetivamente feito por cada uma das partes e, sobretudo, a questões centrais como a segurança da navegação em Ormuz, a eventual cobrança de taxas e os termos de uma possível reintegração do Irã à economia global", diz o analista.
Outro ponto que Spiess levanta é que seguem em aberto perguntas sensíveis sobre garantias contra novos ataques, reconstrução da infraestrutura atingida e os limites do programa nuclear iraniano.
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