Usiminas (USIM5) tem uma das maiores baixas do Ibovespa com balanço aquém do esperado; o que pesou nos números do 3T26?
A siderúrgica até conseguiu reverter um prejuízo bilionário no 3T26 mas as perspectivas acendem o alerta do mercado

A Usiminas (USIM5) até conseguiu reverter um prejuízo bilionário no terceiro trimestre de 2026, mas as perspectivas para os próximos trimestres já acendem o alerta do mercado.
Em reação a um balanço lido como fraco por analistas e sinais de mais pressão operacional nos próximos meses, as ações da siderúrgica figuram entre as maiores quedas do Ibovespa nesta sexta-feira (30).
No terceiro trimestre, a companhia registrou lucro líquido de R$ 243 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 3,5 bilhões apurado um ano antes. Ainda assim, o desempenho ficou abaixo das expectativas do mercado. O consenso da Bloomberg previa lucro de R$ 280 milhões.
Por volta das 12h05 (horário de Brasília), os papéis caíam 3,47%, a R$ 5,28, liderando as perdas do principal índice da bolsa brasileira.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia foi de R$ 558 milhões no período, um avanço de 29% na comparação anual. Já a margem Ebitda ajustada avançou 2 pontos percentuais na mesma base, a 9%.
A receita líquida da Usiminas encolheu 6% no ano, ficando em R$ 6,2 bilhões no terceiro trimestre de 2026.
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O que pesou sobre o balanço
Para o BTG Pactual, a Usiminas entregou um trimestre mais fraco do que o esperado. Entre os destaques, o Ebitda ajustado apresentou queda de 27% em relação ao trimestre anterior e cerca de 10% abaixo das projeções do banco.
Além do resultado abaixo do esperado, a administração indicou que os números devem permanecer pressionados nos próximos meses.
A empresa espera uma deterioração moderada dos números da divisão de aço no quarto trimestre, diante de um mix de vendas menos favorável e da persistência dos custos elevados.
Na mineração, o cenário também segue desafiador. A expectativa é de novas quedas nos volumes vendidos, em um ambiente marcado por fretes marítimos elevados e preços mais fracos para o minério de ferro.
Com esse pano de fundo, o BTG vê pouco espaço para uma recuperação dos resultados no curto prazo. O banco mantém recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 10.
A XP Investimentos vai por um caminho semelhante.
Segundo a corretora, o Ebitda da operação de siderurgia ficou abaixo tanto das estimativas da casa quanto das projeções conservadoras que a própria administração vinha sinalizando ao mercado. Embora o volume de vendas tenha avançado, o aumento dos custos mais do que anulou os ganhos operacionais.
Para a XP, os obstáculos permanecem relevantes: juros elevados, atividade doméstica mais fraca, pressão sobre os preços do aço e um ambiente menos favorável para o minério de ferro.
O que esperar daqui para frente?
Para o quarto trimestre, a Usiminas projeta uma alta das exportações de aço, compensando a queda sazonal das vendas no mercado interno.
À primeira vista, a notícia parece positiva. O problema é que a mudança tende a piorar o mix de vendas, reduzindo a receita líquida por tonelada comercializada.
Ao mesmo tempo, a companhia continua observando pressão sobre custos ligados a matérias-primas, energia e insumos industriais. Como consequência, a expectativa da própria empresa é de uma redução moderada dos resultados operacionais da divisão de siderurgia.
Na mineração, o quadro também inspira cautela. A empresa prevê menores vendas de minério de ferro diante do ambiente de preços internacionais mais fracos e dos custos elevados de frete marítimo.
Os três ventos contrários para a Usiminas
Na avaliação do Safra, há três fatores principais pesando sobre a tese da companhia neste momento: menores volumes e preços no mercado doméstico; custos mais altos, especialmente com carvão e coque; e deterioração do cenário para o minério de ferro.
Segundo o banco, o aumento projetado das exportações não deve compensar o impacto combinado de menores volumes e preços domésticos e dos custos mais elevados.
Além disso, os analistas chamam atenção para os efeitos da volatilidade cambial, que também podem gerar impactos negativos sobre os números da companhia.
O Safra também tem recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 8,30.
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