Casas Bahia (BHIA3) coloca aluguéis em dia, mas FII reduz projeção de dividendos; entenda o porquê
HSLG11 corta estimativa diante das incertezas sobre os próximos pagamentos; varejista representa quase um terço da receita do fundo

A conta da inadimplência da Casas Bahia (BHIA3) chegou para os cotistas do fundo imobiliário HSI Logística (HSLG11), mesmo depois de a varejista ter colocado em dia os aluguéis que estavam atrasados.
Em meio a uma disputa judicial que parece estar longe do fim, o FII decidiu reduzir sua projeção (guidance) de distribuição de rendimentos, apontando incertezas sobre a capacidade de pagamentos futuros da varejista, que atualmente encontra-se em recuperação judicial.
Em fato relevante divulgado ao mercado, o veículo informou que a estimativa de dividendos, anteriormente entre R$ 0,74 e R$ 0,76 por cota, passou para uma faixa de R$ 0,60 a R$ 0,65 por papel.
Considerando o ponto médio das duas projeções, a redução é de aproximadamente 17%, com a revisão válida já para os proventos referentes a outubro de 2026, que ainda não foram anunciados.
Segundo a HSI, gestora do HSLG11, a decisão tem caráter “conservador” e intenção de reforçar o resultado acumulado do fundo até que a situação envolvendo a inquilina se estabilize.
O que aconteceu?
Atualmente, a Casas Bahia ocupa dois galpões logísticos do portfólio do HSLG11. O primeiro fica localizado em Contagem, Minas Gerais, e o segundo em São José dos Pinhais, no estado do Paraná.
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Nesse contexto, a disputa entre a locatária e o locador começou com o atraso no pagamento dos dois aluguéis, referentes à competência de setembro, que venceram no último dia 7 de outubro.
Diante da inadimplência, que foi noticiada aqui no Seu Dinheiro, o fundo imobiliário entrou com ações de despejo contra a varejista.
Regularização dos débitos
A Casas Bahia, porém, começou a regularizar os débitos na metade do mês. Em 14 de outubro, pagou o aluguel referente ao galpão mineiro. Na ocasião, o valor foi de R$ 2,87 milhões, acrescido de R$ 57,5 mil em multas por atraso.
Já a pendência do imóvel paranaense foi resolvida na última quarta-feira (28), quando a companhia desembolsou R$ 1,43 milhão referente à competência de setembro, acrescido de R$ 142,9 mil em multas.
No entanto, mesmo com a quitação, as ações de despejo contra a empresa permanecem em andamento. Isso porque, segundo o HSLG11, os pagamentos ocorreram depois do ajuizamento dos processos e não caracterizam a chamada purgação da mora prevista em lei — ou seja, não neutraliza os efeitos da inadimplência.
Em outras palavras, isso significar dizer que colocar os aluguéis atrasados em dia não foi suficiente para encerrar as disputas judiciais.
Casas Bahia representa quase um terço da receita do HSLG11
A preocupação da gestão do HSLG11 também passa pelo peso da varejista dentro do portfólio. Atualmente, a Casas Bahia representa cerca de 30,7% da receita contratada do fundo, segundo o relatório gerencial mais recente.
Desse total, 27,4% correspondem à locação direta e 3,3% à receita proveniente de áreas sublocadas à companhia.

Embora a base de locatários tenha diversificação de setores, o HSLG11 ainda possui concentração relevante em varejo, com destaque também para o Mercado Livre (13,3%), Bemol (12,9%), Assaí (11,8%) e Comercial Esperança (7,7%).
Em um ambiente mais difícil para o setor, especialmente devido aos juros elevados, essa concentração vira um ponto de atenção.
Recuperação judicial da Casas Bahia
É importante ressaltar que a Casas Bahia anunciou em 16 de agosto o pedido de recuperação judicial, em conjunto com algumas subsidiárias.
À época, a empresa afirmou que a solicitação ocorreu em um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras, atribuindo a situação a, entre outros fatores, um ambiente marcado por taxas de juros altas.
No balanço do segundo trimestre deste ano (2T26), a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, valor aproximadamente 18 vezes superior ao resultado negativo de R$ 555 milhões apresentado no mesmo período de 2025.
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