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Trata-se de um retorno recorde para o título de 2029, que sugere uma reação negativa do mercado a uma nova proposta de gratuidade do transporte público pelo governo Lula
Se na faixa de 7% o juro real oferecido no Tesouro IPCA+ era considerado atrativo, nesta quinta-feira (2) o título público se superou. Em sua última atualização antes do fechamento do pregão, o Tesouro IPCA + 2029 oferecia uma rentabilidade de correção da inflação mais 8,01% ao ano de taxa prefixada.
Trata-se do maior retorno para o título deste vencimento desde o seu lançamento em 2023.
A taxa, entretanto, é histórica de modo geral. A última vez que um título público atrelada à inflação ultrapassou o nível de 8% de juro real foi no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, em meados de 2016, em meio a uma forte crise.
Na quarta-feira (1), o Tesouro IPCA + 2029 fechou com um juro real de 7,91%.
O movimento é reflexo da renovação da preocupação dos agentes financeiros com as contas públicas. Começou no mercado de juros reais e contaminou outros ativos. Juros futuros exibem alta firme, o Ibovespa cai mais de 1% e, no câmbio, o dólar sobe frente ao real.
Nada de isenção de imposto de renda. O estresse renovado dos agentes financeiros nesta quinta-feira é uma nova agenda do governo Lula.
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Investidores começam a colocar nos preços o risco crescente de um novo gasto público pelo governo federal: tarifas zero no transporte público. Analistas calculam que, se confirmada, a medida teria impacto fiscal superior a R$ 60 bilhões nas contas públicas.
Notícias recentes afirmam que o presidente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, preparam estudos para implementar e lançar ainda neste ano o programa de tarifa zero.
Segundo o Valor Econômico, a isenção nas tarifas de transporte público poderia diminuir o índice de inflação (IPCA) em até um ponto percentual.
Essa possibilidade muda a precificação das taxas e possíveis retornos dos títulos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+. Com isso, o mercado joga o prêmio de juro real para cima.
Além disso, o aumento da percepção de risco fiscal joga os juros futuros lá para cima, o que também puxa os juros prefixados dos títulos públicos, como o juro real do Tesouro IPCA+.
A alta acentuada ficou concentrada no Tesouro IPCA + 2029 e seus 8,01% de juro real. Demais títulos atrelados à inflação mantiveram taxas próximas aos valores anteriores:
O título mais longo, com vencimento em 2050, oferecia um prêmio ainda menor, de 6,99% ao ano.
Entre os papéis prefixados, os de curto prazo, com vencimento em 2028, pagavam 13,44%, taxa maior do que os 13,36% praticados no mercado na quarta-feira. Já os com vencimento em 2032 ofereciam 13,78%, também acima dos 13,65% da sessão anterior.
*Com informações do Valor Econômico.
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