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No final do ano passado, Mercedes presentou o pontífice com um Classe G adaptado com adaptações feita à mão

Levar um papa no meio da multidão com segurança é uma tarefa árdua: o Pontífice quer ser visto pela população e ao mesmo tempo precisa ser conduzido lentamente. Melhor ainda se for sem emissões poluentes.
O primeiro papa a usar um papamóvel foi Pio XI, em 1930, com um veículo adaptado da Mercedes-Benz.
E foi da própria montadora de Stuttgart que o papa Francisco recebeu, em dezembro passado, o primeiro papamóvel 100% elétrico. Veículo único, feito à mão e baseado no novo Classe G elétrico, ele atende a altos requisitos.

Projetado para o papa Francisco, o papamóvel foi concebido para permitir viagens locais sem emissões, a tempo de participar do Jubileu de 2025, evento que atrai milhões de peregrinos a Roma.
Por ser elétrico, o novo Classe G do papa, que serviu a Francisco e servirá ao próximo pontífice, está alinhado com os princípios da encíclica "Laudato Si'", que enfatiza a importância do desenvolvimento sustentável.

Uma equipe de especialistas de Graz (Áustria) e Roma colaborou por cerca de um ano no projeto, para combinar o sistema de transmissão elétrica, a produção da carroceria, acessórios internos e equipamentos personalizados com o artesanato tradicional.
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Da tradicional carroceria quadrada e três janelas laterais, o Classe G do pontífice foi transformado numa picape. O teto da coluna B (no centro do veículo) foi retirado e integrado à parede lateral, formando um segundo teto elevado.

Esse teto rígido separado (que pode ser retirado) proporciona proteção em caso de chuva. A porta traseira esquerda foi removida e reconstruída em estilo tradicional, soldada à carroceria. No lado direito, as dobradiças da porta traseira foram transferidas para o lado oposto.
Como outros papamóveis, o Classe G foi pintado com a clássica cor branca perolada.
O novo papamóvel foi baseado no modelo vendido como Mercedes G580 com Tecnologia EQ, lançado em 2024. Com um motor em cada roda, gera 587 cavalos de potência e impressionantes 118 kgfm de torque – para se ter ideia, um VW Polo Track 1.0 rende 84 cv e 10,3 kgfm de torque.
O conjunto de bateria de íon de lítio tem capacidade de 116 kWh, o que é suficiente para levar o papa por 470 km de autonomia por recarga completa. Numa estação rápida, o Classe G leva 32 minutos para chegar a 80% de carga.
De acordo com a Mercedes, o papamóvel foi adaptado para aproveitar ao máximo as vantagens dos quatro motores próximos às rodas, especialmente para viagens lentas em aparições públicas.
Por dentro, os revestimentos internos combinam acabamentos brancos e a parte acarpetada toda em vermelho.
O banco traseiro foi alterado para um assento único centralizado e ajustável em 40 centímetros, protegido por uma cúpula alta e transparente de vidro artificial. Além disso, foram adicionados dois assentos individuais laterais para passageiros.
Como surgiu o papamóvel
O termo "papamóvel" foi popularizado por João Paulo II durante visita à Irlanda em 1979. Antes, os papas utilizavam tronos portáteis (chamadas de sede gestatória, carregada por pessoas), carruagens ou carros de luxo para se deslocar.
A Mercedes-Benz produz veículos para o papa há quase 100 anos, começando com um Nürburg 460 Pullman Sedan para o papa Pio XI em 1930.
Na década de 1960, o papa João XXIII recebeu um Landaulet 300, e Paulo VI utilizou um Landaulet 600 Pullman, seguido por um 300 SEL.
João Paulo II, o primeiro a usar o nome “papamóvel”, com um modelo modificado da série 460, e depois em 2002 adotou um G 500 da série 463, que também foi usado por Bento XVI e Francisco.
Um antigo papamóvel Classe G utilizado pelo papa Francisco foi trazido para o Brasil em um avião da FAB em 2013. Durante visita do pontífice ao País, ele desfilou a bordo do Mercedes por várias cidades.
Modelos baseados no Classe M e no GLE também foram empregados. Após a aposentadoria, alguns papamóveis foram expostos no Vaticano e no Museu Mercedes-Benz em Stuttgart.
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