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Presidente defendeu em rede nacional uma proposta que visa o retorno dos dólares escondidos “no colchão” aos cofres argentinos, independentemente de sua origem

De modo geral, ninguém gosta de pagar imposto. Seja no Brasil ou no mundo. Porém, há um senso comum de que é necessário para financiar o Estado e os serviços públicos. Esse sempre foi o discurso de políticos — mas isso pode ter mudado na Argentina, com Javier Milei.
Em entrevista ao programa de TV "Otra Mañana", na segunda-feira (19), Milei afirmou que aqueles que pagam impostos falharam em "fugir do sistema" por falta de "talento ou coragem", e disse considerar o termo contribuinte "ofensivo".
O presidente defendeu sua visão afirmando que não pode punir quem conseguiu "contornar o sistema tributário", alegando que isso é uma habilidade, não um erro.
Milei comparou a atitude de um sonegador de impostos a alguém que conseguiu escapar de uma prisão erguida pelos políticos, pelo Estado, que ele chama de "ladrão" na entrevista.
O presidente ainda deixou claro que o governo argentino não pretende recompensar quem não se esquivou das suas obrigações tributárias.
“Eu tenho de recompensar aquele que ficou na prisão porque há alguém que conseguiu sair do cárcere que os políticos nos impõem? Talvez ele não tivesse talento ou coragem para sair do sistema. Se todos tivessem conseguido fazer a mesma coisa, talvez os políticos tivessem parado de nos roubar", afirmou no programa.
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As declarações vão contra o Estado argentino, do qual Milei é o maior representante.
Porém, as falas vão de encontro às correntes libertárias, com que o presidente já afirmou se identificar em outras ocasiões.
A participação do presidente libertário no programa televisivo foi para defender um futuro projeto governamental para permitir a entrada no sistema bancário de dólares que os argentinos mantêm "no colchão" (sem declarar).
Ele afirmou não se importar com a origem desse dinheiro, pois acredita que são mantidos fora do sistema justamente para escapar de impostos e controle estatal.
O projeto prevê que o novo mecanismo não exigirá questionamentos sobre a origem dos dólares, o que críticos apontam como um risco de legalização de dinheiro ilícito.
Milei rebateu, dizendo que questões econômicas devem ser tratadas economicamente, não por um ponto de vista jurídico.
A estimativa é que haja entre US$ 200 bilhões e US$ 400 bilhões fora do sistema bancário, um volume que o governo acredita ser capaz de ajudar a impulsionar a economia.
Milei enfatizou que não tem pressa para o anúncio oficial, que seu objetivo é liberar o projeto quando ele for "irreversível e efetivo".
*Com informações da Folha de S.Paulo.
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