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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

JÁ É RECORDE

Outra façanha de Trump: a maior paralisação da história dos EUA. Quais ações perdem e quais ganham com o shutdown?

Além da bolsa, analistas ouvidos pelo Seu Dinheiro explicam os efeitos da paralisação do governo norte-americano no câmbio

Carolina Gama
5 de novembro de 2025
7:01 - atualizado às 7:21
O presidente dos EUA, Donald Trump, parado em frente a um púlpito
O presidente dos EUA, Donald Trump - Imagem: Shealah Craighead/Casa Branca

Não deu para Barack Obama e muito menos para Bill Clinton. Foi Donald Trump que quebrou mais um recorde — daqueles que nenhum presidente gostaria de ter no currículo: o maior shutdown da história dos EUA. Nesta quarta-feira (5), o governo norte-americano completa 36 dias de paralisação em meio a troca de acusações entre republicanos e democratas sobre o impasse. 

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Os prejuízos estão sendo empilhados: funcionários federais estão sem salário, a economia opera às cegas, com a divulgação limitada de dados, e a assistência alimentar aos mais pobres foi interrompida pela primeira vez. Mas a bolsa de Nova York não sente o golpe.

Desde que o governo ficou sem autorização para continuar gastando, o S&P 500 acumula alta de 2%, enquanto o Nasdaq já avançou 2,61%, e o Dow Jones, 1,4%. No ano, os ganhos são ainda maiores: 18,5%, 28,4% e 12,7%, respectivamente. 

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E quem explica por que os investidores — ainda — não têm motivos para temer a paralisação do governo norte-americano é Enzo Pacheco, analista da Empiricus Research. 

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“Outubro foi caracterizado por uma divergência importante nos índices norte-americanos, com teses mais focadas em inteligência artificial (IA), especialmente as big techs, puxando o mercado”, afirma. 

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Para citar dois exemplos, a Alphabet — holding que controla o Google — acumulou valorização de 30% no mês passado, enquanto a Nvidia subiu 10% no período. 

O economista Andrew Foran, da TD Economics, lembra que, nas paralisações de 2013 e de 2018/2019, os mercados de ações até caíram como reação inicial, mas se recuperaram logo depois. 

“No fim das contas, os mercados são impulsionados muito mais por fatores externos aos desdobramentos políticos”, disse. 

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Shutdown nos EUA: as ações que ganham e perdem na bolsa 

Ainda que o mercado esteja passando batido, pelo menos por enquanto, pela maior paralisação da história do governo dos EUA, há vencedores e perdedores do shutdown — e aí vale dar um passo atrás para olhar para as empresas norte-americanas.

Segundo Pacheco, a temporada de balanços nos EUA tem mostrado uma diferença nos hábitos de consumo do norte-americano: a alta renda segue forte, enquanto a baixa renda, que mais sofre com a paralisação, tem consumido menos. 

“Se demorar muito tempo para o impasse no Congresso norte-americano se resolver, podemos ver algum impacto maior no consumo e aí as empresas dos setores de consumo discricionário e de bens de consumo sofrem mais”, diz o analista da Empiricus. 

Do lado dos vencedores, estão as maiores empresas do mundo — todas elas ligadas à IA. 

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“Como essas empresas são as maiores e melhores, mais rentáveis, podem funcionar como um amortecedor para o mercado: se o investidor começar a se preocupar com esse evento, provavelmente vai comprar essas empresas porque não tem muito erro”, diz Pacheco. 

Segundo ele, essas companhias respondem por 30% do peso do S&P 500 e “mesmo que as outras sofram, é possível que o índice tenha uma performance positiva”. 

Pacheco ainda reforça: “um ponto fundamental é que o final do ano é sazonalmente favorável para as bolsas dos EUA”. 

E dólar?

A história mostra que o dólar apresentou uma reação levemente negativa durante as paralisações de outubro de 2013 e dezembro de 2018. Após esse período, a moeda norte-americana se desvalorizou moderadamente e permaneceu abaixo do valor pré-paralisação por algum tempo em ambos os episódios.

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Embora o dólar tenha retornado ao valor pré-paralisação duas semanas após o fim do shutdown de outubro de 2013, permaneceu abaixo do valor pré-paralisação por dois meses após o fim da paralisação de dezembro de 2018. 

“Mantendo-se todos os outros fatores constantes, isso sugere que os maiores riscos políticos associados a paralisações mais longas podem ter efeitos mais duradouros no mercado de câmbio”, diz Foran. 

O economista da TD chama atenção para outro fator: o corte de juros nos EUA. Na última quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual (pp), colocando-a na faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano

“Considerando um Fed dependente de dados que pode em breve perder o acesso a esses indicadores, o potencial para maior volatilidade nos mercados de câmbio durante a paralisação não deve ser descartado”, acrescenta. 

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Na terça-feira (4), o dólar atingiu uma nova máxima em quatro meses em relação ao euro, com as divisões no Fed aumentando as dúvidas sobre a possibilidade de outro corte na taxa de juros este ano.

O euro caiu pela quinta sessão consecutiva, recuando 0,3% para US$ 1,148 — a menor cotação desde 1º de agosto. Já o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, fechou em alta de 0,34%, a 100,224 pontos — o maior nível desde 1º de agosto. 

Esse avanço foi uma extensão da valorização da moeda norte-americana após a reunião do Fed da semana passada, quando o presidente Jerome Powell sugeriu que outro corte em dezembro não estava garantido.

Por aqui, o dólar à vista subiu 0,77% ontem (4), cotado a R$ 5,3989. Mas, no ano, a moeda norte-americana acumula baixa de 6,7%. 

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