O primeiro ano do governo Trump foi surpreendente ou caótico? Veja o que esperar do ano dois
Matheus Spiess, analista da Empiricus, fala no podcast Touros e Ursos desta semana sobre a ruptura de Trump com o ambiente econômico e geopolítico das últimas décadas
O primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos marca o fim da era de estabilidade conhecida como "PAX americana", segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research e colunista do Seu Dinheiro.
Segundo Spiess, o mundo vive uma ruptura do ordenamento internacional estabelecido desde a Segunda Guerra Mundial. Trump utiliza uma estratégia de conflito que gera profunda desconfiança no mundo inteiro — até entre aliados históricos, como Canadá e México.
Essa postura errática não é apenas um estilo de negociação, mas um sintoma de uma mudança estrutural. O mundo agora foca em uma "nova globalização", priorizando a segurança regional em vez da eficiência total.
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, Spiess fala sobre como essa desconfiança internacional faz com que o governo norte-americano perca seu papel de fiador do sistema global.
O resultado é um cenário de negócios e investimentos mais tenso, com países buscando novos parceiros para reduzir a dependência de Washington.
Fraqueza do dólar e diversificação de fluxos
A política de Trump acelerou o processo de desdolarização global. Se antes os investidores direcionavam 100% de seus recursos para os Estados Unidos, hoje eles buscam diversificação.
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Esse redirecionamento beneficia mercados que estavam "esquecidos", incluindo o Brasil, que recebeu forte uma entrada de capital estrangeiro neste início de 2026.
Para proteger o patrimônio neste cenário, Spiess recomenda que o investidor não dependa apenas de uma moeda ou uma região. Ele sugere a internacionalização da carteira em diferentes países, como Europa e China.
"É importante para criar consistência e corpo na sua carteira como um todo. Ter proteções clássicas, como o próprio ouro, uma tese antiga da Empiricus, também é bom para se beneficiar desse ambiente ainda bastante incerto que a gente tem vivido”, disse o analista.
O enfraquecimento do dólar até poderia beneficiar a indústria dos EUA — uma das promessas de Trump — mas a reindustrialização do país não ocorre da noite para o dia.
Por décadas, o país terceirizou processos produtivos para outros países. Enquanto a indústria norte-americana não amadurece para exportar produtos, o dólar fraco funciona apenas como um "peso morto" na economia.
Trump e os conflitos institucionais
Internamente, o segundo mandato de Trump é marcado por um forte embate com instituições centrais para o governo, como o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano).
O governo flerta com a interferência direta na autoridade monetária, chegando a abrir processos jurídicos contra membros do comitê. Spiess alerta que essa politização retira a eficácia da política monetária, assemelhando os EUA a países emergentes.
O uso excessivo de ordens executivas para governar também preocupa, pois escanteia o processo legislativo e os pesos e contrapesos da república.
"Se você faz isso e começa a subjugar ou escantear parte do processo natural de uma república, você prejudica a sua própria credibilidade", afirma o analista.
A polarização da sociedade americana aumentou com as respostas agressivas do governo a temas como imigração. Para Spiess, se os Estados Unidos pararem de atrair talentos globais de outros países, podem quebrar o mecanismo de inovação que sustenta sua economia.
Touros e Ursos da semana
No bloco final do programa, os convidados elegem os touros e ursos da semana, expressão que dá nome ao podcast. Nesta semana, as escolhas refletiram os impactos da política externa de Donald Trump e eventos marcantes do cenário financeiro e cultural brasileiro.
Spiess nomeou o dólar como outro urso (destaque negativo) da semana. O analista afirma que a moeda norte-americana vive uma tendência global de baixa que deve persistir ao longo de 2026. Para ele, essa desvalorização reflete uma mudança estrutural na qual o dólar perde espaço como principal ativo de reserva internacional.
Além desse, outro urso foi o will bank. O banco digital, que fazia parte do conglomerado do Banco Master, sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central após falhar em encontrar um comprador e reestruturar suas operações financeiras.
Do lado positivo, o ouro foi selecionado como um dos "touros" devido à sua toada de valorização constante, atingindo a marca histórica de US$ 5.000 por onça. O metal tem sido a alternativa preferida de bancos centrais e grandes fundos de investimento que buscam proteção em ativos reais.
Por fim, as indicações do Brasil ao Oscar 2026 também foram celebradas como touro. O país alcançou um feito histórico com cinco indicações em uma única edição. O filme "O Agente Secreto" concorre em quatro categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Wagner Moura.
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