Kinea compara Trump ao Capitão América em Guerra Civil: o erro está em ignorar que o campo de batalha mudou
Para a gestora, presidente dos EUA rompe com as instituições tradicionais para agir de forma mais rápida, porém menos previsível

Enquanto o cinema brasileiro celebra “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, indicado ao Oscar, a gestora Kinea preferiu recorrer a Hollywood para explicar a lógica política de Donald Trump.
Em sua carta mensal, divulgada nesta segunda-feira (2), a gestora compara o presidente norte-americano ao Capitão América no filme “Guerra Civil” alguém que rompe com instituições para agir rápido, mas que, ao fazê-lo, aumenta a imprevisibilidade.
No filme, que está prestes a completar dez anos de lançamento, o Capitão América defende a autonomia individual ao concluir que “o sistema se tornou lento, politizado e incapaz de responder à urgência dos riscos”.
Do outro lado, Tony Stark, o Homem de Ferro, argumenta que a regulação é essencial para legitimar o poder, defendendo que os Vingadores “precisam ser colocados sob controle”, já que a força do grupo “provoca desafios, que geram conflitos, que produzem catástrofes”.
Trump é sinônimo de imprevisibilidade
Assim como o herói da Marvel, Trump “decide agir por conta própria, centraliza decisões e ganha velocidade, mas sacrifica a institucionalidade, aumentando a instabilidade”, afirmam os analistas.
Para eles, “Guerra Civil” é menos um filme de super-heróis e mais uma reflexão sobre poder, responsabilidade e limites da ação.
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“Donald Trump opera sob a premissa de que o sistema trava a ação e dilui resultados. A resposta tem sido decisões rápidas, concentradas e assertivas, tanto na economia quanto na geopolítica. O risco, como no filme, não está no gesto inicial, mas no ‘dia seguinte’. Intervir é fácil, governar as consequências, não”, diz a carta assinada pelo time de multimercados liderado por Ruy Alves, André Diniz e Daniela Lima.
Exemplos disso não faltam. “Retirar Nicolás Maduro do poder é uma coisa; administrar a transição venezuelana é outra. Propor a aquisição da Groenlândia é um sinal de força; conduzir um processo diplomático, jurídico e político viável é um desafio completamente distinto”, afirma o texto.
No plano doméstico, segundo a gestora, a lógica é a mesma: “acelerar gastos, como no orçamento de defesa ou intervir em preços sensíveis, como taxas de cartão de crédito, gera efeito imediato. Mas aumenta a incerteza fiscal, pressiona expectativas e testa os limites institucionais”, afirma a Kinea.
Mercados já sentem o peso da lógica trumpista
De acordo com a gestora, as ações de Trump “já impactam de forma mensurável os preços de diversos ativos”.
Para os analistas, não há ruptura institucional, mas uma erosão gradual da previsibilidade — dinâmica que se reflete nos prêmios de risco e lembra o “capitalismo de Estado”, em que o poder político influencia diretamente preços e decisões privadas.
Nos mercados, o início do ano trouxe sinais claros: dólar enfraquecido, ações fora dos EUA em alta e rotação de liderança dentro do mercado norte-americano, com empresas cíclicas e menores superando gigantes de tecnologia.
Já no cenário internacional, a intervenção em países como Venezuela e Irã elevou o prêmio de risco no setor de energia.
O dilema, segundo a Kinea, não é entre agir ou não agir, mas entre acelerar o presente e preservar a estrutura que garante estabilidade futura.
“Em uma guerra civil, o erro não está em escolher um lado — está em ignorar que o campo de batalha mudou”, afirma a gestora.
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