Relógio do Juízo Final avança para 85 segundos da meia-noite: o que isso significa e por que o risco global aumentou
Indicador simbólico criado por cientistas aponta que riscos como guerra nuclear, mudanças climáticas e avanço da inteligência artificial levaram o mundo ao ponto mais crítico desde 1947

O Relógio do Juízo Final — conhecido internacionalmente como Doomsday Clock — é um indicador simbólico criado para mostrar o quão perto a humanidade está de uma catástrofe global com potencial de extinção.
Na terça-feira (27), o ponteiro foi ajustado para 85 segundos antes da meia-noite, o menor intervalo já registrado desde a criação do relógio. Na prática, isso significa que, segundo o indicador, o mundo como o conhecemos nunca esteve tão próximo do colapso.
No conceito do relógio, a meia-noite representa o fim da civilização humana. Quanto mais perto desse horário, maiores são os riscos globais provocados pelas próprias ações do homem.
Quem decide o horário do relógio
A responsabilidade pelo Relógio do Juízo Final é do Bulletin of the Atomic Scientists, um grupo científico que reúne especialistas nas áreas de segurança internacional, clima e tecnologia.
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Todos os anos, o conselho analisa o cenário global e decide se o ponteiro deve avançar, recuar ou permanecer parado.
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Em 2023, o relógio havia sido ajustado para 89 segundos antes da meia-noite. Naquele momento, a guerra entre Rússia e Ucrânia completava um ano, e Vladimir Putin colocava em xeque a participação da Rússia no último grande tratado de controle de armas nucleares com os Estados Unidos, o New Start, que previa o monitoramento mútuo dos arsenais nucleares.
Desde então, segundo o grupo, entendimentos globais “conquistados com muito esforço” começaram a ruir, enfraquecendo a cooperação internacional necessária para conter riscos existenciais.
Quais ameaças entram na conta
Ao anunciar o novo ajuste, os cientistas citaram uma combinação de fatores que empurram o mundo para mais perto do limite:
- risco de guerra nuclear, em meio à escalada de tensões entre potências;
- mudanças climáticas, com eventos extremos cada vez mais frequentes;
- uso potencialmente indevido da biotecnologia;
- avanço acelerado da inteligência artificial sem controles adequados.
O grupo também demonstrou preocupação com conflitos envolvendo países com armas nucleares, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, o confronto entre Índia e Paquistão em maio e as incertezas sobre a capacidade do Irã de desenvolver armamentos nucleares após ataques dos Estados Unidos e de Israel no ano passado.
Por que a cooperação importa
Para o conselho científico do Boletim, a fragmentação do mundo em uma lógica de “nós contra eles” aumenta o risco coletivo. “Se o mundo se fragmentar em uma abordagem de soma zero, cresce a probabilidade de todos perdermos”, afirmou Daniel Holz, presidente do conselho científico e de segurança do grupo, à Associated Press.
Além da geopolítica, o aquecimento global também pesou na decisão.
O Boletim destacou secas, ondas de calor e inundações cada vez mais intensas, além do fracasso das nações em adotar acordos eficazes para conter o avanço das emissões. Também foram mencionadas políticas que favorecem combustíveis fósseis em detrimento de energias renováveis.
O relógio alerta, não prevê
Criado em 1947, o Relógio do Juízo Final não faz uma contagem literal do tempo. No fim da Guerra Fria, por exemplo, ele marcava 17 minutos para a meia-noite.
Nos últimos anos, diante de mudanças globais rápidas, os cientistas passaram a medir a distância em segundos, para refletir com mais precisão o grau de urgência.
Segundo o Boletim, o ponteiro pode recuar — desde que líderes e países retomem a cooperação internacional e enfrentem de forma conjunta os riscos que ameaçam a própria sobrevivência humana.
Neste início de 2026, de acordo com o relógio, a humanidade está simbolicamente a 1 minuto e 25 segundos do fim.
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