Tudo o que se sabe sobre a Artemis 2, a primeira missão tripulada da Nasa à Lua em mais de meio século
Será a primeira missão com astronautas a bordo da cápsula Orion em um voo de cerca de dez 10 dias ao redor da lua

Mais de meio século depois da última missão Apollo, a Nasa está prestes a colocar novamente astronautas a caminho da lua. A missão estava programada para partir no dia 8 de fevereiro, mas foi adiada por diversas questões. Entre elas estão o tempo na Flórida, com fortes ventos, e um problema de vazamento durante o abastecimento do foguete lunar. De todo modo, será o primeiro voo tripulado do programa Artemis.
A missão Artemis 2 não vai plantar bandeiras e nem deixar pegadas na poeira lunar. Seu objetivo, segundo a Nasa, vai além de “voltar à lua”.
A agência aeroespacial norte-americana pretende estabelecer uma presença humana duradoura no espaço profundo, testar tecnologias, realizar pesquisas científicas e usar a Lua como base para missões futuras para Marte.
O que é a missão Artemis
A missão Artemis é um programa de exploração lunar da Nasa que busca levar humanos de volta à lua pela primeira vez desde o último pouso tripulado, em dezembro de 1972. Mais do que retornar ao satélite, o objetivo é estabelecer uma presença humana sustentável em solo lunar.
Ou seja, não se trata de um simples “passeio lunar”, mas de um esforço de longo prazo para construir infraestrutura: naves, foguetes, sistemas de comunicação, procedimentos operacionais e logística.
As missões do programa Artemis integram os planos estratégicos da Nasa para a criação da Lunar Gateway, uma estação espacial em órbita da Lua que servirá como base para os astronautas viverem, trabalharem e se prepararem para futuras missões a Marte.
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A primeira etapa do programa, a Artemis I, foi lançada em novembro de 2022 e envolveu o envio de uma cápsula sem tripulação, com o objetivo de testar o foguete SLS (Sistema de Lançamento Espacial) da Nasa.
Um voo de cerca de dez dias ao redor da lua
Agora, a missão Artemis 2 levará quatro astronautas a bordo da cápsula Orion, lançada pelo foguete SLS. Ao longo de aproximadamente dez dias, a tripulação fará um sobrevoo completo da lua e irão:
- Testar os sistemas de suporte de vida, como fornecimento de oxigênio, controle de temperatura e remoção de gás carbônico, em condições reais de espaço profundo;
- Avaliar a navegação e o controle da Orion, incluindo manobras, correções de rota e resposta da nave a comandos manuais;
- Checar as comunicações de longa distância, fundamentais para missões futuras que ficarão dias, ou até semanas, longe da Terra;
- Coletar dados médicos, monitorando como o corpo humano reage a períodos prolongados fora do “escudo” magnético do planeta.
Quem vai a bordo
A tripulação foi escolhida a dedo para esse momento histórico:
- Reid Wiseman, comandante da missão
- Victor Glover, piloto
- Christina Koch, especialista da missão
- Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, também como especialista

No dia 23 de janeiro, a tripulação entrou em quarentena, um programa para estabilizar a saúde que garante que eles não contraiam nenhuma doença antes da decolagem.
Como é o foguete que vai à lua
O SLS foi apresentado pela Nasa em 17 de janeiro. O foguete tem 98 metros de altura, mais alto que o Big Ben. O foguete é composto por:
- Estágio central movido a hidrogênio e oxigênio líquidos
- Quatro motores RS-25, os mesmos usados nos ônibus espaciais
- Dois propulsores laterais sólidos, responsáveis pela maior parte do empuxo inicial
A Nasa afirma que o SLS é o único foguete capaz de enviar astronautas, carga e a cápsula Orion diretamente para a lua em um único voo, mas uma missão como essa não é barata.

Quanto custa a missão Artemis
De acordo com dados da Planetary Society, o custo do SLS desde o início do desenvolvimento até o primeiro voo é estimado em cerca de US$ 23,8 bilhões. Já a cápsula espacial Orion custou US$ 20,4 bilhões até agora.
Uma auditoria do Gabinete do Inspetor-Geral da Nasa estimou que o programa Artemis como um todo, incluindo o desenvolvimento do foguete SLS, da cápsula Orion e da infraestrutura de lançamento custou US$ 93 bilhões até 2025.
A viagem pode ser adiada?
A data de lançamento já foi adiada em dois dias, o que significa que a decolagem mais cedo possível é 8 de fevereiro.
Isso aconteceu porque uma onda de frio intenso na Flórida atrasou o ensaio, que precisa ser feito quatro dias antes do lançamento e simula a contagem regressiva para detectar qualquer problema ou imprevisto.
A Nasa tem critérios meteorológicos detalhados que consideram fatores como temperatura, vento, precipitação, raios, nuvens, entre outras condições essenciais que verificam se o voo é seguro ou não.
O ensaio geral com combustível líquido começou ontem (2) e levará dois dias para ser concluído.
Caso a missão de 8 de fevereiro seja adiada, ela poderá ocorrer nas seguintes datas:
- 10 e 11 de fevereiro
- 6, 7, 8, 9 e 11 de março
- 1, 3, 4, 5, 6 e 30 de abril
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