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O bilionário soltou o verbo em relação a um importante projeto de lei do presidente norte-americano, que pode dar fôlego à política de deportações
Donald Trump vive na pele um conhecido verso de Augusto dos Anjos: “A mão que afaga é a mesma que apedreja”.
Durante a campanha eleitoral, Elon Musk era um dos principais aliados do republicano. Porém, desde o início do tarifaço implementado por Trump, a relação entre os dois parece ter esfriado, com o bilionário indicando que o ‘bromance’ pode estar chegando ao fim.
Após afirmar que vai reduzir gastos com doações para campanhas eleitorais, Musk soltou o verbo em relação a um importante projeto de lei do presidente norte-americano sobre impostos e gastos no país.
O plano de Trump inclui isenções fiscais trilionárias e o aumento dos gastos com defesa. Porém, o bilionário criticou o projeto e afirmou à CBS News que está “decepcionado”.
Musk também disse que o projeto “mina” o trabalho que ele fez para o governo, fazendo uma referência ao seu comando no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês). Durante os primeiros meses deste ano, ele implementou uma cruzada contra os gastos públicos nos EUA.
“Honestamente, fiquei decepcionado ao ver o enorme gasto público. O projeto de lei prejudica o trabalho que a equipe do DOGE está fazendo”, disse Musk na entrevista ao CBS Sunday Morning.
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O projeto de lei é uma prioridade de longa data de Trump. Isso porque a legislação promete estender cortes de impostos que chegam ao fim em breve e que foram aprovados ainda durante o primeiro mandato do republicano, em 2017.
A nova legislação também propõe aumentar para US$ 4 trilhões o teto da dívida — ou seja, o limite de dinheiro que o governo pode tomar emprestado para pagar as próprias contas.
Com um orçamento maior, o presidente norte-americano planeja incrementar o setor de defesa do país, o que inclui as deportações em massa que passaram a ser realizadas desde o retorno de Trump à Casa Branca.
Na semana passada, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou o plano com uma pequena margem. Agora, o texto será analisado pelo Senado.
Trump chegou a chamar a legislação de “grande e bela”. Porém, Elon Musk tem uma visão diferente. “Acho que um projeto de lei pode ser grande ou belo. Não sei se pode ser os dois”, disse à CBS.
Ele também afirmou que o plano de Trump “aumenta o déficit orçamentário” — uma crítica que não é feita apenas pelo bilionário. A avaliação é que, se aprovada, a legislação pode aumentar o déficit dos EUA em US$ 600 bilhões no próximo ano fiscal.
Elon Musk vem apanhando de todos os lados desde que se colocou como um dos principais aliados de Trump. Porém, quem vem sentindo os impactos é a Tesla.
A montadora vem enfrentando desgaste de imagem nos últimos meses, atribuído à crescente exposição política do CEO. Em abril deste ano, a empresa também viu suas vendas despencarem na Europa.
Além disso, no balanço do primeiro trimestre deste ano, a receita da Tesla caiu 9% na comparação anual, passando para US$ 21,3 bilhões. Considerando a receita automotiva, o tombo foi ainda maior, indicando uma queda de 20%. Confira os resultados da fabricante de veículos.
Aos poucos, Musk vem tomando distância do presidente norte-americano. Recentemente, o bilionário revelou que vai se afastar do comando do DOGE, apesar de ainda não ter alcançado a meta de cortar US$ 1 trilhão em gastos do governo.
O CEO da Tesla também vem sendo criticado devido aos esforços para demitir milhares de funcionários federais e restringir a ajuda externa oferecida pelos EUA.
Porém, na semana passada, Musk defendeu suas medidas como comandante do DOGE: “Eu fiz o que era preciso”, afirmou.
*Com informações da BBC News.
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