Vai decolar? Desconfiança de aprovação da fusão da Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) pelo Cade faz ações caírem nesta manhã; confira
Durante o dia, ações da GOLL4 e da AZUL4 caíram na bolsa. Já no fim do pregão, os papéis da Gol haviam se recuperado, fechando o dia estáveis. As ações da Azul encerraram com queda de 1,15%, a R$ 4,30

A possível fusão da Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4), controlada pela holding Abra, mal levantou voo, mas já provou que qualquer vento pode mexer com o humor dos investidores. É que uma notícia que saiu ontem sobre a possibilidade do Cade não aprovar o acordo faz com que as ações das companhias estejam despencando na bolsa.
O GOLL13, título de renda variável baseado no desempenho das ações da empresa, caia 20,61% por volta das 12h desta terça (21/1), negociado a R$ 1,31, enquanto as ações GOLL4 caiam 4,12%, a R$ 1,63.
No mesmo horário as ações da AZUL4 caíam 2,76%, negociadas a R$ 4,23.
A desconfiança paira em torno da dificuldade de um aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), aliado ao temor com a alta nos preços de passagens em um mercado mais concentrado. Se vingar, a fusão colocaria nas mãos das duas companhias o controle de 60% do setor aéreo nacional, hoje liderado pela Latam.
“O problema é que elas vão acabar com a concorrência, as passagens vão ficar mais caras e ainda não se tem ideia do impacto que o negócio terá no mercado”, afirmou Cleveland Prates, ex-conselheiro do Cade, à imprensa, acrescentando que em 2019 o órgão antitruste alertou para riscos à concorrência no setor com a venda de ativos da falida Avianca.
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Além de 60% do mercado, a nova empresa traria a combinação das operações da Gol, hoje concentradas mais nas capitais, enquanto a parceira atua mais nas cidades do interior.
Nas estimativas do BTG, a receita combinada de Azul e Gol seria de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 48 bilhões) e US$ 500 milhões (R$ 3 bilhões) em sinergias. 65% dessas sinergias seriam ser capturadas em até 12 meses após o negócio, chegando a 75% em 2 anos.
A preocupação maior, caso o acordo não seja firmado, é relacionada a como as empresas poderiam pagar suas dívidas, depois de anos de operação conturbada como reflexo das dificuldades da época da pandemia.
Gol e Azul: perdão de dívidas financeiras com o governo
No Início do mês, as duas deram passos estratégicos bem importantes no Brasil em direção ao pagamento de suas dívidas, antes do pedido de aprovação pela Gol do Chapter 11, processo de recuperação nos Estados Unidos, em maio.
Tanto Azul quanto Gol firmaram um acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU) para regularizar dívidas previdenciárias e fiscais no valor de cerca de R$ 7,5 bilhões — sendo cerca de R$ 5 bilhões relativos à Gol.
Dias depois, a Gol anunciou um plano de cinco anos para voltar a voar com mais tranquilidade financeira, que inclui pagamentos financeiros e aumento de frota após ajustes de melhoria operacional.
Pelo acordo das duas companhias, as marcas Azul e Gol permanecerão separadas, e a liderança será dividida, com o presidente do Conselho indicado pelo Grupo Abra e o CEO pela Azul. Também existe a possibilidade de cláusula “poison pill”, que obriga qualquer comprador de 15% ou mais das ações da nova empresa a fazer uma oferta para adquirir 100% das ações.
Na visão de analistas da Goldman Sachs, BTG Pactual e Santander, no entanto, esse acordo, mesmo que aprovado, deve demorar bastante para sair do papel e começar a alçar voo de fato. Em relatórios recentes, os analistas dos bancos se posicionaram de forma neutra em relação ao acordo, ainda que vejam a fusão como um passo estratégico, com potencial de melhorar o cenário aéreo brasileiro.
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