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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

MUDANÇAS A CAMINHO

Um novo controlador será capaz de resolver (todos) os problemas da Braskem (BRKM5)? Analistas dizem o que pode acontecer agora

O acordo para a saída da Novonor do controle da petroquímica reacendeu entre os investidores a expectativa de uma solução para os desafios da empresa. Mas só isso será suficiente para levantar as ações BRKM5 outra vez?

Camille Lima
Camille Lima
15 de dezembro de 2025
16:34 - atualizado às 21:21
Vista da então nova unidade da Braskem Petroquímica, em Paulínia, São Paulo. Petrobras (PETR3 e PETR4) e Novonor são as principais acionistas da Braskem (BRKM5) | Dividendos
Braskem (BRKM5) - Imagem: Estadão Conteúdo/Alex Silva

A perspectiva de uma mudança no controle da Braskem (BRKM5) levou as ações a operarem em alta nesta segunda-feira (15) — ainda que tenham arrefecido a performance ao longo da sessão. O acordo para a saída da Novonor, ex-Odebrecht, reacendeu entre os investidores a expectativa de uma solução para os entraves da petroquímica — embora o mercado ainda veja riscos no caminho. 

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Mais cedo, a Novonor informou ter firmado um pacto com um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) assessorado pela gestora IG4 Capital, abrindo caminho para a venda de sua participação na Braskem.  

Na prática, o FIDC ligado à IG4 fechou um acordo com os principais bancos credores da Novonor — Banco do Brasil, BNDES, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander — para adquirir 100% dos créditos detidos contra o grupo.  

Essas dívidas têm como garantia justamente as ações da Braskem, concentradas na NSP Investimentos, holding por meio da qual a Novonor exercia o controle na petroquímica. 

O movimento marca um avanço sólido na transição de controle da petroquímica, na esteira de uma longa sequência de negociações frustradas e tentativas que nunca chegaram a um desfecho.  

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O acordo alimentou entre os investidores a perspectiva de que a empresa estaria mais próxima de uma virada, após tantos trimestres sob pressão. Mas só isso será suficiente para levantar as ações BRKM5 outra vez? 

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A leitura de analistas é que os problemas na Braskem, que vivencia há meses uma sangria incessante no caixa, ainda não chegaram ao fim. Você confere os detalhes abaixo. 

Os benefícios de um novo controlador 

A visão do mercado é que a entrada da IG4 Capital no quadro de acionistas da Braskem representaria uma evolução clara em relação ao cenário anterior.  

Para a XP Investimentos, o movimento representa um passo importante e há muito aguardado pelo mercado. O anúncio sinaliza que os credores da Novonor finalmente decidiram exercer a garantia da dívida — ou seja, as ações da Braskem — e, se a transação for concluída, isso deve resultar em uma efetiva mudança de controle da petroquímica. 

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Na visão de Frederico Fernandes, especialista em petroquímica da Argus, a disputa pelo controle da Braskem entra em uma fase decisiva com a exclusividade firmada entre IG4 e Novonor.  

O acordo, válido por 60 dias, abre caminho para uma transação que envolve a conversão de créditos — estimados em cerca de R$ 20 bilhões — em participação acionária.

Nos termos do negócio, a IG4 assumirá o controle, com 50,1% do capital votante e 34,3% do capital total, enquanto a Novonor manterá apenas 4% em ações preferenciais sem direitos de governança. Já a Petrobras (PETR4) seguirá com 47% do capital votante e 36,1% do capital total. 

Com a transação, a Petrobras, como segunda maior acionista, poderia assumir uma postura mais ativa no dia a dia operacional da Braskem, explorando sinergias estratégicas entre as duas companhias, na análise de Fernandes.  

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“Essa maior presença da Petrobras pode influenciar decisões sobre investimentos, integração de processos e políticas de sustentabilidade”, disse. 

Para Daniel Cobucci, analista do BB Investimentos (BB-BI), o acordo poderia destravar investimentos essenciais, que até então estavam fora do alcance da Novonor.  

Isso porque a saída do atual controlador permite que a Petrobras, que já demonstrou insatisfação com seu papel de sócia sem controle efetivo, injete dinheiro e busque investimentos estratégicos. 

Segundo o analista do BB-BI, a nova estrutura “deve possibilitar que os sócios correspondam à necessidade de investimentos para reduzir custos com matéria-prima”.  

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Aliás, um dos pontos considerados cruciais no mercado para a competitividade da Braskem é a migração gradual da base nafta para a base gás. Essa mudança estrutural é vista como essencial pelos analistas para melhorar margens da petroquímica no médio e longo prazo. 

"É algo que Novonor não tinha como fazer e que a Petrobras sinalizou que faria, desde que houvesse sócio acompanhando”, disse o analista, que avalia que a chegada de um novo controlador financeiro poderia alterar a equação para a Braskem. 

O mercado também enxerga potenciais ganhos em governança. Entre as expectativas estão a simplificação da estrutura de capital e, no médio prazo, até mesmo uma eventual unificação das classes de ações, com possível conversão de papéis preferenciais em ordinários.  

Para o BB-BI, esse movimento ajudaria a reduzir incertezas e tornar a tese mais clara para investidores. 

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Por sua vez, a XP Investimentos avalia que uma eventual injeção de capital poderia acontecer em meio ao novo desenho societário — o que ajudaria a aliviar preocupações com liquidez e dar mais fôlego à empresa. 

Saída da Novonor é importante, mas não é a salvação para a Braskem (BRKM5) 

Ainda assim, o cenário não está livre de incertezas. Na avaliação do mercado, a operação abre uma nova fase para a Braskem, mas ainda exige cautela. 

Afinal, a troca de controle ajuda a reduzir incertezas estruturais, mas não resolve, por si só, os desafios operacionais e cíclicos do negócio. 

Mesmo que a estrutura do negócio não sugira concentração relevante no mercado petroquímico, os especialistas avaliam que o processo regulatório pode se estender caso haja questionamentos sobre governança ou direitos de preferência da Petrobras, que continuará como acionista relevante. 

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Importante destacar que a operação deverá passar pelo aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que poderá definir o ritmo da transição. 

Segundo o analista do BB-BI, um dos pontos centrais será a necessidade de um novo acordo de acionistas com a Petrobras, o que pode influenciar tanto a governança quanto as decisões estratégicas da companhia daqui para frente. 

Vale lembrar que, como a operação prevê a conversão da dívida dos credores da Novonor em ações da Braskem, os atuais acionistas não serão diluídos. Além disso, a expectativa é que não haja uma oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações dos minoritários. 

Além das questões societárias, o desempenho operacional segue como um obstáculo relevante para as ações da petroquímica.  

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Para que a Braskem volte a surfar ciclos mais favoráveis na bolsa, será necessário um ambiente mais benigno para o setor petroquímico global.  

Segundo Cobucci, a companhia depende de uma “melhoria substancial nas condições de oferta e demanda de resinas”, já que a atual sobreoferta pressiona margens e mantém a taxa de utilização das plantas operacionais em níveis baixos. 

Esse cenário dificulta a diluição de custos fixos e tem se traduzido em queima de caixa recorrente, ainda que parcialmente atenuada por medidas como o Presiq — programa de incentivos fiscais para a indústria química — e pelo antidumping temporário, aprovado neste ano. Mesmo com esses amortecedores, a pressão sobre o caixa segue elevada. 

“O futuro da Braskem dependerá da capacidade da IG4 de executar rapidamente sua estratégia, equilibrando governança, eficiência operacional e sustentabilidade financeira, enquanto navega por um ambiente regulatório e político potencialmente complexo”, disse o especialista da Argus. 

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Fernandes também destaca outro fator crítico para a performance da Braskem daqui para frente: o calendário político. Caso a troca de controle na Braskem se prolongue após as eleições presidenciais de outubro de 2026, o especialista acredita que “podem surgir conotações políticas”.  

“Um eventual governo de orientação mais à direita poderia adotar postura contrária à mudança de comando, seja por questões estratégicas ou por uma maior abertura comercial no setor, o que poderia atrasar ou até bloquear a transação”, afirmou. 

A situação financeira da Braskem (BRKM5) 

Há vários trimestres, a Braskem trava uma verdadeira batalha para estancar a queima de caixa e reduzir a alavancagem. Recentemente, a petroquímica contratou assessores financeiros para reorganizar sua estrutura de capital, o que acabou pressionando sua avaliação de risco de crédito, diante do consumo persistente de caixa e da proximidade de vencimentos de dívidas, em 2028. 

Em meio ao cenário adverso, a companhia tem buscado alternativas para preservar liquidez. Em outubro, sacou US$ 1 bilhão de uma linha de crédito stand-by disponível — uma decisão que, embora fortaleça o caixa no curto prazo, foi recebida com cautela pelo mercado e contribuiu para novos rebaixamentos por analistas

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Nos últimos meses, a Braskem perdeu o grau de investimento e viu seus títulos de dívida sofrerem desvalorização, com a saída de investidores. O quadro foi agravado por problemas históricos de governança, que contribuíram para a reprecificação dos ativos.  

Sob a ótica financeira, a empresa registrou prejuízo de R$ 26 milhões do terceiro trimestre (3T25) — ainda no vermelho, mas uma melhora significativa de 96% frente às perdas de R$ 592 milhões no mesmo período do ano anterior. 

Outro ponto positivo foi a resolução do caso de Maceió: a petroquímica fechou acordo com o Estado de Alagoas, que prevê o pagamento total de R$ 1,2 bilhão. Desse montante, R$ 139 milhões já foram pagos, e R$ 467 milhões já tinham sido provisionados em trimestres passados. 

Apesar disso, a pressão financeira permanece. O Ebitda recorrente, indicador que mensura a capacidade de geração de caixa operacional, caiu 66% na comparação anual, para R$ 818 milhões, enquanto a receita líquida recuou 19%, para R$ 17,29 bilhões. 

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Entre julho e setembro, a Braskem seguiu a queimar caixa, com consumo de R$ 2,04 bilhões no trimestre, aumento de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. 

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