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O cenário para açúcar e etanol na safra de 2026/27 é bastante apertado, o que levou o banco a rever as recomendações e preços-alvos de cobertura
O que era doce, azedou para o setor de açúcar e etanol, e as perspectivas futuras estão bastante difíceis para as empresas do ramo. Tão difíceis que o UBS BB reduziu as estimativas para todas as companhias do setor de cobertura. Raízen (RAIZ4) caiu de neutro para venda e São Martinho (SMTO3) saiu de compra para neutro.
De acordo com relatório do banco, o setor de açúcar e de etanol passa por um momento de maior oferta do que demanda, pressionando o preço das commodities. Para os analistas do UBS BB, não há “nenhum fator que impulsione uma recuperação significativa do açúcar no curto prazo”.
E o etanol não está muito diferente. “Embora os preços estejam altos agora, esperamos uma queda significativa devido à superoferta com o aumento da capacidade de produção de etanol de milho”, diz o relatório.
A expectativa é de que, com preços menores pelas commodities, Raízen e São Martinho tenham dificuldades na geração de caixa.
Os preços do açúcar caíram 27% na safra atual até o momento, o que já é um problema. No entanto, os analistas do UBS BB destacam que não veem fatores que possam impulsionar uma recuperação significativa no curto prazo.
A projeção do banco é de um excedente de aproximadamente um milhão de toneladas nas temporadas de 2025/26 e 2026/27, devido ao resultado de safras mais robustas no Brasil, na Índia e na Tailândia.
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“Embora isso pareça já estar precificado, observamos um viés de risco. É provável que os preços permaneçam abaixo do ponto de equilíbrio para os produtores”, diz o relatório.
Em relação ao etanol, o excedente também é o problema.
O UBS BB fala em uma previsão de 2 a 3 bilhões de litros de etanol de milho no Brasil na safra 2026/27. Com isso, a produção total de etanol deve subir para 39 a 42 bilhões de litros no período, resultando em um excedente de 1 a 3 bilhões de litros.
“Esperamos que a paridade de preços com a demanda de gasolina fique entre 60% e 65%, e que os preços caiam para R$ 2,4 a R$ 2,7 por litro em 2026/27”, diz o relatório.
O UBS BB rebaixou a recomendação para as ações da Raízen de neutro para venda. O preço-alvo caiu 36%, saindo de R$ 1,30 para R$ 0,80.
No relatório, os analistas do banco destacam que, diante dos baixos preços de açúcar e etanol, a pressão sobre o Ebitda (lucro antes de impostos, juros, amortização e depreciação) e a geração de caixa livre da Raízen está “subestimada” pelo consenso.
“Adotamos uma postura mais cautelosa em relação ao preço das ações e esperamos um consumo de caixa livre maior do que o precificado”, diz o relatório.
A Raízen luta contra um alto endividamento e dificuldade de geração de caixa/lucro desde o começo do ano. Recentemente, os esforços da companhia se concentraram em vender ativos para angariar recursos e pagar as dívidas. Algo que o UBS classifica como positivo.
No entanto, os analistas ponderam que esses esforços “levarão tempo para se materializar em retornos aos acionistas”. Além disso, a possibilidade de injeção de capital, que tem sido aventada no mercado, o banco não vê “como um fator positivo claro para o patrimônio líquido, dados os riscos de diluição”.
Para o UBS BB, não tem como a São Martinho nadar contra a maré. Os ventos contrários no mercado de commodities significam um potencial de alta limitado para os papéis da companhia.
As ações SMTO3 passaram por redução de 39% do preço-alvo em 12 meses, saindo de R$ 26 para R$ 15,75.
“2026/27 será um ano desafiador para o setor de açúcar e etanol. Esperamos pressão tanto sobre o açúcar quanto sobre o etanol, algo que não vemos há vários anos. Acreditamos que será difícil para as empresas suportarem os próximos dois anos e que os investidores podem optar por aguardar”, diz o relatório.
O documento ainda destaca que, apesar de a São Martinho ser uma operadora de primeira linha, os analistas esperam que os preços fracos de açúcar e etanol, combinados com o investimento de expansão da nova planta de milho, levem à elevação do endividamento.
A alavancagem (dívida líquida/ Ebitda) deve sair de 1,4x até o final de 2025 para 1,8x em 2027, o que também é um fator negativo diante do cenário que se desenha.
Para o UBS BB, as ações da Jalles Machado (JALL3) são “a melhor opção de investimento em açúcar e etanol” neste momento.
“Embora os contratempos operacionais em 2025/26 tenham levado a uma queda de 10% no volume de moagem do ano, acreditamos que a meta de longo prazo, de 9 milhões de toneladas, permanece alcançável, ainda que com atraso”, diz o relatório.
Mesmo diante da fraqueza do setor e da queda no preço do açúcar, o banco suíço afirma que o desempenho das ações JALL3 (queda de 26% no acumulado do ano) superestima esse cenário.
Os analistas destacam que a política de hedge (proteção de preço) da empresa permitiu fixar um valor 62% maior da produção de açúcar para 2026/27. A Jalles Machado fechou um preço de 21 cpp (centavos por libra) por tonelada, contra 15 cpp por tonelada no valor à vista.
Segundo o UBS BB, a empresa está sendo negociada a 2,2 vezes o valor da empresa estimado para 2026/27, comparado a 3,3 vezes o concorrente mais próximo, que é a São Martinho.
“Essa ampla diferença de avaliação oferece, em nossa opinião, um ponto de entrada atraente, tornando a Jalles Machado a melhor ação para se posicionar em meio a uma perspectiva pessimista para as commodities”, diz o relatório.
A recomendação do banco suíço é de compra, mesmo após reduzir o preço-alvo em 21%, de R$ 5,60 anteriormente para R$ 4,40 agora, considerando um prazo de 12 meses.
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