O melhor está por vir para a Petrobras (PETR4)? Balanço do 3T25 pode mostrar que dividendo de mais de R$ 10 bilhões é apenas o começo
A produção de petróleo da estatal deve seguir subindo, de acordo com bancos e corretoras, abrindo caminho para novas distribuições robustas de proventos aos acionistas

Em tempos de redes sociais, sair bem na foto é o que qualquer um quer e foi o que a Petrobras (PETR4) conseguiu: uma produção robusta no terceiro trimestre, que abre caminho para resultados financeiros sólidos e dividendos bilionários aos acionistas. Mas esse não é todo o filme que conta a história da estatal daqui para frente.
Antes do spoiler dos próximos trimestres, os investidores terão mais uma fotografia da Petrobras nesta quinta-feira (6), quando o balanço de julho a setembro será divulgado.
De acordo com as projeções da Bloomberg, a estatal deve apresentar aumento da receita líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em base trimestral, mas ainda menores do que os registrados no mesmo período do ano anterior — muito disso se deve ao Brent, que estava cotado acima de US$ 80 no período. Confira abaixo as estimativas:
| Em reais (R$) | Variação anual | Variação trimestral | Em dólares (US$) | Variação anual | Variação trimestral | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Lucro líquido | 18,396 bilhões | -43,5% | -31% | 3,478 bilhões | -40,75% | -26,5% |
| Receita | 122,399 bilhões | -8,8% | +2,75% | 22,721 bilhões | -2,8% | -8,0% |
| Ebitda | 59,789 bilhões | -6,1% | +14,4% | 11,099 bilhões | -3,3% | +20,11% |
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A previsão segue o desempenho operacional da Petrobras no terceiro trimestre. Entre julho e setembro, a estatal conseguiu aumentar a produção em 17,3% em base anual, alcançando uma média diária de 3,144 milhões de barris por dia (boed) de óleo equivalente (petróleo e gás natural). Em relação ao segundo trimestre, o avanço foi de 7,7%.
Considerando só o petróleo, a produção média da estatal avançou 18,4% na comparação ano a ano, para 2,520 milhões de barris por dia (bpd). Já em relação ao trimestre até junho, a alta foi de 8%.
Segundo o Santander, o aumento da produção de petróleo da Petrobras, das exportações de petróleo bruto e do crescimento nas vendas de produtos petrolíferos com spreads de crack — diferença entre o preço do petróleo bruto e o preço dos produtos refinados — estáveis devem apoiar o resultado financeiro do terceiro trimestre.
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Os analistas Rodrigo Almeida, Eduardo Muniz e Nicole Alonso destacam que, apesar do sólido desempenho operacional, o terceiro trimestre ainda pode apresentar outro aumento sequencial na alavancagem da estatal. Para o negócio de Gás e Energia, os analistas esperam uma melhora sequencial nos resultados.
A foto dos dividendos bilionários
No segundo trimestre, a Petrobras anunciou R$ 8,6 bilhões em dividendos, e a expectativa dos analistas é de que a melhora observada na produção ajude os proventos a superar a casa dos R$ 10 bilhões entre julho e setembro, assegurando yields de dois dígitos mesmo em um ambiente de queda dos preços do petróleo.
O BTG Pactual projeta fluxo de caixa livre (FCF) de US$ 4,8 bilhões, o que, pela fórmula de dividendos da Petrobras, implica um pagamento potencial de US$ 2,2 bilhões (R$ 11,7 bilhões no câmbio atual), equivalente a retorno (dividend yield) de 2,9%.
A XP Investimentos estima um montante semelhante de remuneração aos acionistas, com Ebitda de US$ 11,4 bilhões, aumento de 11,7% na base trimestral, e lucro líquido de US$ 4,4 bilhões, retração de 7,2% na base sequencial.
O Safra, porém, adota postura mais conservadora, projetando US$ 1,6 bilhão (R$ 8,5 bilhões, no câmbio atual) em proventos — um yield de 2,3% — apesar de prever um Ebitda de US$ 11,6 bilhões.
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O filme da Petrobras: o que esperar daqui para frente
A produção esperada de óleo no Brasil deve começar a cair a partir da próxima década por conta do declínio natural dos campos, principalmente no pré-sal.
Essa redução acontece porque, à medida que a quantidade de óleo nos reservatórios diminui, a produção começa a conter cada vez mais quantidades de água e sedimentos, o que reduz a produtividade.
Mas o JP Morgan fez um estudo recente indicando que o mercado pode estar superestimando esse declínio no caso do pré-sal.
Não à toa, a equipe do banco revisou para cima as perspectivas para a produção da Petrobras, que agora superam o próprio guidance da estatal: 176 mil barris por dia (Kbpd) adicionais em 2026, 106 Kbpd em 2027 e 312 Kpbd em 2028.
“Ao que tudo indica, boa parte do mercado pode estar subestimando a capacidade de produção da Petrobras, e a ótima prévia operacional combinada com mais alguns trimestres de produção elevada podem fazer a própria companhia revisar para cima suas perspectivas de produção e, consequentemente, de dividendos”, diz Ruy Hungria, analista da Empiricus Research. Ele falou mais sobre o assunto na coluna semanal Sextou com Ruy e você pode conferir aqui.
Na mesma linha, o Citi observa que a produção de petróleo deve atingir o teto da faixa projetada para 2025 — aproximadamente 2,4 milhões de barris por dia —, o que pode levar a uma revisão para cima da meta de 2026 no novo Plano Estratégico.
“Caso isso ocorra, há possibilidade de elevação nas estimativas do banco e nos dividendos ordinários, já que seu modelo considera atualmente o limite superior do guidance para 2026”, dizem os analistas Gabriel Barra, Pedro Gama e Andrés Cardona.
O trio projeta ainda redução de cerca de US$ 2 bilhões no capex (investimento) guiado para 2026 e destacam que esse alívio de caixa pode ser compensado por aquisições, como a possível compra de participação em uma produtora de etanol.
Os dados operacionais da Petrobras no terceiro trimestre de 2025 foram considerados sólidos pelo BTG. Em relatório, o analista Gustavo Cunha afirma que a produção mais forte estabelece uma taxa de saída mais alta para 2025, o que também reforça a visão do BTG de que o guidance de produção pode ser revisado para cima no próximo Plano de Negócios.
"Embora o Brent continue volátil, recentemente encontrou suporte em cerca de US$ 65 por barril, potencialmente sustentando uma geração saudável de FCF [fluxo de caixa livre] para a empresa no quarto trimestre de 2025. Dito isso, o ciclo crescente de capex reduziu o prêmio de rendimento dos acionistas da Petrobras em relação aos pares globais", afirma.
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Dar like ou não dar nas ações da Petrobras?
De posse das fotos, mas antes do filme completo, os bancos revisitaram as recomendações para as ações da Petrobras na esteira do relatório operacional do terceiro trimestre.
O Santander, por exemplo, manteve a recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 40, e espera mais detalhes para avaliar a geração de caixa e a estrutura de capital para 2026-27.
“Acreditamos que o fraco desempenho recente das ações e o baixo posicionamento podem restaurar o interesse dos investidores antes de melhores lucros e do plano estratégico”, dizem os analistas Rodrigo Almeida, Eduardo Muniz e Nicole Alonso.
No ano, as ações PETR3 acumulam queda de cerca de 14%, enquanto PETR4 perde 10% no período.
O BTG, que estima que o Ebitda da Petrobras no terceiro trimestre deve ser de US$ 11,5 bilhões, tem recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de US$ 15.
Segundo Hungria, da Empiricus, depois de alguns anos de resultados abaixo das expectativas, a Vale vem demonstrando ótima evolução nos últimos trimestres, e aos poucos vem reconquistando a confiança do mercado.
“Por apenas 4x o Ebitda esperado para 2026, Vale segue na carteira da série Vacas Leiteiras da Empiricus Research”, disse o analista.
O BB Investimentos, por sua vez, manteve o preço-alvo em R$ 45 para 2026. A expectativa de um Brent mais fraco no curto/médio prazo mantém o banco cauteloso com o setor, o que justifica a manutenção da recomendação em neutra.
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