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Isabelle Miranda

Isabelle Miranda

Jornalista com pós-graduação em Literatura, Artes e Filosofia. Atua como repórter nos portais de notícias Money Times e Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como Analista de SEO.

GOLPE MILIONÁRIO

O golpe do cashback: como consultores aproveitaram uma falha no sistema para causar prejuízo milionário à Natura (NATU3)

Uma fraude sofisticada, que explorava falhas no sistema de cashback e distribuição de brindes da Natura, causou um prejuízo estimado em R$ 6 milhões à gigante brasileira de cosméticos

Isabelle Miranda
Isabelle Miranda
4 de novembro de 2025
15:15 - atualizado às 12:13
Fachada de loja da Natura (NATU3)
Fachada da loja Natura (NATU3) - Imagem: Divulgação/Natura

A Natura (NATU3), uma das maiores empresas de cosméticos do país, foi vítima de uma fraude milionária, informa a Polícia Civil de Minas Gerais. E ela veio de onde menos se esperava: de dentro da própria rede de consultores da companhia.

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O esquema foi desarticulado pela operação batizada de Espelho de Vênus, lançada pela polícia mineira. A ação policial revelou a existência de um esquema sofisticado por meio do qual revendedores exploravam brechas no sistema digital da companhia para obter descontos indevidos na compra de produtos e revendê-los com lucro em plataformas online e lojas físicas.

A ação, que contou com 25 agentes, cumpriu nove mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, Contagem e Betim. Foram apreendidos milhares de produtos de beleza entre perfumes, cremes e kits, que eram armazenados em condições precárias e revendidos com descontos de até 60%.

O golpe dentro da rede de consultoras

De acordo com a investigação, o grupo era formado por 11 consultores, entre eles uma mulher de 51 anos, considerada a líder da quadrilha. Com mais de duas décadas de atuação na empresa, ela usava sua experiência para recrutar parentes e amigos e manipular o sistema de compras.

Os golpistas descobriram uma vulnerabilidade no sistema de brindes da plataforma da Natura. Quando o estoque de brindes se esgotava, o site convertia o item em crédito financeiro (cashback). Aproveitando essa falha, os consultores faziam compras simultâneas de um mesmo produto até forçar o esgotamento dos brindes e, com isso, geravam cashbacks em dinheiro.

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Esses valores eram usados para adquirir novos produtos a custo reduzido, revendidos depois em marketplaces e lojas físicas por preços até 60% abaixo do mercado.

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“Os produtos comprados com cashback fraudulento eram revendidos em plataformas conhecidas, prejudicando a competitividade de outras consultoras que agiam de boa-fé”, afirmou a delegada Cristiana Pereira Gambassi Angelini, chefe da Divisão Especializada em Crimes Cibernéticos da PCMG.

Fraude em escala e suspeita de cúmplices internos

A delegada revelou que o esquema funcionou entre março e outubro e movimentou cerca de R$ 300 mil em aportes diretos pelos fraudadores. Em troca, o grupo teria lucrado milhões com o revenda de aproximadamente 50 mil produtos.

Mesmo após o bloqueio de contas suspeitas, o grupo continuou operando, abrindo novos cadastros em nome de familiares — o que levantou a suspeita de colaboração interna de funcionários da empresa.

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“A internet não é terra sem lei. Vamos responsabilizar todos os envolvidos, inclusive eventuais colaboradores internos”, disse Angelini.

A PCMG apura ainda se parte do golpe foi replicada em outros estados, já que fraudes semelhantes ocorreram em São Paulo, também com prejuízos milionários.

Reação da empresa

Por meio de nota, a Natura informou que “segue colaborando com as autoridades e reitera seu compromisso inegociável com a ética, o respeito e a integridade em todas as suas relações”. 

A empresa destacou que a falha já foi corrigida, os consultores envolvidos foram bloqueados e medidas internas de segurança foram reforçadas para evitar novas ocorrências.

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Segundo o g1, durante a operação, a polícia encontrou estoques clandestinos de produtos armazenados de forma irregular, com presença de baratas e poeira, em galpões e residências.

As doze pessoas investigadas podem responder por fraude eletrônica, associação criminosa, estelionato, apropriação indébita, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular.

A Operação Espelho de Vênus deve ter novos desdobramentos nas próximas semanas. A PCMG ainda trabalha para mapear o fluxo financeiro do grupo, identificar eventuais funcionários coniventes e calcular o prejuízo total da fraude.

“Mesmo com um esquema sofisticado, sempre há uma brecha. E foi por ela que a investigação entrou”, resumiu a delegada Angelini.

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