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Maison francesa, criadora da bolsa mais famosa do mundo, supera LVMH e Kering no ano passado e deve manter a trajetória
A mitologia que corre no mundo da moda é que a bolsa mais famosa do mundo, a Birkin bag, foi criada após um mero tropeço da atriz Jane Birkin. Ao derrubar todos os itens da sua bolsa, no avião, a atriz chamou a atenção do então diretor da Hermès, Jean-Louis Dumas.
Foi assim que Dumas teve a ideia de criar uma versão maior da bolsa Kelly, inspirada em Grace Kelly, a mesma que a atriz tinha derrubado.
Pule para uns anos depois e a bolsa Birkin tornou-se um dos itens de maior desejo do mundo. Isso porque, mesmo que você tenha os R$ 60 mil (ou mais) para adquirir uma, você ainda precisa ser “selecionado” pela Hermès para comprar, após enfrentar uma lista de espera bem considerável.
É por conta de todo esse contexto que a réplica feita pelo Walmart fez tanto sucesso e chega a custar a partir de US$ 78 (R$ 475)
A apelidada “Wirkin” tem exatamente o mesmo design da Birkin bag, embora seja claro que a qualidade do couro varia bastante. O que falta a ela são apenas três coisas: a logo Hermès, o processo de fabricação artesanal na França e o valor milionário.
E acredite: no mundo do luxo, isso faz toda a diferença.
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Mas nem a popularidade da “versão by Walmart” está afetando os resultados da gigantesca maison francesa.
Apesar do marasmo que tem vivido o mercado de luxo, com desaceleração ocasionada pela crise chinesa, a Hermès tem sido uma verdadeira “rocha”, com resultados surpreendentes em 2024 e uma resiliência que nem o grupo LVMH nem o Kering conseguiram manter.
As vendas da francesa devem atingir cerca de € 15 bilhões em 2024, mais que o dobro relação aos € 6,8 bilhões de 2019.
Em comparação, as vendas da LVMH devem chegar a € 84 bilhões (em 2019, eram € 53,6 bilhões), enquanto o grupo Kering, pressionado pelas dificuldades da Gucci, está preocupando os investidores. Neste ano, as vendas previstas devem atingir cerca de € 17,2 bilhões em 2024, em comparação com € 15,8 bilhões em 2019.
A ação da Hermès subiu 22,3% em 2024. As concorrentes, no entanto, não tiveram a mesma sorte: a LVMH caiu 12% e o grupo Kering, 39%. Todas são negociadas na bolsa de Paris.
Por isso, não é exagero afirmar que, para 2025, a marca das Birkin’s e Kelly’s pode consolidar sua posição como líder do luxo.
Quem já está fazendo projeções muito otimistas nesse sentido é o banco de investimentos Stifel.
A instituição mudou a recomendação da ação da maison para “compra” e subiu o preço-alvo de 2.150 para 2.560 euros. Na sexta-feira (10), o papel negociava a um valor aproximado de 2.367 euros.
Avaliada em US$ 246,3 bilhões, a companhia teve um crescimento de receita notável: foram 11% nos últimos doze meses. A expectativa é que o valor total de vendas também seja bem “parrudo” – até o terceiro trimestre de 2024, tinham sido 11,2 bilhões de euros.
A francesa divulga os resultados do 4T24 no dia 14 de fevereiro.
Mas, afinal, por que, em um cenário tão difícil para o luxo, a Hermès permanece tão robusta?
Pelo mesmo motivo que a “Wirkin” nunca vai conseguir alcançar o prestígio da Birkin original.
A Hermès é uma das marcas mais respeitadas do mundo e construiu uma reputação praticamente só comparável à da Chanel entre os grandes consumidores de luxo.
Segundo o Stifel, o otimismo pode ser justificado por três fatores: o potencial ainda não explorado da companhia para aumentar os preços (sem sofrer perdas nas vendas), a alta demanda pelos bens de couro da marca (notadamente, bolsas), e a sólida base de clientes endinheirados e fiéis à maison.
Para o Luxury Tribune, portal especializado no mercado de luxo, a marca também tem mais duas vantagens: uma estratégia que foca em moda atemporal (não nas trends do momento) e uma base de produção artesanal bem estabelecida, que evita os problemas associados à subcontratação.
Para o banco de investimentos Stifel, tudo isso dá boas perspectivas para que a empresa mantenha boas margens de lucro neste ano.
A instituição espera que a marca continue se destacando entre os pares, com “diferencial de crescimento significativo”.
Para 2025, o Stifel projeta que as vendas vão crescer 11,5%, enquanto o mercado de bens de alto padrão terá uma alta de apenas 7%. Os resultados dos primeiros trimestres devem continuar impactados pela desaceleração na China e pela cautela dos compradores.
* Com informações do Investing e do Luxury Tribune.
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