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A transação envolve as operações da Avon na Guatemala, Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador e República Dominicana; entenda a estratégia da Natura
Na Natura (NATU3), a palavra da vez é simplificação. A gigante de cosméticos segue firme no esforço de otimizar seus negócios — e deu mais um passo nesta segunda-feira (15), com o anúncio de um acordo vinculante para a venda das operações da Avon na América Central.
Segundo o fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a transação envolve as operações da Avon na Guatemala, Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador e República Dominicana, batizadas de “Avon CARD”.
A princípio, os ativos serão vendidos para a empresa de bens de consumo Grupo PDC por um valor simbólico… ou quase isso.
O valor nominal de venda é de US$ 1,00 — uma pechincha. Mas há um acréscimo relevante: a cifra será acrescida de um pagamento de US$ 22 milhões referentes a um recebível da Avon Guatemala à subsidiária da Natura no México.
Apesar da venda, a Natura não deixará a região completamente. A empresa continuará fornecendo produtos acabados para a Avon CARD e manterá o papel de licenciadora da marca Avon na região.
O fechamento do negócio ainda depende da conclusão de uma reorganização societária das entidades jurídicas que compõem a Avon CARD. A perspectiva é que a conclusão aconteça até 30 de outubro de 2025, mas poderá acontecer antes caso tudo corra conforme o planejado.
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As ações da Natura (NATU3) operavam em alta nesta segunda-feira (15). Por volta das 12h45, o papel tinha valorização de 2,06%, a R$ 8,93.
Segundo a Natura, a empresa “continua explorando alternativas estratégicas para o negócio da Avon Internacional, que foi classificado como ativo mantido para venda”.
Em entrevista coletiva após o balanço do segundo trimestre, em meados de agosto, o CEO da Natura, João Paulo Ferreira, afirmou que vê dificuldades do lado da Avon ao longo de 2025.
A Avon Internacional queimou cerca de R$ 1 bilhão em caixa apenas no primeiro semestre, pressionando a alavancagem. Mesmo com geração de caixa positiva na América Latina, o efeito foi neutralizado pelo peso dessa unidade internacional.
“A marca Avon está sendo reposicionada. Há um trabalho de reposicionamento associado à necessidade de repopular todo o funil de inovações dessa marca, cujos resultados são esperados só em 2026. Então, nós ainda teremos dificuldades com a marca Avon ao longo desse ano e a marca Natura compensa essas dificuldades”, disse o CEO.
Sobre o cronograma de venda de ativos, Ferreira estimou que a operação deve se concretizar em aproximadamente 12 meses.
À época, o executivo destacou que os esforços de separação e venda da Avon Internacional e da Avon CARD haviam avançado significativamente nos últimos meses — uma promessa agora materializada com o acordo desta segunda-feira (15).
Na avaliação do Itaú BBA, a primeira movimentação nos "ativos mantidos para venda" pode aumentar a confiança na Avon Internacional.
"O perímetro da Avon Int'l é materialmente mais complexo do que o CARD. No entanto, o fato de uma solução ter sido encontrada para a Avon CARD em um curto período desde sua reclassificação como 'ativo mantido para venda' pode gerar mais confiança na base para a reclassificação da Avon Int'l como mantida para venda no 2T25 e na potencial existência de pretendentes reais para este ativo", disseram os analistas.
No caso da venda da Avon na América Central, o banco avalia que o impacto financeiro é limitado no curto prazo, com "fluxos de fornecimento e royalties modestos" em andamento. Dessa forma, a expectativa dos analistas é de efeitos praticamente insignificantes na receita e nas margens consolidadas no curto prazo.
Porém, essa mudança ajuda a reduzir a complexidade e a mudar a América Central para um modelo de ativos mais leves, convertendo as operações diretas em um relacionamento de fornecimento e uma licença de marca, segundo os analistas.
Para o Santander, a venda da Avon CARD deve ajudar a melhorar o sentimento dos investidores em relação aos esforços da Natura para vender a Avon International também.
Além disso, segundo os analistas, ainda que as implicações financeiras possam não ser tão significativas quanto as relacionadas à venda da Avon International, a expectativa é que a operação gere cerca de R$ 60 milhões em economias.
Contudo, o banco segue com recomendação neutra para as ações da Natura (NATU3) devido às incertezas relacionadas à venda da Avon International e à implementação da estratégia "Onda 2" em mercados chave, como México e Argentina.
*Com informações do Money Times.
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