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Analistas esperam valorização da ação e indicam que o valuation no curto prazo aponta para um preço 40% abaixo da média histórica de 3 anos
Ouviu a campainha tocar? É o Mercado Livre (MELI34) chegando para compor a lista de empresas cobertas pelo time de research da XP. O e-commerce argentino estreia com recomendação de compra, expectativa de valorização das ações e uma visão positiva para os negócios mesmo em meio às incertezas macroeconômicas nos principais mercados da empresa — Brasil, México e Argentina.
Em relatório divulgado nesta terça-feira (18), os analistas Daniella Eiger, Gustavo Senday e Laryssa Sumer defendem quatro principais argumentos para a tese de investimento no Mercado Livre. Segundo eles, a empresa tem um bom histórico de antecipação de tendências que deve ajudar no aumento da penetração do e-commerce e de seus serviços financeiros com o Mercado Pago.
Além disso, o serviço de publicidade e anúncios da varejista é visto como uma avenida de crescimento que deverá destravar valor no futuro.
Ao iniciar a cobertura com recomendação de compra, o time da XP estabeleceu um preço-alvo de R$ 118 para o BDR do Mercado Livre listado na B3 e um preço-alvo de US$ 2.500 para a ação negociada em Nova York. Os valores equivalem a um potencial de valorização de 19% em relação aos preços de fechamento da véspera, de R$ 99,38 e US$ 2.106,46.
No curto prazo, a XP avalia queda no lucro líquido do Mercado Livre, porém, a taxa de crescimento para o longo prazo é de 6%, com custo de capital médio de 12,1% e uma margem EBIT de longo prazo de 17%.
Os analistas ainda acrescentam que o valuation atual, de 37x o preço sobre o lucro previsto para 2026 (P/L 2026e) está 40% abaixo da média histórica de três anos.
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O Mercado Pago e os anúncios são as joias da coroa, para os analistas da XP.
Segundo o relatório, somente o serviço de publicidade pode destravar US$ 2 bilhões de EBIT (lucro antes de impostos e juros) nos próximos cinco anos.
Já o Mercado Pago é uma aposta de crescimento principalmente no México, onde quase metade da população não tem conta bancária.
A XP avalia que, no médio prazo, Mercado Livre e Nubank devem competir para “desenvolver o mercado mexicano” e alcançar a liderança de mercado.
O e-commerce também apresenta suas oportunidades, segundo os analistas. As categorias de alimentos e vestuário são as apostas de retorno futuro.
Em alimentos, o ganho da varejista é a boa capilaridade para entrega, mas precisa melhorar os preços. Em vestuário, mix de produtos e experiência de usuário (KPIs) são os pontos fracos. “Acreditamos que isso pode abrir espaço para o desenvolvimento de um novo canal.”
Os três principais mercados do Mercado Livre passam por desafios em suas economias. Para o Brasil e México são esperadas desacelerações em 2025, enquanto na Argentina, a dinâmica cambial e a oscilação econômica carregam incertezas.
Porém, os analistas ainda veem capacidade de investimento e avanços para o Mercado Livre.
“Em nossa visão, uma das principais forças estratégicas do Mercado Livre é a capacidade da empresa de antecipar tendências/oportunidades estruturais e investir quando necessário, independentemente da dor de curto prazo”, diz o documento.
“Isso aconteceu no passado, quando a empresa se concentrou em escalar o marketplace e construir sua rede logística, com ambos se tornando vantagens competitivas chave em relação aos concorrentes”, acrescenta.
Mas a relação com a concorrência deve continuar no radar, principalmente no Brasil, com Shopee e Amazon investindo em ganho de market share e o TikTok Shop prevendo sua estreia no país em abril.
Segundo o GPA, a reestruturação das dívidas não tem relação com as operações do dia a dia de sua rede de supermercados, ou ainda suas relações com fornecedores, clientes ou parceiros.
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