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Autoridade antitruste aponta alta concentração em mercados locais; aprovação final deve ocorrer somente no segundo semestre de 2025, segundo analistas do banco
A aguardada fusão entre Petz (PETZ3) e Cobasi, as duas gigantes do setor pet no país, segue sob análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que em nota técnica divulgada ontem (26) recomendou uma investigação mais aprofundada da operação.
O principal motivo: riscos de concentração excessiva no varejo físico de produtos para animais, que poderia prejudicar a concorrência em diversas regiões do Brasil.
O negócio, anunciado em agosto de 2024, prevê a incorporação da Petz pela Cobasi. Os acionistas da Petz ficariam com 52,6% da nova companhia e os da Cobasi com 47,4%, além de um pagamento em dinheiro de R$ 400 milhões aos investidores da Petz — R$ 130 milhões já foram pagos.
Com a avaliação do órgão, as ações PETZ3 fecharam em queda de 4,15% nesta terça-feira (27), cotadas a R$ 4,16.
Segundo a nota técnica do Cade, o órgão analisou 491 mercados locais onde existem lojas da Petz ou da Cobasi. Para entender se a fusão entre as duas empresas pode prejudicar a concorrência, o Cade usou uma ferramenta chamada isócronas.
As isócronas são como círculos desenhados no mapa ao redor de cada loja, mostrando até onde uma pessoa consegue chegar partindo daquela loja em 10 ou 15 minutos de carro. Esses círculos representam a "área de influência" da loja, ou seja, a região onde os consumidores provavelmente iriam fazer compras.
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A ideia é que, dentro desse raio de tempo, as pessoas consideram as lojas concorrentes — e é justamente ali que o Cade avalia se a fusão entre Petz e Cobasi pode reduzir a concorrência, levando a preços mais altos ou menos opções para o consumidor.
Em mais de 70% desses casos, Petz e Cobasi juntas superariam 20% de participação de mercado — patamar considerado sensível pela autoridade.
Em ao menos oito mercados, segundo a avaliação do Cade, a fatia ultrapassaria 50%.
O Cade destaca ainda que, embora pequenos pet shops ainda consigam entrar no mercado, a entrada de concorrentes médios e grandes está em queda. Isso poderia reduzir a pressão competitiva e impactar diretamente os preços e a variedade de produtos para o consumidor final.
Empresas como a Petlove também se manifestaram contra a fusão, temendo o surgimento de uma empresa dominante com poder para influenciar fornecedores e sufocar rivais, tanto em lojas físicas quanto no e-commerce.
Em relatório divulgado hoje (27), o BTG Pactual avaliou que a operação de fusão entre a Petz e a Cobasi pode gerar sinergias operacionais e ganhos de escala, com possível melhoria na negociação com fornecedores e na distribuição omnicanal.
No entanto, de acordo com os analistas do BTG, o ambiente competitivo continua desafiador, com grandes players como Mercado Livre (Meli) e Amazon ganhando espaço no mercado pet.
O banco mantém recomendação neutra para as ações da Petz (PETZ3), negociadas a R$ 4,30 no momento da análise, com preço-alvo de R$ 5,00.
Para 2025, o papel está precificado em 25x lucro (Preço sobre Lucro), considerado alto pelo BTG diante do cenário competitivo, justificando cautela em meio à incerteza sobre medidas corretivas que o Cade pode impor.
Diante desse cenário, o BTG sugere uma posição neutra em relação às ações da Petz.
“Acreditamos que as ações devem continuar sendo negociadas com base nas notícias sobre o acordo entre Petz e Cobasi. A aprovação final deve ocorrer apenas no segundo semestre de 2025”, destaca o relatório do BTG.
A decisão final do Cade sobre a fusão entre Petz e Cobasi ainda está em aberto. O processo segue em rito ordinário, exigindo avaliações mais rigorosas, inclusive com possibilidade de imposição de remédios concorrenciais — como venda de lojas em áreas sobrepostas ou restrições comerciais.
Enquanto isso, o mercado acompanha de perto os desdobramentos. A fusão promete mudar o jogo no segmento pet, que movimenta cerca de R$ 57 bilhões por ano no Brasil, mas também levanta questões fundamentais sobre o equilíbrio entre escala e concorrência justa.
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