Fundos ESG no Brasil crescem 28% em 2025, mas segmento de ações perde espaço
Levantamento do Itaú BBA mostra que, no longo prazo, os fundos de ações ESG performam melhor em comparação com o mercado em geral

Ao contrário do que se poderia imaginar diante de um contexto geopolítico internacional de retrocessos em relação a políticas e práticas ESG — em especial por parte do governo Donald Trump —, o mercado brasileiro de fundos ESG segue em expansão em 2025.
Segundo relatório do Itaú BBA, o patrimônio sob gestão (AuM) dos fundos com estratégias ambientais, sociais e de governança (ESG) alcançou R$ 34 bilhões em maio, alta de 28% no acumulado do ano.
No entanto, a participação dos fundos de ações sustentáveis continua em queda, refletindo a maior busca por fundos de renda fixa ESG — sintomático do cenário de juros altos no país.
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De acordo com o levantamento, o Brasil conta hoje com 193 fundos ESG ativos, considerando todas as classes — renda fixa, ações e multimercados. Desse total:
- 127 são fundos IS (investimento sustentável), que possuem compromisso formal com objetivos sustentáveis e integração efetiva de critérios ESG.
- 66 são ESG-related funds, que apenas consideram fatores ESG como parte do processo decisório, sem compromisso formal.
Além disso, o levantamento mostra que, no longo prazo, o desempenho dos fundos ESG supera o do mercado em geral, apesar do cenário mais desafiador em 2025.
No acumulado desde abril de 2022, os fundos de ações IS subiram 41% e os fundos de ações ESG-related avançaram 31,7%. Já a indústria de fundos de ações brasileira valorizou 21,9% no mesmo período.
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Patrimônio cresce, com destaque para renda fixa
O destaque na indústria de fundos ESG foi o segmento de renda fixa ESG, que passou a responder por 78% do patrimônio, enquanto os fundos de ações ESG encolheram para 17% (R$ 5,6 bilhões), segundo os analistas do banco.
Mesmo com o bom desempenho da bolsa brasileira no ano (IBOV +14%; ISE +24%), o patrimônio dos fundos de ações ESG caiu 12% desde janeiro.
Os fundos IS mantêm liderança em patrimônio, somando R$ 25,7 bilhões (76% do total ESG), com alta de 42% no ano. Já os ESG-related funds encolheram 2%, para R$ 8,3 bilhões.
No acumulado de 2025, o setor ESG captou líquido R$ 6,2 bilhões, com os fundos IS respondendo por R$ 6,6 bilhões desse total e os ESG-related registrando saída líquida de R$ 400 milhões.
Fundos ESG de ações têm retração no patrimônio em 2025
De acordo com o relatório do Itaú BBA, dentro do universo de 193 fundos ESG no Brasil, 101 são fundos de ações ESG, o que corresponde a 52% da quantidade de fundos ESG no país. Desses:
- 66 são IS funds
- 35 são ESG-related funds
Apesar de representarem a maior parte dos fundos ESG em número, os fundos de ações concentram apenas 17% do patrimônio ESG total (R$ 5,6 bilhões) e vêm perdendo espaço desde 2022.
Embora o mercado ESG como um todo tenha registrado crescimento, os fundos ESG de ações apresentaram um saldo negativo em 2025, com R$ 1 bilhão em resgates líquidos — sendo R$ 275 milhões em fundos IS e R$ 730 milhões em ESG-related funds.
O AuM total dos fundos de ações ESG caiu R$ 0,8 bilhão, para R$ 5,6 bilhões, mantendo uma participação de 0,9% sobre o total da indústria de fundos de ações brasileira.
Negative Screening lidera as estratégias ESG
Entre os fundos IS, o método mais utilizado para integração ESG continua sendo o negative screening (exclusão de setores ou empresas), presente em 94% dos ativos, de acordo com o levantamento do Itaú.
Os principais setores excluídos são: armas, carvão, tabaco, trabalho infantil, trabalho forçado e empresas envolvidas em corrupção.
Outros critérios ESG aplicados pelas gestoras são:
- Ratings internos ESG: sistemas de avaliação próprios desenvolvidos pelas gestoras, usados em 58%
- Best-in-class: escolha por empresas líderes em desempenho ESG dentro de cada setor, presente em 40%
- Positive screening: seleção ativa de empresas que se destacam por boas práticas ESG ou que estão alinhadas com objetivos específicos como energia limpa, e valuation ajustado via ESG, ajustar o valor atribuído a uma empresa nos modelos de precificação com base no seu desempenho ESG, são pouco frequentes.
Além disso, o relatório do Itaú destaca que os critérios ambientais são os mais frequentes nos fundos IS. Cerca de 57% do patrimônio desses fundos acompanha pelo menos um indicador ambiental. O tema mais monitorado é mudança climática, presente em 41% dos ativos, seguido pelo controle de emissões de gases de efeito estufa (13%). Indicadores relacionados a consumo de energia, gestão de água e outros fatores ambientais aparecem em percentuais menores.
Já os critérios sociais são considerados em 43% do patrimônio dos fundos IS. O indicador mais comum é o de engajamento, diversidade e inclusão, presente em 41% dos ativos. Além disso, alguns fundos monitoram o impacto das operações nas comunidades onde atuam (11%) e questões ligadas à saúde, segurança e direitos humanos, embora com menor frequência.
Por fim, os critérios degovernança aparecem em 44% dos ativos e priorizam, principalmente, a qualidade das informações divulgadas pelas empresas e a transparência na gestão corporativa, monitoradas em 31% dos recursos. A remuneração dos executivos também é um ponto de atenção (31%), seguida pela composição e independência dos conselhos de administração (11%).
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