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Bruna Charifker Vogel

Bruna Charifker Vogel

Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo/USP e mestre em Estudos Latino Americanos e Caribenhos pela New York University/NYU, é redatora do Seu Dinheiro. Com mais de 15 anos de experiência em análise, fortalecimento e desenvolvimento de políticas públicas no Brasil e nos Estados Unidos, fez transição de carreira para o mercado financeiro, atuando nas áreas de comunicação interna, DEI, T&D, employer branding e cultura organizacional.

BUSINESS AS USUAL

ESG ainda não convence gestores multimercados, mas um segmento é exceção

Mesmo em alta na mídia, sustentabilidade ainda não convence quem toma decisão de investimento, mas há brechas de oportunidade

transição energética
Gestores de fundos multimercados seguem priorizando fundamentos econômicos tradicionais - Imagem: Montagem SD -

Apesar do crescimento do debate sobre sustentabilidade, mudanças climáticas e governança nas esferas pública e regulatória, os gestores de fundos multimercados no Brasil seguem céticos em relação ao impacto da pauta ESG (ambiental, social e governança) nas decisões de investimento e nos fluxos de capital — ao menos no curto e médio prazo.

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É o que revela a mais recente pesquisa mensal da equipe da série Os Melhores Fundos de Investimento, da Empiricus, feita com cerca de 30 gestoras que, juntas, somam mais de R$ 160 bilhões sob gestão.

A maioria das respostas divulgadas na pesquisa aponta que o tema ESG ainda não muda o jogo para os gestores multimercados, ou seja, ainda não tem força suficiente para mexer no comportamento do mercado financeiro de forma estrutural. 

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A leitura predominante entre os gestores é de que a influência da agenda ESG permanece mais no discurso do que na prática dos investimentos. Para 63% dos entrevistados, as políticas climáticas globais terão impacto moderado nos mercados financeiros nos próximos 2 anos — restrito a setores específicos. Os outros 38% acreditam que esse impacto será nulo.

Nem mesmo o “aquecimento” do tema por causa da realização da COP30 em Belém em novembro deste ano — a principal conferência do clima sobre mudanças climáticas e investimentos sustentáveis — parece ter efeito sobre o business as usual das gestoras nacionais.

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Quando perguntados sobre a expectativa sobre o impacto da COP30 na percepção de risco-retorno do Brasil como destino de investimentos, metade dos gestores afirma que o efeito será marginal, mais simbólico do que prático. A outra metade não enxerga qualquer efeito.

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Esse distanciamento entre a narrativa e a realidade do mercado já vinha sendo observado em outras frentes — o chamado greenwashing é um exemplo nada novo —, mas agora aparece com mais clareza: os fundos seguem priorizando fundamentos econômicos tradicionais, como juros, inflação, política monetária e dinâmica fiscal, na hora de montar suas posições.

Energia renovável aparece como oportunidade

Ainda assim, o levantamento revela que alguns nichos da economia já colhem frutos da agenda climática

Quando questionados sobre quais setores devem se beneficiar da pauta ESG no médio prazo, 57% dos gestores apontaram o setor de energia renovável como o mais promissor. Bem atrás, surgem a infraestrutura verde (transporte, saneamento, etc) com 17% e o agronegócio sustentável com 13%.

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Esse dado mostra que, mesmo entre os mais céticos, existe espaço para identificar oportunidades de investimentos dentro de uma transição energética e ambiental mais ampla. A diferença está na forma como cada gestor enxerga o timing e a materialidade dessas oportunidades no portfólio.

Um exemplo disso é a visão dos gestores sobre o influxo de capital estrangeiro na transição verde. Ao serem questionados se a percepção dos investidores internacionais sobre o Brasil melhoraria caso o país assumisse maior protagonismo na transição verde, 75% dos gestores afirmaram que haveria uma melhora marginal. Para 21%, haveria impacto relevante na atratividade dos ativos brasileiros.

Além disso, 42% dos gestores entrevistados acreditam que temas como descarbonização e financiamento climático devem influenciar de forma limitada o debate fiscal e de investimento público no Brasil nos próximos anos — mesmo percentual daqueles que não enxergam qualquer impacto. 

Contudo, 17% deles afirmam que estes temas serão ou vetores complementares na agenda fiscal ou mesmo farão parte central da estratégia de crescimento e atração de recursos. 

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O que isso significa para o investidor pessoa física?

Para quem investe por conta própria ou acompanha fundos de investimento, o recado é claro: embora o ESG continue sendo uma pauta importante no longo prazo, não espere que ele seja o principal motor de performance dos fundos no curto prazo — ao menos não nos multimercados.

Por outro lado, setores como energia limpa continuam no radar e podem representar bons pontos de entrada para quem busca investir com propósito, desde que com olhar estratégico e fundamentado.

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