Da Americanas (AMER3) para a Cyrela (CYRE3): incorporadora convoca AGE para ter Sérgio Rial no conselho
Em dezembro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) absolveu o executivo das acusações relacionadas ao escândalo da fraude bilionária na varejista

Sérgio Rial foi um dos personagens centrais da crise que levou a Americanas (AMER3) a pedir recuperação judicial após o escândalo de fraude bilionária – que completou 2 anos em janeiro. O executivo, que foi presidente do Santander (SANB11) por sete anos, assumiu como CEO da varejista em janeiro de 2023, mas ficou apenas nove dias no cargo.
A rápida saída de Rial se deu no contexto da revelação dos problemas financeiros da Americanas, período em que também deixou a presidência do conselho do Santander. Mas em breve ele deve assumir uma nova cadeira em outro conselho: o da Cyrela (CYRE3).
Nesta quinta-feira (6), a incorporadora convocou uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para o dia 27 de fevereiro para discutir o possível aumento de vagas no conselho.
Atualmente, o estatuto social da Cyrela permite que a quantidade de representantes varie de 5 a 11 conselheiros. A proposta da companhia é definir o número de conselheiros em 10.
Em outubro do ano passado, os acionistas da Cyrela decidiram limitar o número de membros do conselho de administração a nove, com a décima vaga reservada para Rial.
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Por que a Cyrela quer Sergio Rial no conselho de administração?
Na proposta de convocação da AGE, a Cyrela justificou que “a indicação do Sr. Sérgio considera a diversidade de competências, experiências e aptidões técnicas desejadas, tendo em vista os projetos e objetivos estratégicos da companhia”.
Além disso, a incorporadora destacou a “vasta experiência em cargos de conselho e comitês ao longo de sua carreira”.
“Adicionalmente, a administração ressalta que, com base nas informações disponíveis, entende que o Sr. Sérgio se enquadra nos critérios e requisitos previstos na política de indicação da companhia”, afirmou a Cyrela na proposta.
Caso eleito, Rial cumprirá o prazo de gestão em curso, que se encerra no fim do ano.
Segundo informações do Brazil Journal, a indicação de Rial teria partido de Elie Horn, ex-presidente do grupo Cyrela e que hoje lidera o conselho de administração da empresa.
Mas Rial não é um rosto totalmente novo no board da Cyrela. Isso porque ele já ocupou uma cadeira no conselho da incorporadora entre os anos de 2010 e 2015.
Se a nomeação for confirmada, será o terceiro conselho de Rial. Atualmente, ele é presidente do conselho da Vibra (VBBR3) e também está no board da BRF (BRFS3).
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Cyrela e sua ‘corrida contra o tempo’
Com um valuation atrativo e com forte geração de receita, Cyrela é umas ações “queridinhas” dos bancões no setor de construção e incorporação. Não à toa: a companhia deve alcançar um ROE (retorno sobre patrimônio líquido) de 20% neste ano.
Isso sem falar que a ação CYRE3 vive um rali de alta de aproximadamente 25% nos últimos 12 meses, contra 5% do Ibovespa.
No entanto, esses tempos de glória podem acabar em breve. Segundo os analistas do Itaú BBA, em relatório recente, a Cyrela está em uma corrida contra o tempo: ou o cenário macroeconômico melhora ou o micro vai enfraquecer na segunda metade do ano.
Construtoras voltadas para a classe média, como a Cyrela, são essencialmente dependentes das condições macro. Portanto, uma deterioração nesses indicadores pode afetar os fundamentos do setor e causar quedas nas ações das empresas.
Mesmo assim, a Cyrela também foi eleita a melhor construtora para investir agora, na visão do Santander. Para o banco, a empresa tem potencial para entregar bons resultados este ano a seus investidores mesmo em meio à turbulência econômica do país.
De acordo com as estimativas do Santander, é possível que as ações CYRE3 valorizem até 72%, com um preço-alvo de R$ 36.
Esse bom momento mesmo com a perspectiva de um cenário adverso pode ser visto na prévia operacional da companhia no quarto trimestre de 2024. Os lançamentos realizados pela Cyrela no 4T2024 atingiram um Valor Geral de Vendas (VGV) potencial de R$ 4,87 bilhões — uma alta de 184% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A companhia também registrou R$ 3,5 bilhões em vendas líquidas contratadas — já excluindo unidades permutadas — um aumento de 93% sobre o mesmo período de 2023.
Sérgio Rial e a Americanas (AMER3)
Em dezembro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) absolveu Sérgio Rial de responsabilidade nas acusações relacionadas ao escândalo da fraude bilionária nos balanços da Americanas (AMER3), que completou dois anos em janeiro de 2025.
Rial assumiu como CEO da varejista em janeiro de 2023, mas permaneceu no cargo por apenas 10 dias, deixando a empresa em 11 de janeiro, após tomar conhecimento do rombo, inicialmente estimado em R$ 20 bilhões.
Além de sua passagem pelo Santander e pela Americanas, Rial também integrou a ABN Amro (ABN), Bear Stearns, Minnesota Cargill, Seara (SEAR3) e Marfrig (MRFG3).
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