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Recompras ganham espaço e bonificação de ações resgatáveis desponta como aposta para 2026, revela estudo exclusivo do MZ Group
Dizem que todo brasileiro é criativo, mas, na corrida para antecipar proventos, as empresas listadas na B3 precisaram ir além da criatividade para lidar com as mudanças tributárias.
No apagar das luzes de 2025, as companhias abertas recorreram a diferentes instrumentos para remunerar acionistas e mitigar o impacto da tributação.
Além dos dividendos extraordinários e do uso de reservas de lucros acumulados, ganharam espaço mecanismos já conhecidos, como aumento de capital com bonificações, reduções de capital, recompras de ações e uso de dívida para pagamento de proventos.
Também surgiram estruturas mais sofisticadas, como as bonificações de ações preferenciais resgatáveis, em que a empresa entrega ações gratuitamente com compromisso de recompra futura.
Mas afinal, qual estratégia teve maior apelo entre as companhias da bolsa? Um estudo exclusivo da MZ Group para o Seu Dinheiro traz um raio-x dos formatos mais utilizados para antecipar proventos.
O levantamento considera o período entre 1º de outubro e 19 de dezembro de 2025 e mostra que 135 empresas arquivaram 192 documentos sobre dividendos e proventos na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), sendo 152 avisos aos acionistas e 40 fatos relevantes.
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Em 137 desses documentos (71% do total), há menção a dividendos intermediários, intercalares, complementares ou extraordinários.
O estudo mostra que a corrida pela antecipação de proventos se intensificou ao longo dos meses. Em outubro, foram 29 anúncios de distribuições ou remuneração por outros instrumentos. Em novembro, o número subiu para 54 e quase dobrou até 19 de dezembro, quando chegou a 109.
No total, 135 empresas distribuíram dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP), somando mais de R$ 95 bilhões. Nesse montante, não foram considerados os pagamentos de Vale, Gerdau, Banestes e BTG Pactual, que divulgaram apenas valores por ação, sem o total consolidado.
Segundo Cassio Rufino, CFO e COO da MZ Group e autor do levantamento, 31 empresas distribuíram dividendos utilizando expressamente reservas de lucros ou reservas estatutárias, totalizando R$ 31,99 bilhões. Entre elas, destaca-se a Ambev, que distribuiu R$ 11,51 bilhões a partir dessas reservas. Outros nomes incluem Allos, Cemig, Copel, CSU Digital, Axia Energia, Log Properties, São Carlos, Unipar e WEG.
Os dividendos foram o instrumento mais popular para antecipar a remuneração dos acionistas na reta final do ano. Esse mecanismo foi adotado por 65 empresas, representando 48,2% das distribuições, além de ser isento de imposto de renda. Cemig, Copel, WEG, Gerdau e Mitre são algumas das companhias que recorreram a esse formato.
Dentro da categoria dividendos, houve diferentes modalidades. Os dividendos intercalares, declarados com base no lucro do exercício em curso (trimestral ou semestral de 2025) e que antecipam o resultado anual, foram adotados por 37 empresas, o equivalente a 27,4% do total. Petrobras, Cury, Vulcabras, Grendene e Minerva estão entre elas.
Já os dividendos intermediários, baseados em reservas de lucros de exercícios anteriores ou lucros acumulados, foram utilizados por 23 empresas, cerca de 17% do total, incluindo Unipar, Melnick e Log.
Também aparecem empresas que recorreram a dividendos mínimos obrigatórios ou complementares, pagos para cumprir a parcela estatutária ou complementar antecipações. Esse formato foi usado por 11 companhias (8,1% do total), como Tim, Cemig, CPFL e Neoenergia.
Apenas três empresas fizeram menção explícita a dividendos extraordinários ou adicionais. Os pagamentos decorreram de excesso de caixa ou eventos não recorrentes, nos casos de São Carlos, M. Dias Branco e Grazziotin.
Os juros sobre capital próprio (JCP) também tiveram presença relevante e foram adotados por 43 empresas (31,9% do total), mesmo com retenção de 15% de imposto na fonte. Santander, Itaú, Telefônica, Hypera, WEG, Raia Drogasil e Rede D’Or estão entre as companhias que utilizaram esse instrumento.
Leia também: As ações que devem ser as melhores pagadoras de dividendos de 2026, com retornos de até 15%
Algumas companhias optaram por outros instrumentos, também isentos de imposto de renda, para remunerar acionistas. Muitas adotaram modelos híbridos, complementando dividendos ou JCP já distribuídos com mecanismos alternativos.
Para analistas, instrumentos como bonificação de ações resgatáveis, bonificações tradicionais e recompras de ações tendem a ganhar força com a tributação em vigor a partir de 2026.
Segundo o estudo da MZ, 20 empresas implementaram programas de recompra de ações entre outubro e 19 de dezembro, o equivalente a 14,8% do total. Parte delas cancelou as ações, enquanto outras destinaram os papéis a programas de incentivo, como stock options.
Entre as companhias que recompraram ações estão Ambev, Auren, Bemobi, Prio, B3, Equatorial, Localiza, Tenda, Hapvida, IRB e SLC Agrícola.
Rufino destaca que outras companhias preferiram bonificar acionistas por meio da capitalização de reservas. O instrumento foi adotado por 16 empresas, representando 11,9% do total.
Felipe Pontes, gestor de patrimônio na Avantgarde Asset Management, explica que a bonificação funciona como uma espécie de dividendo caseiro, já que não gera renda imediata ao investidor.
Na prática, a empresa incorpora reservas ao capital social, emite novas ações gratuitas e proporcionais aos acionistas, que podem vendê-las posteriormente.
“A bonificação não cria valor econômico por si só, porque o patrimônio líquido da empresa permanece o mesmo. O que muda é a distribuição entre o número de ações e o valor por ação”, afirma.
Entre as companhias que utilizaram esse formato tradicional de bonificação estão Klabin, Engie, Dexco, Metalúrgica Gerdau, Boa Safra, Cogna, Itaúsa, Raia Drogasil, Grazziotin, Suzano, Unifique e Vibra.
Ainda no campo das bonificações, um novo formato adotado pela Axia (ex-Eletrobras) chamou a atenção e, segundo analistas, tem potencial para se tornar tendência no próximo ano. Trata-se da bonificação de ações preferenciais resgatáveis. A companhia criou uma nova classe de ações preferenciais transitórias (PNR), com resgate programado para 13 de janeiro de 2026, no valor de R$ 1,29 por ação.
A empresa também entregou aos acionistas outra classe de ações resgatáveis (PNC), conversíveis em ações ordinárias até 2031, com direito a voto, tag along e dividendos. As ações preferenciais PNR, por sua vez, contam com prêmio de 10% nos dividendos em relação às ordinárias.
O movimento iniciado pela Axia ganhou adeptos e foi replicado por mais quatro companhias. A Cyrela emitiu 72.800 novas ações, capitalizando R$ 2.499.224 bilhões. A Localiza também criou ações preferenciais resgatáveis, com capitalização de R$ 2.065.276 bilhões. Além delas, as construtoras Metrocasa e Pacaembu aderiram ao formato.
Outro formato observado foi a redução de capital com restituição de valores aos acionistas. Segundo o estudo, três empresas aderiram formalmente a essa estratégia, o equivalente a 2,2% do total, sendo duas com restituição direta aos investidores. A Telefônica Brasil reduziu o capital social em R$ 4 bilhões, com restituição prevista até 31 de julho de 2026.
A empresa de tecnologia LWSA também propôs reduzir o capital em R$ 283 milhões para absorção de prejuízos e em R$ 140 milhões para restituição aos acionistas, com pagamento até 20 de fevereiro de 2026.
Também integra o grupo a Porto Serviços, subsidiária da Porto, que reduziu o capital em R$ 130.690 milhões, sem restituição de valores aos investidores.
Gestores como Werner Roger, da Trígono Capital, alertaram que, quatro meses antes da aprovação da tributação dos dividendos, diversos diretores financeiros (CFOs) de companhias da bolsa já haviam sido procurados por bancos oferecendo linhas de crédito para antecipar proventos.
Segundo o estudo da MZ, porém, não foi possível identificar empresas que tenham efetivamente utilizado dívida para antecipar a remuneração aos acionistas.
A Guararapes, dona da Riachuelo, foi a única companhia a destinar recursos de outra origem, utilizando valores da venda do Midway Shopping Center para pagamento de dividendos.
Entre as operações realizadas, houve empresas que aumentaram capital com recursos dos acionistas, por meio de subscrição privada, emitiram novas ações ou utilizaram os recursos para crédito de dividendos. Esse foi o caso de Pague Menos, Vulcabras, Pacaembu Construtora, Emccamp e Rede Energia.
Também houve cinco empresas que aumentaram capital sem emissão de novas ações, representando 3,7% do total.
Rufino, da MZ, esclarece que a soma dos percentuais supera 100% porque a maioria das companhias optou por dois ou mais formatos para antecipar recursos aos investidores.
| Instrumento | Nº de empresas que aplicaram | Percentual do total de remunerações* |
|---|---|---|
| Dividendos | 65 | 48,20% |
| Juros sobre capital próprio (JCP) | 43 | 31,90% |
| Dividendos - Tipo intercalares | 37 | 27,40% |
| Dividendos - Tipo intermediários | 23 | 17% |
| Recompras de ações | 20 | 14,80% |
| Bonificação de ações com aumento de capital | 16 | 11,90% |
| Dividendos - Tipo obrigatórios ou complementares | 11 | 8,10% |
| Aumento de capital por subscrição privada com emissão de novas ações | 7 | 5,20% |
| Bonificação de ações resgatáveis | 5 | 3,70% |
| Aumento de capital sem emissão de novas ações | 5 | 3,70% |
| Dividendos - Tipo extraordinários ou adicionais | 3 | 2,20% |
| Redução de capital | 3 | 2,20% |
Analistas e gestores ouvidos pelo Seu Dinheiro afirmam que, em tese, as empresas não precisariam antecipar proventos até 31 de dezembro. Ainda assim, houve uma corrida generalizada para remunerar acionistas antes do fim do ano.
Segundo Vinícius Pimenta Seixas, sócio da área tributária do Pinheiro Neto Advogados, o Projeto de Lei 5473/2025, ainda em tramitação, permitiria aprovar dividendos até 30 de abril de 2026, com pagamento até 2028, mantendo a isenção. Hoje, a tributação prevê alíquota de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais.
O problema é a insegurança jurídica. A Lei 15.270/2025, já em vigor, exige que a aprovação ocorra ainda em dezembro para preservar a isenção.
“Essa data-limite levou as empresas a antecipar pagamentos ainda neste ano”, observa.
A dúvida também se estende a outros formatos, como bonificações de ações resgatáveis. Segundo Pimenta, para maior segurança tributária, a emissão das ações pelas empresas deveria ocorrer até 31 de dezembro de 2025.
O balanço da companhia foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG; no entanto, houve o registro de uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional da companhia”.
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