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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

DEVO, NÃO NEGO?

Bradesco BBI pode se tornar um dos maiores acionistas da CCR (CCRO3) — e tudo por causa das dívidas do Grupo Mover

O banco pode se tornar um dos maiores acionistas da companhia de infraestrutura ao assumir quase toda a participação do Mover, um dos principais investidores da empresa

Camille Lima
Camille Lima
14 de janeiro de 2025
9:04
Praça de pedágio CCR MSVia Itaúsa ITSA4 Votorantim Dividendos
Imagem: Shutterstock

Em breve, um novo nome deve assumir lugar de destaque no quadro acionário da CCR (CCRO3). 

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O Bradesco BBI pode se tornar um dos maiores acionistas da companhia de infraestrutura ao assumir quase toda a participação do Grupo Mover, um dos principais investidores da empresa, com 14,86% do total de ações.

Pelo menos, é o que deseja o banco após a inadimplência do Mover (antiga Camargo Corrêa) diante das dívidas bilionárias.

Vale destacar que o banco é um dos principais credores do grupo, que entrou em recuperação judicial no início de dezembro, junto à sua controlada Intercement.

O pedido de recuperação judicial da segunda maior produtora do de cimento do Brasil mostrava dívidas com credores externos somadas de R$ 14,2 bilhões, sendo R$ 6,3 bilhões em debêntures, R$ 3,5 bilhões em bonds emitidos no exterior e em torno de R$ 3,1 bilhões em débitos com o Bradesco.

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O banco tem as ações da CCR como garantia de dívidas da Mover e da Intercement.

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Por que o Bradesco BBI quer assumir ações da CCR (CCRO3) — e o que diz o grupo Mover

Em carta enviada pelo banco, a instituição afirma que, devido ao “alegado inadimplemento de contratos” com as sociedades Mover Participações, a Sucea Participações e a Sincro Participações, todas em recuperação judicial, ela estaria autorizada a assumir o controle da propriedade fiduciária sobre 281.567.041 ações CCRO3 detidas pelo Grupo Mover.

A cifra corresponde a 13,9% do capital social da CCR atualmente.

O Bradesco BBI já pediu ao agente escriturador da empresa que dê início aos trâmites necessários para a consolidação das ações.

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O banco também notificou os demais investidores que assinaram o acordo de acionistas da CCR para caso eles eventualmente desejem exercer o direito de preferência. 

O Mover, por sua vez, questiona o pedido do banco. Em recuperação judicial, a companhia diz que a consolidação da propriedade das ações não pode acontecer por quatro motivos principais. 

O primeiro deles tem a ver justamente com a origem das dívidas detidas pelo Bradesco BBI. 

Segundo o Mover, os créditos de titularidade do banco são quirografários e sujeitos à recuperação judicial. Isso significa que os valores não poderiam ser pagos fora dos termos do plano de reestruturação de dívidas com credores, que ainda deve ser apresentado.

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O grupo, em recuperação judicial, também alega que o Bradesco BBI:

  1. Não teria uma procuração válida e vigente para representar o Grupo Mover; 
  2. Não teria comprovado as autorizações de autoridades reguladoras necessárias para a transferência de quaisquer ações detidas pelas controladoras da companhia; e
  3. Não possuiria legitimidade para notificar os acionistas do bloco de controle da CCR para o exercício do direito de preferência.

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