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As negociações ganharam fôlego após a entrada da Caixa Econômica Federal no rol de instituições dispostas a emprestar os recursos
Com um prejuízo bilionário, os Correios não vive o seu melhor momento e buscam uma saída para reequilibrar as contas. Enquanto o governo busca rotas para salvar a estatal, um grupo de cinco bancos decidiu dar 'uma mãozinha' e fechou uma proposta para emprestar R$ 12 bilhões à empresa.
Porém, a proposta ainda será analisada pelo Tesouro Nacional, que precisará ser avalista da operação. Os bancos que participam da oferta são: Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander.
As negociações ganharam fôlego após a entrada da Caixa Econômica Federal no rol de instituições dispostas a emprestar os recursos.
Com o empréstimo, a empresa pretende quitar uma dívida de R$ 1,8 bilhão, pagar fornecedores em atraso, além de financiar um programa de desligamento voluntário (PDV) e fazer investimentos para tentar recuperar espaço no mercado de encomendas e elaborar novas fontes de receitas.
No início do mês, o Tesouro reprovou um empréstimo de R$ 20 bilhões, valor inicialmente pleiteado pela estatal, depois que cinco bancos cobraram juros de 136% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) na operação.
O órgão entendeu que os juros teriam que ficar dentro do teto de 120% do CDI estabelecido pelo Comitê de Garantias do Tesouro.
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Já nesta semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a negociação estava avançada e que havia chance de o governo fazer um aporte na estatal, mas que essa eventualidade ficaria dentro do arcabouço fiscal.
"Um caminho é o aporte que pode se tornar necessário se nós não chegarmos a um acordo com o pool de bancos que vão financiar a reestruturação da companhia. Não vamos ficar com a faca no pescoço por conta da incompreensão da parte de uma ou outra instituição financeira", afirmou.
Segundo ele, o mundo inteiro achou solução para manter serviços essenciais da estatal sem privatizar as empresas. A saída foi agregar outros serviços além do postal, como produtos financeiros, previdências e seguros.
Em meio à crise, o governo Lula também editou um decreto para que estatais não dependentes que estejam passando por dificuldades operacionais possam apresentar plano de reequilíbrio econômico-financeiro, inclusive com possibilidade de aporte futuro do Tesouro.
"O novo mecanismo cria um caminho estruturado para que empresas estatais federais enfrentem desafios conjunturais sem serem, de imediato, reclassificadas como dependentes do Tesouro Nacional", disse o Ministério da Gestão, em nota.
De janeiro até setembro, os Correios registraram um prejuízo de R$ 6,05 bilhões. No acumulado desde 2022, a estatal possui um rombo ainda maior, de R$ 10 bilhões.
Para voltar a ter lucro em 2027, os Correios terão de passar por uma reestruturação que requer um ajuste entre R$ 6 bi a R$ 8 bilhões no seu orçamento anual, entre cortes de gastos e aumento de receitas.
Segundo pessoas próximas à estatal, esse é um número aproximado ao que está sendo trabalhado pela atual diretoria da empresa, e é visto como extremamente desafiador por analistas.
A partir de 2027, no entanto, a meta já é voltar a ter lucro, como disse o presidente da empresa, Emmanoel Rondon, em coletiva a jornalistas, em meados de outubro. Por isso, a empresa terá que atuar nas duas pontas para se reequilibrar: cortar gastos e aumentar receitas.
Um ajuste entre R$ 6 bi e R$ 8 bilhões é complexo, tendo em conta a previsão de economia de R$ 1,4 bilhão com o Programa de Demissão Voluntária (PDV), para 15 mil funcionários anunciado pela estatal.
Além disso, os Correios postergaram a contratação dos aprovados em concurso de 2024, que acontecerá apenas em 2027.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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