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Monique Lima

Monique Lima

Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.

GOL SAI, AZUL ENTRA

Azul (AZUL4) avalia soluções para reestruturar dívida, e possibilidades vão de follow-on a recuperação judicial nos EUA, diz site

A companhia aérea pode seguir o caminho de seus pares nos próximos dias, enquanto vê uma dívida de US$ 10 milhões preste a vencer

Ações da Azul (AZUL4) lideram quedas do Ibovespa em 2024.
Imagem: Canva PRO/ Divulgação/ Montagem Seu Dinheiro

A recuperação judicial nos Estados Unidos deu certo para a Gol (GOLL4) e para a Latam, por que não daria para a Azul (AZUL4)? Talvez, a administração da companhia aérea esteja se fazendo essa pergunta ao considerar a possibilidade. 

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Segundo informações do portal Pipeline, a Azul está sendo assessorada pelos escritórios Davis Polk e Pinheiro Neto em sua busca por financiamento para reestruturar a dívida — e a recuperação judicial nos Estados Unidos, chamada Chapter 11, está entre as opções. 

A aérea tem uma dívida de US$ 10,37 milhões prestes a vencer, em 28 de maio, referente ao pagamento de cupons dos bonds emitidos no exterior, com prazo de 2029 e 2030.

Uma ajuda emergencial deve entrar em caixa nos próximos dias, com a aprovação do governo para liberar recursos do Fundo de Garantia à Exportação. O valor estimado é de US$ 200 milhões (R$ 1,14 bilhão).

Além disso, a Azul também levantou R$ 600 milhões no fim de abril com credores estrangeiros, que já eram detentores de títulos da companhia. Essa dívida tem vencimento curto, de seis meses. 

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Na conferência de resultados realizada nesta semana, o presidente da aérea, John Rodgerson, afirmou que a empresa mantém negociações amigáveis com os credores para buscar a sustentabilidade financeira da empresa. 

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Ao mencionar possíveis soluções para o refinanciamento das dívidas, Rodgerson não descartou a possibilidade de uma nova oferta de ações, mas acrescentou que só sairia num momento mais adequado. 

Nos últimos meses, as ações da Azul derreteram na bolsa brasileira. Desde janeiro, a desvalorização já chega a 70%, com os papéis caindo de R$ 4,30 para os atuais R$ 1,10. 

O último follow-on da companhia foi concluído em abril, quando levantou R$ 1,66 bilhão após a conversão de títulos de dívida com vencimento em 2029 e 2030 em ações. Os credores desses papéis passaram a deter 35% do capital da aérea. 

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Os 12,5% restantes da dívida não puderam ser convertidos devido a uma cláusula de não diluição acordada com os detentores de bonds, que colocaram um piso para o valor da emissão, informa o Pipeline

Procurada pelo portal, a Azul informou que “está constantemente avaliando oportunidades para melhorar a liquidez e sua estrutura de capital, sem nunca deixar de honrar seus compromissos e a qualidade dos seus serviços e atendimento aos clientes, respeitando sempre toda legislação vigente.”

BlackRock aumenta posição 

Enquanto a situação se desenrola, a maior gestora de ativos do mundo aumentou a posição em ações da Azul. Segundo comunicado da noite de quinta-feira (15), a BlackRock atingiu 5,07% de participação acionária na companhia. 

A compra se deu por meio da aquisição de papéis de clientes.

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Agora, a gestora detém 45,47 milhões de ações preferenciais da Azul e 727.908 instrumentos financeiros derivativos. 

Entretanto, a BlackRock esclarece na nota que não tem pretensões de alterar o controle acionário ou a estrutura administrativa da aérea. “O objetivo das participações societárias mencionadas é estritamente de investimento.”

Resultados frustrantes da Azul

A Azul reportou lucro líquido de R$ 783,1 milhões, uma reversão do prejuízo de R$ 1,1 bilhão registrado no mesmo período do ano passado. Na linha ajustada, no entanto, a aérea viu o prejuízo crescer cinco vezes, atingindo um saldo negativo de R$ 1,8 bilhão no período de janeiro a março deste ano.

Os números vieram abaixo das estimativas do banco e os analistas destacaram que as despesas foram significativamente maiores em relação aos trimestres anteriores.

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O endividamento líquido da aérea chegou a R$ 31,3 bilhões no fim do primeiro trimestre, aumento de 50,3% no comparativo anual e de 6% em relação ao quarto trimestre de 2024.

Segundo a companhia, o aumento é explicado pelo empréstimo bilionário recebido no início deste ano como parte do plano de reestruturação, além do aumento das obrigações de arrendamento.

A recomendação dos bancos para as ações da Azul é majoritariamente neutra. E a agência de risco Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da companhia para CCC em maio.

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