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A Agência veta manipulação de semaglutida e prioriza análise de registros que devem ganhar espaço após o fim da patente em 2026
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta segunda-feira (26) uma decisão que redesenha o futuro das chamadas “canetas emagrecedoras” no Brasil.
Ao mesmo tempo em que proibiu a produção e a venda das versões manipuladas de medicamentos à base de semaglutida em farmácias, a autarquia anunciou que dará prioridade à análise e ao registro genéricos e similares do Ozempic, desenvolvido pela dinamarquesa Novo Nordisk.
A medida busca atacar duas frentes críticas: os riscos de segurança relacionados às manipulações sem garantia de eficácia e a necessidade de assegurar abastecimento regular de um medicamento que se tornou peça-chave no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Farmácias de manipulação não poderão mais oferecer semaglutida sob qualquer forma. Segundo a Anvisa, essas versões representam risco elevado porque não passam pelos testes exigidos para comprovar pureza, estabilidade e segurança.
Na prática, a agência entende que esses produtos podem conter doses imprecisas, impurezas ou até substâncias contaminantes, o que pode prejudicar a saúde do paciente.
A decisão endurece o controle sobre medicamentos análogos de GLP-1, nomenclatura técnica da semaglutida sintética. Esse grupo de medicamentos também inclui o Wegovy e o Rybelsus.
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Além disso, a decisão reforça medidas já em vigor, como a retenção obrigatória da receita nas farmácias.
Mais do que conter riscos, a Anvisa prepara terreno para o período pós-quebra de patente.
A patente da liraglutida, princípio ativo do Saxenda, expirou em março último. Já a da semaglutida é válida até o início do ano que vem.
Ao priorizar a análise de novos registros, a agência busca criar condições para a entrada de versões genéricas nacionais, capazes de ampliar o acesso e reduzir custos ao sistema de saúde.
De acordo com a Anvisa, o movimento está alinhado à política de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, que prevê maior participação da produção local na oferta de medicamentos estratégicos.
A lógica dessa política é estimular a concorrência e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência de importações.
A Anvisa recebeu pelo 19 pedidos de registro relacionados aos princípios ativos das canetas emagrecedoras.
Até o dia 6 de agosto, nove desses pedidos envolviam medicamentos sintéticos à base semaglutida. Sete tinham a liraglutida sintética como base. Todos os pedidos em questão ainda aguardam o início da análise.
Há ainda três processos de medicamentos biológicos à base de liraglutida, semaglutida e à combinação insulina icodeca + semaglutida. Esses três processos aguardam distribuição para análise técnica.
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