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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

VIROU PENNY STOCK

Ambipar (AMBP3) desaba mais de 30% e cai abaixo de R$ 1 em dia de encontro do seu ex-CFO com a CVM

Ex-diretor financeiro da Ambipar, João Arruda teve reunião particular com a CVM nesta manhã, acompanhado por advogados especializados de dois escritórios — incluindo um com foco em direito criminal

Camille Lima
Camille Lima
6 de outubro de 2025
12:54
Caminhões da Ambipar (AMBP3)
Caminhões da Ambipar (AMBP3). - Imagem: Divulgação

Poucos dias depois de a Ambipar (AMBP3) tentar atribuir a responsabilidade pela crise financeira com o Deutsche Bank ao ex-diretor financeiro (CFO), João Arruda, o executivo decidiu ir ao encontro da xerife do mercado de capitais para uma audiência particular.

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A audiência estava prevista para esta segunda-feira (6), entre 10h30 e 11h30, e teria contado com a presença de advogados especializados de dois escritórios, Vieira, Rezende e Guerreiro Advogados e David Rechulski Advogados — este último, com foco em direito criminal.

Embora o tema exato da reunião não seja público, o calendário da autarquia revela que o objetivo do ex-CFO da Ambipar é “contribuir com propostas/sugestões para o processo decisório da Administração pública referente a ato administrativo/normativo”.

  • LEIA TAMBÉM: Onde investir em outubro? O Seu Dinheiro reuniu os melhores ativos para ter na carteira neste mês; confira agora gratuitamente

Vale lembrar que a CVM abriu um processo administrativo sancionador contra a Ambipar, que investiga uma suposta irregularidade relacionada à recompra de ações AMBP3 em possível descumprimento do limite de 10% das ações em circulação (free float). 

Além do ex-diretor de RI, Pedro Borges Petersen, também estão sendo investigados o fundador da Ambipar, Tércio Borlenghi Junior, e outros membros da alta gestão.

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Em forte queda nesta sessão, as ações da Ambipar passaram a ser negociadas abaixo de R$ 1. Por volta das 12h36, AMBP3 desabava 32,14%, cotada a R$ 0,95. Desde o início do ano, os papéis marcam desvalorização de 92% na B3.

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Ambipar, o ex-CFO e a disputa com o Deutsche Bank

Na última petição enviada ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), a Ambipar colocou Arruda no centro da turbulência financeira que atingiu a empresa. Segundo a companhia, a crise foi desencadeada por “operações financeiras questionáveis conduzidas pelo então CFO da companhia”. 

De acordo com nota enviada à imprensa, Arruda teria migrado contratos de swap do Bank of America (BofA) para o Deutsche Bank e firmado aditivos sem autorização do conselho de administração.

Essas mudanças alteraram garantias e teriam exposto a Ambipar a exigências excessivas de colaterais, criando um desbalanceamento nas finanças do grupo.

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A petição descreve o “desastroso aditivo” como o ponto de partida da crise que levou a empresa a buscar provimento judicial para se proteger de exigências superiores a R$ 200 milhões em garantias adicionais demandadas pelo banco alemão. 

“Pouco antes da revelação da crise, o executivo deixou o cargo. A Ambipar reforça que, até esse episódio, sua saúde financeira era sólida”, escreveu a Ambipar, em nota à imprensa.

Embora a Ambipar afirme que o aditivo foi negociado “sem o prévio conhecimento — e menos ainda autorização — do conselho de administração do grupo”, fontes do Neofeed afirmam que o CEO, Tércio Borlenghi Junior, tinha conhecimento e deu aval às operações. 

Vale destacar que a acusação contra Arruda só foi incluída na petição enviada à Justiça na última sexta-feira (3). Até então, o pedido de tutela antecipada feito pela Ambipar não mencionava o nome do ex-CFO. 

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Arruda deixou a diretoria da Ambipar no fim de setembro, após pouco mais de um ano no posto. A saída aconteceu poucos dias antes de a crise na empresa estourar nos noticiários.

A crise financeira da Ambipar

De acordo com a Ambipar, após a negociação com Arruda, a empresa passou a correr o risco de um efeito-dominó com potencial para resultar em um rombo financeiro superior a R$ 10 bilhões no caixa da companhia.

Isso porque quase todos os contratos financeiros da Ambipar contêm cláusulas de vencimento cruzado (cross-default), ainda segundo a empresa. 

Isso significa que a exigência de garantias adicionais pelo Deutsche Bank ou por outros credores poderia provocar um efeito cascata, elevando o risco de insolvência imediata. 

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Para evitar um colapso, a Ambipar recorreu à Justiça com um pedido de blindagem temporária contra os credores, medida que funciona como uma proteção inicial, permitindo negociações sem recorrer a uma recuperação judicial plena.

Mas, enquanto tenta reestruturar suas finanças sem acionar a RJ, a empresa enfrenta desconfiança crescente no mercado. Investidores aumentaram apostas vendidas (short) contra os papéis, refletindo o temor de que a crise se intensifique. 

A crise se intensificou após questionamentos sobre o caixa da companhia, com os credores tentando rastrear os recursos da empresa — apenas parcialmente encontrados desde a semana passada.

Um FIDC ligado à Ambipar movimentou R$ 1,2 bilhão recentemente e aumentou provisões contra calotes, segundo o Pipeline. Há dúvidas se esses valores poderiam ser contabilizados como caixa, já que se tratariam de créditos a receber de fornecedores — não recursos líquidos. 

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Um gestor ouvido pelo Money Times alerta que, se confirmado que o caixa caiu de R$ 4 bilhões para entre R$ 600 milhões e R$ 1,8 bilhão, covenants podem ser acionados, abrindo espaço para disputas judiciais maiores e, eventualmente, uma recuperação judicial.

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