Ações da Azzas 2154 (AZZA3) têm a maior arrancada de sua breve história na bolsa depois do balanço do 1T25. Hora de comprar?
Segundo o Itaú BBA, os números do primeiro trimestre indicam um ponto de inflexão da companhia, que vinha sofrendo com desconfiança do mercado

As ações da Azzas 2154 (AZZA3) fecharam esta quinta-feira (8) na liderança de ganhos do Ibovespa, com uma alta de 22,03%. Trata-se do maior avanço diário desde a estreia dos papéis na B3, em agosto de 2024, após a fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma.
O salto acontece após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2025, considerado positivo pelo Itaú BBA. De acordo com o banco, todos os olhos estavam voltados para as margens — e elas vieram.
A confiança dos investidores estava abalada após o quarto trimestre de 2024 ter sido marcado por frustrações com um Ebitda (lucro antes dos juros, tributos, depreciação e amortização) aquém do esperado, incertezas sobre novas despesas e dúvidas quanto à extensão de descontos em marcas como Reserva.
As ações chegaram a cair mais de 12% na bolsa de valores no pregão seguinte à divulgação dos números do 4T24, como reflexo dessa preocupação.
Mas, na visão do Itaú BBA, os resultados de ontem apontam para um possível ponto de inflexão para a companhia. Isso muito em razão da combinação entre receita sólida e tendência de rentabilidade forte que puderam ser vistas nas linhas.
Os destaques do balanço da Azzas 2154
O lucro líquido foi de R$ 86 milhões, 44% acima da estimativa, impulsionado por uma robusta expansão da margem Ebitda (1,7 ponto porcentual acima da expectativa).
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O Ebitda (lucro antes dos juros, tributos, depreciação e amortização) ajustado cresceu 28% em relação a 1T24, para R$ 359 milhões, com a margem expandindo fortes 150 pontos-base (170 pontos acima da projeção do Itaú BBA).
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Essa linha do balanço foi impulsionada por alavancagem operacional — ou seja, a empresa conseguiu crescer suas receitas sem aumentar proporcionalmente seus custos fixos, o que amplia a rentabilidade.
O crescimento foi puxado pelas linhas de roupas femininas, com avanço de 27% ano a ano, e pelo segmento de roupas democráticas — vestuário básico e acessível —, que subiu 14% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A Hering também apresentou um desempenho forte, com uma alta de 14,4% em relação ao intervalo de janeiro a março em 2024, com destaque para o crescimento de sell-out, que subiu 32,8%. Isso indica que os produtos estão tendo boa aceitação e giro rápido nas pontas, ou seja, nas mãos dos consumidores.
O segmento de roupas masculina foi outro ponto a chamar atenção, com avanço de 13,1% na comparação anual — ou 12,6% sem marcas descontinuadas.
Esses resultados compensaram o desempenho mais tímido da divisão de calçados e acessórios, que avançou 3% na comparação com igual intervalo de 2024.
A margem bruta teve uma aceleração de 30 pontos-base na base anual, para 54,8%, beneficiada por um mix de canais mais saudável, com maior peso das vendas diretas ao consumidor, e diluição de custos.
Por outro lado, para o Itaú BBA, o fluxo de caixa foi o ponto negativo do trimestre, com queima de R$ 264 milhões, principalmente devido ao aumento de 6% nos estoques na comparação anual, que consumiram R$ 238 milhões.
Com isso, a alavancagem medida pela relação entre dívida Líquida e Ebitda subiu para 1,3x, alta de 0,2x em relação ao trimestre anterior.
Hora de comprar as ações?
“O principal desafio da Azzas 2154 era ancorar expectativas de curto prazo — hoje há uma dispersão grande entre investidores para o lucro de 2025 (de R$ 550 milhões a R$ 750 milhões). Este trimestre ajuda a reduzir essa incerteza”, escreveram os analistas do banco em relatório.
O banco espera que a combinação de margens melhores e a expectativa de que a rentabilidade siga melhorando após os ajustes corporativos realizados em abril gere um momento positivo.
Em uma comparação relativa, as ações da Azzas 2154 são negociadas a um múltiplo de 9 vezes o lucro estimado para 2025 — um patamar consideravelmente mais baixo do que o de pares mais líquidos do setor, como Lojas Renner (cerca de 11,5 vezes), C&A (10,5 vezes), Natura (12,5 vezes na operação latino-americana) e Assaí (15 vezes).
Por isso, a recomendação do Itaú BBA é de compra para as ações. O Santander segue na mesma toada, ao destacar o balanço positivo e a recomendação de compra para as ações.
Para o BTG Pactual, fusões no mercado de varejo nunca são fáceis — em especial as que envolvem grandes players. No entanto, os analistas também ressaltaram os números fotes da companhia no 1T25, bem como os esforços para otimizar despesas em meio ao processo de integração.
O banco enxerga um bom ponto de entrada para os papéis, negociados a um atraente P/L de 6x para 2026, ela oferece um ponto de entrada atraente para os investidores.
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